Degustações, feiras internacionais, master class de regiões vinícolas, degustações orientadas, jantares harmonizados e muitos, muitos outros eventos de vinhos. Os profissionais do setor são constantemente expostos a diversos eventos, sendo que muitos acontecem no mesmo dia e, por vezes, no mesmo horário, forçando-os a uma difícil escolha baseada em pequenos detalhes que podem ser de acordo com o que buscam no momento –  para sua evolução profissional ou para uma nova proposta para o estabelecimento ao qual trabalha. Seja qual for o motivo, a decisão de participar de determinado evento deve ser criteriosa. Fica difícil comparecer e acompanhar todos os eventos. Para os iniciantes – aspirantes a sommeliers ou sommeliers recém-formados, há aquela frustração de participar a “toque de caixa”, aproveitando muito pouco o evento propriamente em si, bebendo em volume – taças e mais taças – para não perder um gole sequer do que está sendo oferecido em detrimento da qualidade. Mas, como acompanhar e participar de tantos eventos assim?

O setor de vinhos, de forma sólida, vem crescendo constantemente e necessita dessa agenda de eventos, criada pelas importadoras, produtores e por muitos especialistas em vinhos de todo o território nacional. O vinho é um produto diferenciado e faz-se necessário educar o paladar dos consumidores e dar oportunidade para os profissionais do setor poderem conhecer e degustar os rótulos que estão chegando ao Brasil. O mercado de vinhos não é cartesiano e, assim, a cada dia aprendemos e descobrimos algo novo. Os eventos, também, ajudam as importadoras, produtores, lojas e distribuidores a promover seus rótulos, coletar  feedback do mercado em relação a seus produtos sem onerar seus investimentos para as ações de marketing.

Donos de restaurantes, gerentes de A&B, aspirantes a sommeliers e até sommeliers com longa experiência sofrem com a falta de orientação de como se comportar e conduzir suas ações durante esses eventos. Mas, será que há um processo ou um roteiro a ser seguido? De qualquer forma, um planejamento se faz necessário, pois os eventos – principalmente os maiores – estão repletos de expositores e cada um com diversos rótulos. Tenho percebido, ao longo dos meus 10 anos de experiência, que a maioria dos empresários do setor de Alimentos & Bebidas e alguns profissionais do trade compartilham de um sentimento de frustração, por não conseguirem lidar com esse grande volume de eventos e ofertas, ou por se depararem com outros visitantes que, por desconhecimento, acabam atrapalhando e inviabilizando que estes profissionais usufruam de tais oportunidades.

Deve-se atentar e não esquecer que a mucosa – o palato – cansa com a ingestão excessiva de álcool e de vinhos mais intensos, assim como acontece com alguns insumos na gastronomia. Quando iniciamos uma refeição, começamos com alimentos e bebidas mais leves e no decorrer da alimentação, precisamos de alimentos e bebidas mais intensos para que, mesmo, com a perda gradativa do paladar, ainda possamos perceber as características da comida e da bebida. Numa degustação ou em eventos como as feiras de vinhos, o volume de álcool ingerido pode ser tanto que não é só o paladar que vai cansando, mas o ser humano também vai perdendo sua capacidade cognitiva e a sobriedade para continuar degustando.

A chave para o sucesso é, justamente, realizar um planejamento prévio. Deve-se preparar com antecedência para traçar o roteiro de como conduzir sua visita em determinado evento. É importante ressaltar a necessidade da etiqueta  – provar os rótulos, tirar dúvidas e conversar com os expositores sem ficar atrapalhando o acesso ao stand de outros profissionais. Sem um planejamento, realmente, é enlouquecedor, tornando inviável percorrer e aproveitar as degustações e feiras de vinhos em sua plenitude.

Vivemos num mundo globalizado e repleto de muita informação. Assim, é natural que tenhamos muitas opções de eventos, feiras e degustações aqui no Brasil, pois nosso país é um dos maiores importadores de vinhos do mundo, não só pelo volume, mas também pela variedade de rótulos que chegam em solo tupiniquim. Somos ainda um país jovem no mundo enológico, com um mercado em franca expansão e um crescimento exponencial registrado nos últimos anos. Desde 2002, o mercado brasileiro de importados cresceu 308% em volume e 488% em valor, impulsionado pelo crescente interesse do brasileiro pelo vinho. Recentemente, estamos vendo um trade down, que é uma ligeira queda nas importações, porém, em momentos de crise, não se bebe menos vinhos como muitos imaginam, mas se gasta menos por garrafa. O Brasil é o país que mais aprende sobre vinhos no mundo, desde produção até degustação e consumo da bebida, e isso vai ao encontro do trabalho árduo e a dedicação ao negócio que o Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho – vem realizando frente ao vinho nacional.

Vou me despedindo por aqui. Nos vemos no próximo texto. Saúde!

Texto – Rafael Puyau
 *Rafael Puyau (contato@rafaelpuyau.com.br) consultor-Sommelier com formação em enologia pelo Centre de Formation Professionnelle et Promotion d’Aude (CFPPA) em Narbonne, Sul da França é formado em sommelier pelo Instituto de Vinhos da Argentina. Certificado nível 3 pela Wine and School Education Trust (WSET), escola de vinhos de Londres e consultor empresarial pela Faculdade Arthur de Sá Earp (FASE) em Petrópolis. 
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