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Conversamos com o presidente da Abrasel/SP, Percival Menon Maricato, sobre a dificuldade que os restaurantes têm em contratar para suas cozinhas. Na visão do executivo, é fundamental que se faça uma reforma da legislação trabalhista para garantir que o funcionário tenha um ganho maior ganho sem penalizar os donos dos restaurantes com um aumento de encargos.

Quando pensamos na qualificação, vivemos um ciclo perverso, onde os funcionários treinados acabam buscando novas posições no mercado. “Muitas vezes o empresário não investe no funcionário, porque você investe nele e depois ele acaba se mudando para o restaurante vizinho. Você manda o funcionário fazer um curso na Europa e quando ele volta ele vai ser disputado por seus concorrentes. Aí, quem pagou o curso, acaba, ao invés de sair ganhando, sai perdendo”, explica Percival.percival-maricato-presidente-da-abrasel-em-sao-paulo_2

A dificuldade de encontrar mão de obra qualificada na gastronomia se dá em função do Brasil não ter uma cultura de longa data na alta gastronomia. Nosso mercado é muito jovem: “Então é natural que não haja pessoas tão preparadas como se tem na Europa”, afirma Percival .

Um dos fatores que atrapalha o setor hoje é a glamourização da profissão. “O que é mostrado na televisão não tem nada a ver com a realidade. O lado glamouroso que é apresentado serve para vender fantasia. A verdade é que a profissão é difícil, é dura, exige muita dedicação”.

O presidente da Abrasel SP acredita que uma mudança na legislação atual poderia ser uma solução. “Uma reforma trabalhista que permita pagar melhor o funcionário por mês sem que haja outros encargos, estimulando a permanência  no emprego“.

 

Por Redação
Foto Divulgação

 

 

Uma ideia sobre “A atual legislação trabalhista estimula a rotatividade nos restaurantes”

  1. Concordo! Precisamos sim de reformas trabalhistas, assim como precisamos unir de verdade a categoria, que hoje sequer tem algum tipo de reconhecimento, segundo o rol de profissões na lei e perante o Ministério do Trabalho, somos apenas cozinheiros, não que isso seja ruim, mas, nos classifica por baixo.
    Além das mudanças legislativas, que já seriam de grande ajuda, empresas, empresários, administradores, órgãos de fiscalização, escolas, faculdades, universidades e profissionais autônomos, deveriam entender o que na verdade “rola” no mercado, hoje se contrata um cozinheiro por no máximo R$ 1.280,00, se oferece o básico como benefício, isso quando se oferece não se treina esse profissional, não se tem planos de carreira, não se estimula a querer subir na carreira, muito menos a estudar, justamente porque se tem medo que ele vá para a concorrência, ora, então se esta é a razão da falta de todos estes possíveis estímulos, porque não estrutura-los como parte do seu plano de negócios, para evitar um custo irrecuperável com a rotatividade? Este custo é no mínimo três vezes maior do que juntar todos os estímulos e transforma-los num plano estruturado, onde se fixa funcionários em uma equipe e elimina-se o turn over. Digo sempre aos meus clientes, antes de trocar ou deixar um funcionário escapar por entre os dedos, veja o que aconteceu, modifique hábitos empresariais negativos e ouça o que quem está querendo ir embora tem a dizer, você vai descobrir que não é apenas salário.

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