Quando se planeja o lançamento de um novo restaurante, é muito importante avaliar a ideia e o conceito que se quer desenvolver. Algo importante é buscar a ajuda de um profissional de marketing para aproveitar os conceitos da disciplina para orientar as ações e ordenar as tomadas de decisão.

Esta matéria foi desenvolvida a partir de uma aula no curso de tecnologia em Gastronomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie que reuniu o profissional de marketing especializado em gastronomia Alexandre Carvalho e o cozinheiro Renato Caleffi.

Os dois profissionais detalham o mercado de restaurantes orgânicos, mas suas orientações são válidas para qualquer modelo de restaurante ou negócio gastronômico.

Se no texto de Renato Caleffi entendemos os conceitos da gastronomia orgânica funcional, agora toda a experiência de Alexandre Carvalho como profissional de marketing é explorada no lançamento do restaurante Nambu.

Alexandre cita Hipócrates: “Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”

O mercado orgânico

O conceito clássico da citação de Hipócrates abre a fala de Alexandre: “Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”. Ele explica que quando começou a estudar o mercado de alimentos orgânicos, surpreendeu-se ao perceber que as mesmas empresas que produzem os agrotóxicos também eram grandes investidoras do mercado de orgânicos.

O projeto do Nambu acaba de completar um ano de vida, com muito sucesso, segundo Alexandre. Para ele a casa aproveitou muito da experiência original de Renato Caleffi com o Le Manjue Organique: “Costumo dizer que o Nambu é um garoto prodígio. Mas o fato é que ele aproveitou todas as batidas de cabeça que o Renato teve com o Le Manjue Organique. Ele surfou numa tendência que o Le Manjue não surfou por ser pioneiro no mercado“.

Para Camila Landi, existe uma oportunidade no mercado, pois ainda há muitos conceitos a difundir. Quando se fala, por exemplo, num ingrediente como o sorgo: “O sorgo é um dos principais e mais plantados cereais do mundo (quinto cereal mais produzido no mundo). De origem africana, da mesma família botânica do milho, é utilizado na alimentação humana e animal“.


Camila Landi, coordenadora do curso de tecnologia em Gastronomia do Mackenzie

O produto ainda está muito relacionado à ração animal: “Na América e Europa, o sorgo já foi introduzido na alimentação. Porém, com base em registros, seu principal destino sempre foi a alimentação animal. No Brasil não é diferente. Nós precisamos, inicialmente, romper uma barreira cultural devido ao seu histórico no país em ser ligado à ração animal, pois ele é um cereal como outro qualquer“.

 

“No Nambu, quase 90% dos consumidores são mulheres”, afirma Alexandre Carvalho

A importância de relacionar a proposta ao público

Ao se pensar numa proposta diferente de restaurante, é importante avaliar como isso se relacionará com o público. Quando se opta por um segmento do público, reduz-se o número de pessoas será impactada e, com isso, o universo potencial de clientes fica diminuído.

Assim aconteceu no restaurante Nambu: “No Nambu, quase 90% dos consumidores são mulheres. E elas acabam levando seus maridos e seus namorados. Este é um mercado de nicho”, afirma Alexandre.

O que poderia ser um problema inicial acaba se transformando numa vantagem: “Este é um mercado de nicho, mas é um mercado de pessoas conectadas. Quando alguém descobre um novo lugar, ele passa a segui-lo e a recomendar para seus amigos”, diz Alexandre.

Quando segmentamos um público, nós acabamos conseguindo buscar formas de atingi-lo de maneira mais eficiente. Hoje, com as redes sociais, é muito fácil encontrar grupos que podemos impactar com mais eficiência.

Um dos dados importantes no plano de marketing é a avaliação do tamanho do mercado, e se ele tem potencial de crescimento, “Este mercado tende a crescer, pois já existe uma lei municipal que prevê o aumento de insumos orgânicos na merenda das escolhas de São Paulo”, completa Alexandre.

Criando a marca do Nambu

A marca é uma oportunidade para você começar a passar a mensagem. Nambu é o nome de uma raiz, o Inhambu. Ela tem forte identidade com uma das sócias da casa que gostava muito dessa raiz quando era criança“.  E assim se deu a montagem da marca, da escolha do nome Nambu

Um dos cuidados é observar se o nome permite compra de endereço na internet (URL), e se não existe outra marca registrada com o nome, ou com uma sonoridade próxima.

A Marca Nambu e suas aplicações

Definição do Cardápio

A escolha de Renato Caleffi como consultor para a montagem do cardápio do Nambu se deve muito à pesquisa do profissional e sua experiência no segmento. “Buscamos o conhecimento do Renato, pois os sócios do restaurante, a médica Mayra Souza e Claudio Capitão, acreditam muito  na alimentação saudável. Eles queriam uma casa com estes princípios“, conta Alexandre.

Renato explica um pouco da proposta usada na criação do cardápio do Nambu: “No restaurante Nambu vocês vão encontrar uma comida simples. Meu objetivo é esse. Quero multiplicar o conhecimento, quero que as pessoas levem isto para suas casas, para o seu dia-a-dia“.

Imagens do Cardápio do Nambu

A decoração dos ambientes do Nambu

Como buscar um posicionamento

O cardápio é um elemento importante, mas sozinho ele não sustenta o conceito da casa. “É importante pensar também no ambiente e buscar um posicionamento. Posicionamento é um conceito importante do marketing e se baseia em 3 pontos: distinção, pertinência e relevância“, explica Alexandre.

Distinção: é o trabalho de buscar uma diferenciação em relação aos concorrentes.

Pertinência: precisamos de algo que encontre verdade junto ao consumidor. Seu conceito precisa ser algo que ele deseje, que ele queira.

Relevância: você precisa ter valor, ser um destaque no que faz, uma referência

Ingrediente principal: a vida. Com cardápio assinado pelo chef Renato Caleffi, Nambu tem suas raízes na gastronomia funcional e orgânica, combinada à riqueza de sabores como só o Brasil é capaz. Nutra-se de novas experiências.

Às vezes precisamos vender um conceito

No começo do Le Manjue Organique, Renato Caleffi sofreu para conquistar os consumidores. Ele ainda não tinha um mercado formado, e era preciso vender o novo conceito.

Quando lançamos algo novo, é preciso entender que leva um tempo para que os clientes entendam nossa proposta. Alexandre nós dá uma boa orientação dos cuidados que devem ser tomados: “É importante entender o interesse do consumidor. Muitas vezes estamos vendendo o produto de forma errada”.

Ao falar do Cambuci, um fruto rico em vitamina C que possui agentes antioxidantes e adstringentes, Alexandre explica: “Nós podemos falar muito dos seus nutrientes, mas isto não funciona. Isto não vende. Na verdade, as pessoas querem é tomar caipirinha de Cambuci, e assim fica muito mais fácil vender o produto“.

A caipirinha orgânica de Cambuci

Alexandre também recomenda tomar cuidado com jargões, ou mesmo tendências de mercado, pois isso é risco: “Modismos e tendências muitas vezes têm validade. Um exemplo agora é o Detox, que você vê em todo o lugar. Você não pode basear seu restaurante em algo assim“.

Renato Caleffi, Camila Landi e Alexandre Carvalho em aula do Mackenzie

 

Serviço:
Restaurante Nambu
Rua Alagoas 651 – São Paulo
site – http://namburestaurante.com/
facebook- https://www.facebook.com/namburestaurante/

 

What’s Hot 2017
donwload – http://www.restaurant.org/Downloads/PDFs/News-Research/WhatsHot/What-s-Hot-2017-FINAL

 

Texto - Reginaldo Andrade

Fotos - Felipe Aranha / Facebook dos restaurantes

 

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