Classificar o que se faz na cozinha está na história da alimentação desde a cozinha medieval até a contemporânea, e existem classificações para a gastronomia vindas das mais diversas fontes e culturas. A mais recente é a baixa gastronomia que tomou conta do mundo com seus sanduíches saborosos, comida simples, mas, muito bem feita e uma cultura de levar paras as ruas das mais importantes capitais do mundo suas delícias através dos food trucks.

Onde isso começa na história da alimentação? Não existem dados concretos que possam datar com alguma precisão onde ou quando alimentos prontos começaram a ser vendidos nas ruas, mas basta ler alguns trechos de livros sobre a história da alimentação para achar datas como o início do século XII. E ainda, um olhar mais atento em um dos livros mais antigos e o mais vendido na história, a bíblia, para ler relatos de alimentos prontos sendo vendidos nas ruas.

Desde os mais antigos tempos até hoje, fazer a classificação das diversas ramificações da gastronomia leva pessoas a se especializarem no assunto, criando verdades e mitos sobre alimentos e seus modos de preparo, levando em conta uma série de elementos e técnicas que são aprimoradas ao longo do tempo.

A tal baixa gastronomia nada mais é do que a boa e velha comida caseira que está de volta firme e forte, tomando conta de espaços que antes estavam ocupados por técnicas que ninguém sabe o porquê foram deixadas de lado, tal como a gastronomia molecular. A volta aos costumes de cultivo orgânico dos alimentos talvez tenha sido o gatilho para os acontecimento que vieram a seguir, fazendo ressurgir receitas das mais tradicionais cozinhas do mundo e uma cultura de levar esses alimentos para as ruas.

Nas grandes cidades como Tóquio, no Japão, os bentôs ou marmitas já estavam presentes nas horas de almoço nas mãos dos trabalhadores que se sentavam nos gramados dos parques para se deliciar com alimentos super saudáveis, feitos com técnicas simples e habilidades essenciais das donas de casa japonesas há mais de 70 anos, uma verdadeira tradição. Nos EUA existem caminhões de comida espalhados por capitais importantes como Nova York, que vendem os mais variados tipos de cardápio há mais de 50 anos.

No Brasil a moda que começou com os food trucks em São Paulo e foi o libertador da categoria de “baixa gastronomia” também anda a passos largos conquistando espaços, mas é importante dizer que muito antes dos trucks existirem, já havia as barraquinhas de dog (cachorro quente), algumas muito famosas que já vendiam a tal “baixa gastronomia” que sempre tiveram adeptos e conquistaram pessoas da alta sociedade com seus sabores e texturas. Uma delas sempre teve seu espaço cativo na Rua Estados Unidos em frente à delegacia e fazia o mais completo hot-dog da cidade. Era comum ver pessoas moradoras da região estacionar seus carrões nas madrugadas para comer um desses ícones da baixa gastronomia sentados em banquinhos de madeira ou mesmo nas calçadas nas voltas das baladas.

Programas de TV, revistas especializadas, restaurateurs, chefs famosos partiram para levar para as ruas suas criações e espalharam a cultura pelo país. Algumas capitais do Brasil que já tinham sua baixa gastronomia bem difundida, como é o caso de Salvador, com as baianas e seus acarajés, agora passam a ter mais um motivo para tornar seus quitutes deliciosos mais conhecidos.

A categoria baixa gastronomia vem sendo reconhecida a cada dia que passa como uma importante base de cultura alimentar e em breve deverá ocupar seu espaço de modo definitivo. Ainda há muito a fazer para que os trucks possam circular pelas cidades e estacionar em lugares assistidos com infraestrutura para vender seus produtos, mas estamos no caminho. A história da alimentação ganha mais uma categoria que faz a diferença no dia a dia das pessoas, afinal, não é todo dia que se pode comer lagosta ou caviar.

Viva a diversidade, viva a baixa gastronomia!

texto – Marcelo Santos
*Marcelo Santos (chefmarcelosantos@gmail.com) é chef de cozinha, professor de gastronomia, consultor de alimentos e bebidas e escritor e escreve para o site INFOOD às quartas-feiras

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