Logo de cara, a famosa chef Paola Carosella começou sua palestra na 9ª edição do Paladar Cozinha do Brasil explicando que, apesar de ter sugerido o tema “tostados, dourados e queimados” à organização, resolveu abordar algo um pouco maior. A cozinheira deu uma aula a respeito da busca pela origem dos alimentos, demonstrando a importância do conhecimento dos ingredientes e de sua cultura, além da relação entre os seres humanos e os alimentos.

paola_carosella_paladar_1Paola Carosella deu uma aula a respeito da busca pela origem dos alimentos

Queimado?

A chef abriu a palestra mostrando pães do Arturito, seu restaurante, feitos com fermentação natural numa produção demorada, que dura 72 horas. Algumas pessoas podem considerá-lo queimado. Mas, segundo Carosella, as pessoas se acostumaram com o pão branco industrializado que, para ela, é um pão cru.

Na palestra, Paola apresentou ingredientes frescos, comprados pela manhã no Ceagesp, e, ao fundo, fotos tiradas por seu marido eram projetadas no telão. Um dos tópicos iniciais abordado foi o limite entre o queimado que se vê e o queimado que se experimenta. Existem “queimados bons”, como os que são usados na preparação de doces, e existem “queimados ruins”, que levam a um gosto ruim na boca.

“Entender o uso do fogo requer uma exploração maior do seu tempo na cozinha. É preciso cozinhar com mais tempo e deixarmos nos conectar mais com o alimento”, afirmou a jurada do Master Chef, que completou: “Infelizmente, deixamos de ter tempo para comer e, principalmente, para cozinhar. Vivemos numa época de excesso de uso de produtos industrializados e de um cuidado muito grande com higiene”.

(Des)conexão

Para demonstrar o quanto o uso de produtos industrializados altera a comida que comemos e o quanto estamos desconectados dos alimentos, Paola apresenta uma embalagem tradicional (uma bandeja de peitos de frango fatiados), e compara com uma galinha que foi morta um dia antes. E mostra que o respeito com a galinha morta é muito maior, pois há, nesse caso, uma relação mais forte com o ingrediente.

paola_carosella_paladar_16Paola utiliza a galinha de angola para falar sobre a desconexão do ser humano com o alimento

A proposta de Paola, é claro, não é de criar galinhas em casa, mas que se tenha uma mesma relação de cuidado tanto com o ingrediente industrializado, quanto com o produto in natura que ainda será processado. Isso vai nos levar, segundo ela, a um respeito muito maior, evitando, consequentemente, o desperdício.

Durante sua palestra, ela também bateu na tecla da desvalorização dos ingredientes brasileiros em meio ao cenário de “gourmetização” das coisas. O arroz com feijão do brasileiro, o pastel de feira e o caldo de cana, ainda presentes no Brasil, são coisas boas, segundo Carosella: “Meu medo é que a gente comece a pensar que o que se faz em casa não é tão bom quanto o que é produzido num restaurante da alta gastronomia”.

paola_carosella_paladar_4“O arroz com feijão do brasileiro, o pastel de feira e o caldo de cana, ainda presentes no Brasil, são coisas boas”

Paola defende que, quando estamos conectados com o alimento, produzimos algo muito melhor e muito mais saudável. A comida que vemos, muitas vezes, não é a comida natural, é a comida preparada.

A intenção é trazer um ar de simplificar todas as vertentes e informações na cabeça: “Para os estudantes que querem ser Alex Atala, vocês não devem ser Alex Atala, pois Alex Atala só existe um. Você precisa ser João, você precisa ser você mesmo”, afirma a chef.

Ela fala ser a favor dos orgânicos, mas diz algo controverso: “se não podemos comer orgânicos, comecemos comendo frutas e verduras ou carnes in natura que são produzidas em nossas casas“.

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Por Vinícius Andrade
Fotos: Tais Pinheiro


Acompanhe a cobertura da INFOOD da nona edição do Paladar Cozinha do Brasil

 

Cobertura: Paladar Cozinha do Brasil 2015

– Marcelo Bastos: uma aula de sabor com quiabo, jiló e chuchu 

– Arnor Porto e Gilson de Almeida: construindo um hambúrguer do zero

– Paladar Cozinha do Brasil amplia seus números e a experiência do consumidor

 

 

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