A cada final e início de ano, contamos com materiais de pesquisas que nos indicam o que foi e o que será tendência na alimentação e, consequentemente, no mercado. Como exemplo, podemos citar o material desenvolvido pela National Restaurant Association “What´s Hot 2017”, que nos informa as tendências da alimentação e, como consequência, dos cardápios para o ano seguinte.

O projeto “Brasil Food Trends 2020”, conforme explicado pela organização, é constituído por três etapas principais: 1. publicação (com base nos fatores de demanda), 2. Pesquisa Nacional Fiesp/Ibope sobre o perfil do consumo de alimentos no Brasil e 3. Grupo Estratégico do Brasil Food Trends (grupo formado por empresas, executivos, entidades que representam o setor, governos e consumidores, entre outros); e o relatório do último ano de 2016 desenvolvido pela ABIA – Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, que fornecem dados da Indústria no ano mencionado.

Basta uma rápida consulta aos materiais citados para notar que, o mais que aparece dentre as tendências mundiais, são os temas que hoje norteiam o setor de alimentos e bebidas: a saudabilidade e bem-estar, a busca pelo prazer e pelo sensorial gastronômico, a conveniência e a praticidade na alimentação, a confiabilidade e qualidade e a sustentabilidade e ética.

Hoje, ao olhar para o mercado, conseguimos cada vez mais enxergar a crescente desses drivers nos estabelecimentos. Muitos estão se adequando, uns mais rapidamente que outros, mas, em especial, a maioria dos novos empreendimentos já nasce com essa proposta. Alguns já trabalham nessa tendência há algum tempo, sem tanta divulgação e repercussão dessa escolha como hoje.

Nas grandes metrópoles, conseguimos encontrar todos eles. Desde casas e empresas que utilizam produtos vindos direto do produtor, que zelam pelo “encurtamento” da cadeia, proporcionando uma maior aproximação em todo o ciclo de acesso e de conhecimento do produto, a ênfase aos orgânicos, aos integrais, até estabelecimentos que unem isso – ou não – à oferta de pratos isentos de algum determinado nutriente, ou com redução deles. A lista é infinita.

O que podemos concluir é que o mercado – em especial nas grandes metrópoles -, atendendo essa demanda, nos oferece diversas opções de alimentação. Como benefício, além de uma gama maior de opções de empreendimentos, temos cada vez mais acesso às informações, o que nos dá – dentro do poder de compra de cada um – muitas opções de escolha do que comer e onde comer.

O driver “Confiabilidade e Qualidade” garantem ao consumidor, ainda, o conhecimento da origem do produto, de suas informações precisas e de sua qualidade (garantia de origem, selos de controle de qualidade, entre outros). Restaurantes que atuam na tendência mundial de saudabilidade podem – ou não – associar a conveniência e praticidade, que é mais comumente ligada aos pratos prontos para consumo.

Exemplos no grande mosaico paulistano dessas vertentes são os restaurantes Le Manjue, Simplesmente Co., Casa Raw, Nattu, Nambu, Chef Vivi, Bio, Tuju, Tordesilhas, Maní, entre outros. Claro, cada um deles com suas individualidades e particularidades.

Unindo a conveniência, temos algumas casas mas, em geral, temos supermercados especializados e grandes redes já com setor exclusivo para atender essa crescente demanda. Inclusive, a indústria alimentar.

Em comum, uma forte tendência em atender, cada vez mais, os valores éticos da alimentação, a qual preza pela busca por alimentos sazonais, respeitando sua cadeia produtiva, pela preservação das espécies, pela transparência do mercado com o consumidor, do respeito pelo produtor e por todo o ciclo que envolve esse processo de produção, o respeito e a luta pelo nosso ecossistema.

Vale mencionar que esses movimentos não são novos, mas sim antigos. Podemos citar Carlo Petrini, com o movimento Slow Food, os diversos profissionais de cozinha que lutam há anos pela ética alimentar, que consiste essencialmente na preservação das espécies, na consciência alimentar, no conhecimento e na preservação dos biomas.

Os frutos que começamos colher agora são frutos desse movimento que partiu por meio da liderança de diversos profissionais da gastronomia e de sua brigada que, dentro de seus estabelecimentos espalhados pelas cidades do Brasil e do mundo, passaram a lutar e a divulgar essas informações, levando o conhecimento a um número cada vez maior de pessoas.

Sem levantar nenhuma bandeira de estilo alimentar, finalizo dizendo que esse resgate de conceitos e técnicas ancestrais, o retorno do contato do homem com a natureza e o respeito e conhecimento do ecossistema fazem com que nossa gastronomia evolua cada vez mais, aliando o conhecimento de novas tecnologias e as pesquisas recentes à valorização do produto, oferecendo aos mais novos, conhecimentos que se perderam diante das mudanças mundiais, como os meios de sustentabilidade em geral, a sazonalidade dos produtos, as formas de cultivo, e a busca pela saúde e pelo bem-estar físico e mental.

Escolha sua(s) tendência(s), busque o melhor produto, faça seu prato e deguste com prazer e consciência!

 

Referências:

What´s Hot 2017 – http://www.restaurant.org/News-Research/Research/What-s-Hot

Brasil Food Trends 2020” – http://www.brasilfoodtrends.com.br/Brasil_Food_Trends/index.html

Relatório Anual ABIA – 2016 –http://www.abia.org.br/vsn/temp/z2017417RELATORIOANUAL2016.pdf

 


Camila Landi
Camila Landi é coordenadora e Professora de Gastronomia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, consultora gastronômica e membro do conselho editorial do site Infood.

 

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