A cozinheira Giovanna Grossi, depois de ganhar a etapa Brasil e a Latino América do concurso Bocuse d’Or – primeira mulher da história do concurso a ganhar essas etapas, disputa nos dias 24 e 25 de janeiro a grande final do concurso, que acontece em Lyon, na França.

Essa alagoana de 24 anos tem feito um treinamento bem intenso e rigoroso desde março de 2015 com o chef Laurent Suaudeau, Presidente do Concurso Bocuse d’Or no Brasil, que acompanha de perto os treinos que acontecem dentro da sua escola, a Escola Laurent Suaudeau, em São Paulo. “Treinamos 6 vezes por semana, das 7h às 21h, muitas vezes sem pausa nem para um café. E no sétimo dia da semana separamos as receitas para os outros seis”, explica Giovanna.

Dentro dos dois temas definidos pela organização do Concurso Bocuse d’Or na França – 1) Volaille de Bresse aux écrevisses e 2) Legumes sem nada de proteína animal – as receitas que serão apresentados pela equipe do Brasil são: “Mosaico de Frango de Bresse ao molho Homardine” e “Aquarela de legumes do Brasil”, exaltando dois vegetais brasileiros que Giovanna adora, a mandioquinha e o jiló.

Sobre a Giovanna, Laurent só tem elogios: “A Giovanna é uma profissional disciplinada, obstinada e está sempre na busca da perfeição. Estas qualificações são muitos raras num profissional da idade dela”.

Em entrevista exclusiva à INFOOD, destaca-se a dedicação e o empenho que essa jovem cozinheira tem, além da grande paixão por sua profissão.

Giovanna fez um treinamento intenso com o chef Laurent Suaudeau na Escola Laurent Suaudeau, em São Paulo

 

 Quando e como você descobriu que seria uma cozinheira?

Sempre gostei muito de cozinha. Meu pai tem restaurantes, meu irmão é chef de cozinha na Europa, acho que é uma tradição familiar… Sempre adorei comer, provar ingredientes, coisas novas. Quando viajo, provar a cultura gastronômica de cada lugar é minha vontade numero um!

Qual é o sentimento de estar na final do Bocuse d’Or? E quais as suas expectativas?

Para dizer a verdade, estamos treinando tanto que nem me dei ao luxo de pensar muito nisso. Brigam até comigo que tenho que aproveitar o processo, mas sou bastante perfeccionista me cobro muito e de nossa equipe também. A expectativa é mostrar nosso melhor trabalho. Melhor que no Brasil ou no México. Surpreender. Vou ficar muito feliz se fizer isso. Não seremos um coadjuvante entre os países tradicionais….

Você já sentiu algum preconceito na cozinha por ser mulher ou isso não existe mais?

Ainda existe muito preconceito de mulher na cozinha profissional sim, principalmente fora do Brasil, onde trabalhei alguns anos. Eu, particularmente, nunca tive grandes problemas. Na minha opinião, o importante é sempre demonstrar que veio para aprender, a fazer o melhor, não importa o gênero ou nada disso. A cozinha é lugar para quem quer batalhar. Se mostrar isso, não existe preconceito. Além disso. o Brasil é um pais onde as mulheres se superaram muito na cozinha, vide a Roberta Sudbrack, a Helena Rizzo, a Mara Salles, a Janaína Rueda, entre outras….

Quais as características que um jovem deve ter para se dar bem trabalhando numa cozinha?

Curiosidade, proatividade, muita dedicação…

 Que conselhos daria para aqueles que pretendem entrar na área da gastronomia?

O de sempre: estudo, dedicação,  experiência dentro e fora do país.

Você cursou gastronomia na Anhembi Morumbi. O aprendizado na sua profissão vem da faculdade ou é adquirido na prática?

Acho que tudo conta. É um processo, uma evolução. Experiência é o mais importante, mas se não tem uma boa base, não se chega a lugar algum.

Na gastronomia, quem são suas referências / seus mestres?

O Laurent certamente é uma inspiração para mim, ele me ensina muito e é o melhor mentor que poderia ter para o concurso! Além dele, Claude TroisgrosRoberta Sudbrack, Onildo Rocha, falando só aqui no Brasil. Fora, tem o mestre Paul Bocuse, o Quique Dacosta, a Anne-Sophie Pic.

Você é ainda muito jovem. Quais são os seus planos para o futuro? Pretende abrir um restaurante seu?

Ainda é muito cedo para falar nisso. Quero primeiro mostrar um bom trabalho no concurso, depois aproveitar umas pequenas férias. Agora é foco total, depois penso melhor nisso. Sempre quis ter meu restaurante, para poder mostrar meu trabalho. Quem sabe um dia...

O que gosta de fazer no seu tempo livre?

Ultimamente, estudando para o concurso! Adoro café, queria fazer um curso de barista para entender mais sobre este universo incrível.

 

Por Redação

Fotos: Felipe Aranha e Divulgação

 

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