Tinha tudo para ser somente o maior festival de rock do mundo em sua 17° edição (sua primeira foi em janeiro de 1985). Excepcionais músicos de todo o planeta e a aposta de um time de peso de profissionais brasileiros na gastronomia no Rock in Rio 2017 para elevar o patamar do evento. Foi isso e muito mais.

Números que impressionam

Foram 98 horas de música, mais de 500 atrações para um público de 700 mil pessoas. Para isso, foram usados 30 mil kW de energia elétrica (que poderiam iluminar uma cidade com 50 mil habitantes), 1 milhão de watts de som (sendo o maior sistema de som já montado no planeta), 120 km de cabos, 80 mil m² de grama sintética (equivalente a 8 campos de futebol), 10 mil toneladas de equipamentos.

Rock in Rio é o maior festival de rock do mundo

Dentro deste mundo da música, tive a oportunidade de acompanhar a operação do Ateliê Benoliel, comandada por Pedro Benoliel, chef com maior número de cozinhas dentro do evento (7 no total – uma central e 6 de apoio) espalhadas por toda área do festival, com 150 colaboradores.  Responsabilidades que se dividiram em 1.200 refeições para os funcionários do evento, a cobertura da sala de imprensa com 500 pessoas, durante 12 horas, e 1.000 refeições para o palco mundo. E não para por aí!

Gourmet Square

Pedro assinou uma noite do cardápio do House of Food no camarote da Heineken e comandou ainda 3 restaurantes: o Feijú do Benola, Pedro Benoliel e Botero (pertencente a um amigo, e que Pedro resolveu levar para o Festival).

Gourmet Square, área destinada à gastronomia, com mil metros quadrados

Tudo isso numa área do festival dedicada à gastronomia, o Gourmet Square.  Com mil metros quadrados e cerca de 500 lugares sentados, o ambiente climatizado foi inspirado no famoso Mercado da Ribeira, de Portugal, e contava com 14 bares e restaurantes no total.

Em um lugar onde muitos esperavam apenas um lanche para reabastecer as energias, o sanduíche de bife à milanesa, salada e creme de queijo trufado no pão ciabatta, e o peito de boi “Bourgunhão”, batata calabresa salteada com paio e ervas frescas fizeram parte do cardápio apetitoso dos restaurantes do chef, além do delicioso Sanduíche Roastbeef (abobrinha, beringela, tomate seco, queijo, pesto e salada no pão ciabatta), transformando o que poderia ter sido uma refeição rápida, em algo prazeroso e surpreendente.

Os 14 bares e restaurantes da Gourmet Square

Tudo feito em cozinhas dentro de containers refrigerados e equipados com o que há de mais moderno para a gastronomia. Fogões elétricos, máquinas a vácuo e fornos combinados garantiram uma operação precisa e grandiosa. Sua equipe de coordenadores parecia ocupar o tempo todo os 300 mil m² do Rock in Rio. Foram 7 dias, 8 operações, 12 toneladas de comida e 80 mil refeições preparadas por uma equipe que chegava totalmente disposta às 7h da manhã, sem hora certa para sair e começar tudo de novo no dia seguinte.

Área de atendimento de uma das operações de gastronomia

Os colaboradores

Esses contavam na cozinha central com Assis, um chefe que, entre chamadas no rádio e a constante circulação entre as seis outras cozinhas, administrava as produções junto aos seus cozinheiros; uma incansável nutricionista que acompanhava atenta a todos os movimentos, com alto nível de concentração e conhecimento técnico datando, medindo e classificando absolutamente toda a produção.

Cozinha Central dando apoio para seis outras cozinhas

Outra peça vital nesta engrenagem foi a profissional da área de Alimentos e Bebidas, em constante contato com os citados profissionais para que não houvesse um minuto sequer de atraso nos pedidos. Comandar as compras em uma operação dessa magnitude é praticamente ter que prever o futuro. Quando se tem anos de experiência e uma alta capacidade de gestão, o impensável torna-se rotina.

 80 mil refeições preparadas pela equipe durante o festival

A calma e profissionalismo observados nestes dias é extremamente condizente com a competência de todos os envolvidos. Todas as conversas que tive com esse grupo foi em movimento. Literalmente. A incrível Monique Benoliel (que tive o prazer de conhecer e também admirar), o alto astral permanente do Pedro (que convivia paralelamente com uma constante concentração e percepção de tudo que estava ocorrendo na sua operação). As incontáveis perguntas que fiz para as perseverantes Patrícia Munk, (responsável pelo AeB) e para Stefannie Gschliffner (responsável pela produção). A concentração impecável da nutricionista Larissa Katayama…
Todos em uma sincronia singular. A simpatia e presteza de absolutamente todos os 150 colaboradores da equipe, sempre com um sorriso no rosto. Foi um evento memorável! Pelas pessoas, pela comida e pela música.

Containers refrigerados dão suporte à operação de alimentos e bebidas do evento

Fica claro que a gastronomia é muito mais do que o simples ato de encostar a barriga no fogão. Todos os profissionais envolvidos e todas as habilidades técnicas de um chefe de cozinha (que nada mais é do que um grande gestor) foram colocadas à prova. E Pedro Benoliel demonstrou de forma prática como sua formação tecnológica, aliada a uma vasta experiência, forja um profissional com alta capacidade.

Sanduíche de rosbife, uma das opções do cardápio

Com chave de ouro

Ao final deste grande evento, algumas constatações podem ser feitas. O Rock in Rio também foi palco de discussões sobre a defesa do meio ambiente, quando a Gisele Bündchen deu início ao Festival, lançando o projeto mundial Believe Earth, que a organização do evento apoia e conseguiu doar cerca de 3 milhões de árvores para a Amazônia; abriu caminho para refletirmos sobre as leis que regem a vigilância sanitária de nosso país e o papel dos microprodutores rurais na economia e gastronomia nacional, quando nem todos estavam de acordo com a lei vigente que deve não só ser revisada como discutida; e fez história, quando levou não só grandes artistas, como também, tantos excepcionais trabalhadores para realizar esse evento. Tudo isso em 7 dias.

A gastronomia também é destaque no Rock in Rio 2017

 

Por Gustavo Guterman
Fotos Gustavo Guterman

*Gustavo Guterman é Pós Graduado em Gestão em Segurança dos Alimentos pelo SENAC SP, Graduado em Gastronomia no centro de formação internacional Alain Ducasse Formation, Técnico em Cozinha pelo SENAC RJ. Experiência no mercado profissional, em cozinhas nacionais e internacionais, atuando como cozinheiro e chefe de cozinha em renomados estabelecimentos do segmento de alimentação e bebidas. Atualmente atua como coordenador de Gastronomia do Instituto Federal Fluminense. Professor nos cursos de Gastronomia e Hotelaria na citada instituição, exercendo consultorias e palestras na área. É também autor do blog (e página) Guterman Gastronomia, que tem por objetivo a divulgação de ideias, artigos e noticias sobre o mundo da gastronomia.
https://gutermangastronomia.wordpress.com
https://www.facebook.com/pg/gutermangastronomia/

 

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