A agricultura familiar é tida como uma forma de se produzir orgânicos sem uma certificação. Através de uma OCS (Organização de Controle Social), vários produtores se unem com o mesmo propósito, e assim conseguem produzir alimentos orgânicos e vender para o consumidor final.

A agricultura familiar tem dinâmica e características distintas em comparação à agricultura não familiar. Nela, a gestão da propriedade é compartilhada pela família e a atividade produtiva agropecuária é a principal fonte geradora de renda.

Além disso, o agricultor familiar tem uma relação particular com a terra, seu local de trabalho e moradia. A diversidade produtiva também é uma característica marcante desse setor.

A Infood conversou com Silvio Lopes, produtor orgânico de uma unidade da OCS em Cajamar, estado de São Paulo.

Bananeira orgânica da unidade de Jarinu/SP – OCS Cajamar

INFOOD – Que produtos vocês produzem?

SILVIO LOPES  – Temos produção de toda a linha de folhas, caqui, banana, pêssego, mandioca, mexerica, poncã, laranja, batata. Além de legumes e hortaliça, tem também a produção animal primária, como mel de abelha, leite de cabra e de vaca.

INFOOD – Como vendem seus produtos?

SILVIO – Nós, produtores orgânicos da OCS de Cajamar, só podemos vender para o consumidor final. Vendemos através de chamamentos de prefeituras de regiões próximas a Campinas, através de feiras e quiosques que temos convênio, e também vendemos em organizações de consumo de Alphaville, Santo André e Jarinu. Alguns restaurantes e cozinhas industriais que são consumidores finais também estão comprando de nós.

INFOOD – Como funciona a OCS Cajamar?

SILVIO – Atualmente temos 32 unidades de produção de orgânicos de Cajamar. O nosso propósito é produzir produtos orgânicos.

Mas estamos no processo de uma certificação de auditoria, para que possamos passar a revender para supermercados.  A ideia, com a certificação, é abranger mais regiões.  

Silvio Lopes acompanhando o trabalho da unidade produtiva de Jarinu

INFOOD – Como está sendo esse processo de certificação?

SILVIO – Demora cerca de três anos para o Ministério da Agricultura certificar. O Ministério faz todas as visitas técnicas, é preciso um acompanhamento de um engenheiro agrônomo, e através desses relatórios técnicos é que vem a certificação, o registro. É um processo bem demorado e criterioso. 

INFOOD – É difícil ter uma produção orgânica? O que diferencia da produção tradicional?

SILVIO – Trata-se de uma questão de manejo. Quando a terra é virgem, não teve exposição a nenhum produto, ela é só tratada com compostagem e manejo orgânico normal. Agora, se a terra foi exposta a produtos, ela precisa de uma recuperação, principalmente no que diz respeito aos micro organismos necessários. Ela vai precisar passar por um processo de recuperação e conversão.

INFOOD – Você sempre produziu orgânicos ou fez uma conversão?

SILVIO – Nós sempre produzimos orgânicos, desde o início tivemos a prática orgânica. Mas existe uma grande dificuldade de conversão da terra convencional para o orgânico. Há uma queda do faturamento do produtor, pois ele tem que parar de produzir o convencional . E até ter uma capacidade produtiva que gere renda, é bem demorado. Acaba sendo sofrido para o produtor e sua família.

Colheita de escarola orgânica da OCS Cajamar

INFOOD – Você consome produtos com agrotóxicos ou só orgânicos?

SILVIO – É difícil consumir somente orgânico. Se o seu filho te pede uma maçã para comer, muitas vezes você só encontra uma maçã convencional. Mas é muito pouco de convencional que consumo. E, tudo aquilo que a gente produz, nós consumimos. 

INFOOD – Existe diferença entre o produto convencional e o orgânico?

SILVIO –  Sim, a diferença de gosto é absurda. Nós que estamos acostumados a consumir o orgânico, sentimos muita diferença: tem diferença no gosto, no cheiro… Por exemplo, uma banana orgânica, só de descascar, você já sente diferença. Isso sem falar na durabilidade: se você comprar um cacho de banana orgânico e um de convencional, e deixar um do lado do outro, o convencional estraga muito antes.

INFOOD – Quais as maiores dificuldades que os produtores orgânicos enfrentam?

SILVIO – São várias. Temos como dificuldade colocar o produto no mercado, estabelecer uma relação custo/beneficio que nos dê retorno. Isso porque produzir orgânicos demora mais. Um pé de alface orgânico não sai do canteiro com menos de 70 dias, enquanto que  o convencional sai em 30 dias. E mesmo assim, quando colocamos o nosso produto no mercado, nós não conseguimos colocar muito sobrepreço. Nem sempre tem a paga justa pelo que produzimos. É difícil sobreviver, estamos sempre na luta.

Canteiro da produção de alho orgânico da OCS Cajamar

INFOOD – O que têm feito para melhorar essa situação?

SILVIO – Estamos nos organizando e nos planejando na busca por organizados de consumo, espaços em feiras orgânicas, estamos organizando feiras orgânicas no nosso município. E procurando pessoas interessadas em nossos produtos, como restaurantes, hotéis, cozinhas industriais.

 

 

Por Redação

Fotos: Divulgação

 

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