Pedagoga por formação, Regina Esher se encontrou na cerâmica há mais de 30 anos. Após o nascimento dos seus quatro filhos, a ceramista deixou o ofício de professora para se dedicar à nova atividade. O relacionamento com a cerâmica, embora seja muito gratificante, requer bastante cuidado: “A cerâmica é muito ingrata: você faz uma peça e até finalizá-la, você pode perdê-la durante o processo. Você acaba aprendendo a lidar com as perdas”, afirma Regina.

Apesar de também fornecer peças de cerâmica para lojas, a maioria de seus clientes são restaurantes e hotéis. O Le Vin, o hotel Hyatt e o hotel SENAC são alguns dos nomes inclusos em sua lista. Para o restaurante, inclusive, Regina desenvolveu um tom de azul que passou a ser chamado por ela de “azul Le Vin”. Todos os seus alunos – sim, ela também encontra tempo para dar aulas em seu ateliê – também reconhecem a cor do esmalte por esse nome.

A INFOOD foi até o ateliê da artista para conversar a respeito do seu trabalho – principalmente voltado para a área de restaurantes, e saber o quanto a cerâmica pode acrescentar a um empreendimento gastronômico.

REGINA_ESHER_4Regina em seu ateliê – onde passa a maior parte de seu tempo

 

INFOOD – Regina, como começou o seu gosto pela cerâmica ?

REGINA ESHER – Apesar de minha formação ter sido em pedagogia, quando comecei a ter os meus filhos tive que parar com o magistério para cuidar deles. Nessa época, comecei a fazer vários cursos e me identifiquei com a cerâmica. A cerâmica é algo muito de tato, de energia. Se você vem, senta naquele torno e se identifica, você não larga nunca mais. Eu tenho mais de 30 anos de experiência com isso e vejo que, através da cerâmica, várias pessoas modificam a sua maneira de agir, se desprendem um pouco mais. A cerâmica é muito ingrata: você faz uma peça e até finalizá-la, você pode perdê-la durante o processo. Você acaba aprendendo a lidar com as perdas. A cerâmica te dá muito retorno: a satisfação de você ver a peça crescendo é muito gratificante. Mas ela é cuidadosa, você tem que trabalhar com carinho. A cerâmica é um trabalho que me faz sentir bem. Eu moro no Pacaembu – mas aqui  é onde eu mais fico. E me sinto muito bem.

INFOOD – Com quem você aprendeu  a técnica da produção da cerâmica?

REGINA – Você aprende fazendo (risos). É uma coisa que você tem que sentar e centrar.

INFOOD – Quais são os utensílios de mesa mais usados na cerâmica?

REGINA – São os pratos. Ainda não chegamos lá em relação aos copos. O que as pessoas mais levam são os pratos diferenciados: prato para risoto, para ostra, para escargot, para comer suflê. Você então desenha esse prato para o cliente, e ele vai dar o “sim” ou “não”. 


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“A cerâmica é algo muito de tato, de energia”

INFOOD – Você dá suporte na substituição e peças danificadas? Existe algum acordo já pré-estabelecido?

REGINA – Não. Eu fico feliz quando eles pedem para substituir. Essas peças todas podem ir no forno, mas não no fogo direto. De toda forma, geralmente quando o restaurante pedia algumas peças específicas, por exemplo, eu fazia mais, porque algumas acabavam quebrando depois. 

INFOOD – Quando você está criando uma peça, o que pesa mais: a utilidade e segurança, ou a beleza?

REGINA – Tudo isso junto. Mas é um processo -sempre que possível – em conjunto: a gente elabora a ideia e conclui junto com o restaurante. Nós temos reuniões, e às vezes eles têm uma ideia e acabam levando outra. Ou, em alguns casos, acabo acatando a ideia deles.

INFOOD – Você pode contar um pouco a respeito das etapas do processo de produção?

REGINA – A massa, quando compro, já vem beneficiada. Ela já vem num pacote, bonitinha. Quando é produção, geralmente as massas são brasileiras. A partir do desenvolvimento do que projetamos de uma peça, vou verificar quanto eu usei de argila. Preciso saber quanto vai custar para mim, antes de falar o preço para o cliente. Aí eu vejo se essa peça realmente está nos padrões que discutimos, para sofrer um polimento. Ela tem um acabamento e vai diminuir de 15 a 18%. Temos a perda da água, do volume, do conteúdo, do peso. Tudo isso tem que ser somado. A partir daí, a peça vai para a secagem, para a primeira queima (que se chama “biscoito”) e depois a esmaltamos. A última queima acontece em alta temperatura:  a 1240ºC.

INFOOD – Você trabalha com algum número máximo de encomendas ?

REGINA – Não. Trabalho com o que chega. Se o restaurante diz que quer 200 pratos, eu mando ver. Tenho suporte de três fornos grandes, que me dão um respaldo muito bom. Eles são importados, computadorizados. Isso me dá uma certa tranquilidade.

INFOOD – Você já fez alguns trabalhos para restaurantes? Pode falar dos seus principais trabalhos?

REGINA – O Francisco, dono do Grupo Le Vin, pediu que eu desenvolvesse um prato de ostras e outro de escargots para o restaurante da Alameda Tietê. Depois fiz um de sopa. E o contato com esse restaurante surgiu de um cartão, provavelmente de alguma feira da qual eu participava. Ele ligou, disse que queria conversar comigo e essa parceria aconteceu por vários anos. Eu desenvolvi uma cor para eles, que é o azul a qual dou o nome de “Le Vin”. Para cada parte de encomendas eu tinha que desenvolver um esmalte que solucionava o problema que eles haviam solicitado. Então esse era o azul deles. Eu criei o “azul Le Vin” e criei esse prato e deste prato eu fiz forma. Surgiu também o hotel Hyatt, quando foi inaugurado em São Paulo. Desenvolvi para eles a primeira louça da cozinha americana do hotel deles aqui. Fiz outro trabalho também, para o hotel SENAC em campos do Jordão. Fiz toda a parte de louça da pizzaria deles, há 2 anos. 

Regina Esher - LE_VIN
LE_VIN_BISTRO_LOGO
LE_VIN_BISTRO_AMBIENTEO prato de ostra desenvolvido por Regina para o Le Vin

INFOOD – As peças em cerâmica são caras? É possível fazer uma relação entre custo e benefício?

REGINA – Sim. É que eu não cobro caro (risos). Mas são peças que não são industrializadas, sempre diferentes uma das outras. A peças são feitas uma a uma. Se fossem industriais, teríamos uma possibilidade de viabilizar os preços. Digo que a cerâmica para restaurante é uma cerâmica personalizada. E tudo o que é personalizado acaba tendo um custo muito maior.

INFOOD – Nos últimos anos, a cerâmica ganhou espaço nas mesas dos restaurantes. Você concorda com isso ? Ou foi sempre assim?

REGINA – Houve uma crescente, e está cada vez maior. Todos esses grandes chefs chamam o ceramista para fazer o prato para uma determinada comida. O cozinheiro quer um prato que vai complementar o alimento que fez. Acho isso muito interessante. 

INFOOD – Você acredita que pratos de cerâmicas artesanais feitos sob medida para um restaurante dão mais identidade ao estabelecimento, valorizando-o? 

REGINA – Não resta dúvida! 

INFOOD – Além do segmento de gastronomia, você trabalha também para outros setores? Quais?

REGINA – A grosso modo, a parte que mais me deu desenvoltura aqui no ateliê foi relacionada a restaurantes e hotéis. Mas também trabalho, por exemplo, com lojas. 

INFOOD – Em seu ateliê,  você também dá aulas de cerâmica ?

REGINA – Sim. Acho legal a produção, mas dar aula está em mim. Geralmente as pessoas procuram a aula de torno, e nessa aula eu trabalho com uma lateralidade, com o perfil da pessoa naquele dia. E o torno não é um aparelho muito fácil, você tem que administrar esse trabalho. São quatro alunos por aula.  Além disso eu também promovo cursos aqui. Atualmente dou cursos de serigrafia e de impressão na cerâmica.

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Regina Esher Cerâmica

Rua Kansas, 1348 – Tel. (11) 5103-16
reginaesher@gmail.com
https://www.facebook.com/reginaesherceramica

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Por Vinícius Andrade
Fotos: Lays Riello

2 ideias sobre “Cerâmica personalizada dá identidade para seu restaurante”

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