O brasileiro, sempre que pensa em bebida, imagina cerveja e vinho. E, quando o assunto é destilado, logo pensa na bebida nacional, a cachaça. Entretanto, não temos o costume de explorar os destilados. Nem imaginamos que se trata de um mundo muito maior, afinal, não existe apenas whisky, vodka e tequila. E, quando o assunto é drink, a primeira coisa que pensamos é a caipirinha, porque nos acostumamos.

Além de ser cultural, vivemos num país onde o clima não é propício para bebidas quentes. Outro fator, até pouco tempo, era a falta de profissionais gabaritados para atender, preparar e criar drinks.

Passamos por um momento de revolução na gastronomia, com a valorização dos ingredientes nacionais e a ascenção de grandes profissionais. Para acompanhar este movimento, todo o universo ao redor tem que evoluir, sendo a cerveja a primeira a querer fazer parte dessa corrente. Houve o advento das cervejas importadas, depois com as artesanais nacionais, e agora vem despontando, para elevar ainda mais o nível, a coquetelaria.

O bartender qualificado

O bartender, profissional especializado e qualificado para trabalhar com coquetéis, não se limita apenas a fazer um curso para conhecer as bebidas e os dinks clássicos. E o mixologista é um profissional que entende de alquimia, um mago das misturas. Hoje, o mercado exige um profissional que tenha carisma, conhecimento, criatividade e  inovação para atrair novos clientes.

3º Sofitel Wine Cocktail

E foi nesse contexto que no dia 30 de outubro aconteceu o 3º Sofitel Wine Cocktail, um evento idealizado pelo chefe de bar Renato Tavares, que trabalha no Bar dos Descasados – Hotel Santa Teresa – no Rio de Janeiro e contou com apoio da Importadora Interfood. Para quem não conhece, o bar tem um ambiente único, que conta além da vista lindíssima, num clima intimista.

Renato Tavares, sobre o evento, disse que “acontece numa ação em todos os Hotéis Sofitel no mundo, que se chama Sofitel Wine Day, visando difundir a cultura do vinho na cidade local. Pelo terceiro ano consecutivo é realizado um campeonato de coquetelaria, estimulando o uso de vinhos nos coquetéis. Neste ano, contamos com o apoio da Interfood, que disponibilizou os vinhos, o conhaque Remy Martin por ser destilado vínico, e escolhemos para também participar outros destilados de apoio, como Gim, rum, vodka e bitters.”

Bancada de escolha dos produtos do evento

O gerente comercial da Interfood, Alexandre Kaufman, nos contou o porquê de apoiar o evento: “Nós fortalecemos bastante o nosso portfólio de destilados e estamos numa fase de trabalhar as marcas. Quando o grupo Sofitel fez este convite para fazermos uma parceria, achei super interessante, pois casou com o nosso momento. Teremos muito profissionais da coquetelaria em contato com nossos produtos. Achei importante a proposta de utilizar vinhos nas receitas dos coquetéis.”

As bebidas utilizadas no concurso

As etapas do concurso

O evento foi composto por 3 etapas. Na primeira, os participantes tiveram que enviar uma receita autoral utilizando obrigatoriamente o conhaque Remy Martin e tinham com inspiração o tema Novo Mundo. Desta etapa saíram 10 competidores que foram escolhidos por um grupo de especialistas. Foi neste contexto que nove homens e uma mulher apresentaram sua arte.

Drink da primeira etapa do concurso

Neste momento vi que não somos meros repetidores de receitas. Presenciei a criação de belíssimos coquetéis. O que mais chamou minha atenção foi a utilização de xaropes com ingredientes não usuais, como cardamomo, flores silvestres, certas frutas e tucupi. Havia uma preocupação de não fugir ao tema Velho Mundo, mas sempre utilizando elementos  que valorizassem ainda mais o conhaque.

Drink da primeira etapa do concurso

Os 5 vencedores desta etapa participaram de uma prova de harmonização. Tinham à sua disposição um Cabernet Sauvignon, um Carmenere e um Sauvignon Blanc. O prato foi revelado num almoço entre os 5 participantes (o corpo de jurados e o chefe). Todos puderam degustar e tirar dúvidas sobre a preparação com o chefe. Ao final da degustação tinham 10 minutos para ir a uma bancada montada no local, para escolha dos ingredientes a serem utilizados nos coquetéis obrigatoriamente e a não utilização de algum produto, acarretaria na perda de pontos.

Os vinhos utilizados na última etapa

Tiveram apenas 1 hora para criar uma receita, testar, ver se estava em equilíbrio com o prato e, caso não estivesse, ter de recomeçar. Sem esquecer que teriam apenas 6 minutos para reproduzir o coquetel na frente dos jurados e de uma plateia que estava muito animada. Após as cinco incríveis apresentações, e de muita deliberação, surgiu um vencedor, Walter Garin, que buscava este título há 3 anos, tendo sido terceiro e segundo lugar  nas edições anteriores.

Walter Garin foi o vencedor

José Honorato – O que você achou do concurso deste ano?

Walter Garin – Eu achei o campeonato ótimo. O Rio de Janeiro precisa de eventos deste porte. Valoriza o local, propicia o apoio tanto do Sofitel como de grandes marcas, e neste ano tivemos a  Remy Martin, com o patrocínio da Interfood. O futuro deste campeonato é ser algo muito grande e virar uma tradição aqui no Rio de Janeiro.

José Honorato – Qual foi sua inspiração para o coquetel vencedor da noite?

Walter – Harmonização é uma coisa muito difícil, ainda mais que não sou um especialista em vinho. O que eu tentei fazer, e que eu aprendi nos últimos campeonatos, é valorizar o produto que está patrocinando o evento. E, ao invés de criar uma mistura exótica, busquei valorizar as qualidades de um vinho. Durante o almoço, tivemos uma explicação sobre a qualidade de cada um e tentei fazer isto, pegando as características do vinho que escolhi, que foi o Sauvignon Blanc, e potencializar na hora de fazer o coquetel.

José Honorato – Quais são os seus próximos passos e da coquetelaria no Rio de Janeiro?

Walter – Continuar ensinando as pessoas, tentar divulgar, apoiar as marcas e os campeonatos. É importnate estar dentro destes eventos, pois acho que todo o bartender tem que competir. Temos uma profissão maravilhosa; eu mesmo vim de outra carreira, larguei tudo e virei bartender. Estou há 26 anos nisto e foi a profissão que me fez conhecer o mundo que eu amo. É minha vida. Mude sua vida, venha ser bartender!  Hoje a profissão está em alta. No passado, foi muito discriminada e agora chegou nossa hora!

O que eu posso dizer para quem gosta de beber um coquetel bem refrescante é: arrisque-se, saia da sua zona de conforto e entregue-se na mãos dos profissionais da coquetelaria, pois para eles, o céu é o limite.

 

Brinde da Coluna

Estou bebendo o coquetel Last Chance,  vencedor do Concurso Sofitel Wine Cocktail, uma bebida extremamente refrescante, que traz o Brasil para dentro do copo. Um coquetel para todos os momentos, onde há acidez do vinho  e limão, se complementam com os outros elementos.

Last Chance – Taça Coquetel – Batido
 25 ml Gin Botanist
7,5 ml de Benedictine
7,5 ml de xarope de abacaxi / eucalipto / cardamomo
20 ml de limão siciliano
70 ml de Vinho Missiones – Sauvignon Blanc
2 dash de bitter de cardamomo
Aromatizar com zest de limão siciliano e decorar com tomilho

 

Texto: José Honorato
José Honorato  tem 20 anos de experiência como sommelier, formado como Beer Sommelier pelo SENAC-RJ /Doemens Academy. Economista e historiador de formação, ele é consultor em gastronomia e é docente do SENAC-RJ.
Contato – honoratobeersommelier@gmail.com
Facebook – https://www.facebook.com/jose.honorato.568

Uma ideia sobre “3º Sofitel Wine Cocktail mostra evolução na coquetelaria”

  1. Izolda Costa garin disse:

    Parabéns meu filho merece pelo esforço e dedicação

Deixe uma resposta

Restaurantes devem ter um vinho da casa?

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