Criada em 2009, a DeliCake – com “d” maiúsculo – investiu na onda de cupcakes antes do produto se tornar uma tendência. O deliCake – com “d minúsculo – é o principal produto da loja, com uma receita mais leve e um conceito diferente dos outros bolos no mercado.

A INFOOD conversou com Elias Freire, proprietário do negócio, que nos contou a respeito do seu projeto, suas ideias e inspirações. Além do deliCake, a loja também trabalha com outros produtos, além de cafés, chás e champagne. A DeliCake, que vende aproximadamente 800 cakes por dia com as três lojas, conta com embalagens exclusivas. Elias garante que “a onda do cupcake já passou”, mas sua empresa manteve a mesma linha e conquistou um público cativo.


INFOOD – Fale um pouco da sua história. Pelo o que sabemos, você era um executivo de empresas e resolveu vender cupcakes.
ELIAS FREIRE – Era a época da febre do cupcake nos EUA: eu tinha acabado de voltar dos EUA e, lá, havia visitado uma lojinha chamada “Sprinkles”, no Napa Valley, perto de São Francisco. Os caras tinham acabado de montar essa loja, e eu fiquei maravilhado. Comi aquele cupcake de manteiga e açúcar, que é o cupcake americano, e voltei com aquilo na cabeça. E eu sempre cozinhei. Então eu desenhei o bolo mais leve, tirei o açúcar (tem apenas 10 gramas de açúcar na receita do deliCake), tirei a manteiga, o leite e a gema do ovo. Ficou uma coisa bem leve. Aí eu desenhei a loja, que possui um design europeu, com vitrine, área externa. E internamente é uma boutique. Ou seja, a DeliCake não é uma loja de comida, é uma loja de presentes. Esse é o conceito. Aí eu acoplei ao delicake o café, o chá da Twining e a champagne Chandon. Virou delicake, café, chá e champagne.

Delicake cupcakes - Infood

Delicake cupcakes – Infood

INFOOD – De onde veio a sua inspiração? Você foi um dos primeiros (ou o primeiro) a apostar nessa tendência?
ELIAS – Na verdade, o que eu busquei foi criar um produto diferenciado do cupcake. Foi tudo da minha cabeça mesmo. Eu desenhei as caixas para os cakes. A gente preza muito pela sustentabilidade. Se você trouxer qualquer embalagem de volta eu te pago 25 centavos. Nós somos a primeira loja do Brasil a apostar nisso. Abrimos no dia 19 de outubro de 2009 e a nossa concorrente na época abriu em dezembro. Abrimos 2 meses antes como operação.

INFOOD – Com uma receita à base de margarina, em vez de manteiga, e feita sem leite nem gema de ovo, os cupcakes da DeliCake são menos calóricos. Como essa mudança interferiu nos padrões do mercado?
ELIAS – A gente criou um outro produto. A gente não chama o nosso produto de cupcake, chamamos de delicake. Eu percebo que os meus concorrentes buscam coisas muito parecidas com o nosso produto. A gente criou um conceito de bolo mais leve, muito antes do que o mercado fez.

INFOOD – Como foi adaptar o padrão do cupcake norte-americano para o mercado brasileiro?
ELIAS – Foi muito bem recebido. A gente vende uns 800 cakes por dia nas três lojas.

Delicake cupcakes 2 - Infood

Delicake cupcakes 2 – Infood

INFOOD – Muitos estabelecimentos sofrem com o valor das despesas superando o valor do lucro. Como foi o processo de definição do preço da unidade do cupcake (R$9,50)? 
ELIAS – Bom, a gente tem que lembrar que a DeliCake tem 5 anos. Nós abrimos vendendo o delicake a R$5,50. Na época, eu fiz uma “conta de padaria”, porque eu tinha que entender o que o mercado ia ver no meu produto. Eu levantei todos os custos, cheguei ao custo base e tratei o custo bruto, eu não coloquei, por exemplo, (o custo) fixo. A gente não tinha como fazer isso. Eu me planejei para, durante 5 meses, manter a loja como negócio e introduzir o produto. Ele tem um custo alto porque a matéria prima que eu uso é muito cara. Eu criei uma situação ideal sem ter financeiramente a situação ideal feita. Eu comecei assim. Eu fui sentindo qual era a percepção do mercado com relação ao nosso produto. Eu subi o preço rapidamente, pois a gente viu que as pessoas iam percebendo o valor agregado do produto. Hoje ele custa R$9,50. Hoje a gente tem uma margem confortável, tanto para mim, como produtor, quanto para as lojas franqueadas. Eu garanto o mínimo de resultado. A gente começou assim: esse é o custo, e isso é o que eu posso ganhar no mínimo. Aí depois eu fui percebendo, até porque o produto era novo.

INFOOD – Você acredita que a onda do cupcake já passou, ou você imagina que ainda vai crescer?
ELIAS – A onda já foi. Foi em 2010, 2011 e um pouquinho de 2012. De 2012 pra cá, o cupcake acabou sendo engolido por tudo o que há de confeitaria. Em 2011, havia 20 lojas especializadas, hoje temos 3. Algumas lojas mudaram o conceito e perderam o foco. Nós mantivemos a mesma linha, desde a abertura, agregando produtos. Agora, é você continuar com um padrão de excelência de qualidade e você ir acompanhando o mercado. Mesmo estando fora da onda, meu negócio continua sendo o cupcake e consegui manter um público cativo. Tem gente que vem aqui há 5 anos. Muitos criaram essa cultura de vir aqui consumir o delicake.

INFOOD – Vocês contam com 3 lojas. Quais são os planos para o futuro?
ELIAS – A gente deve abrir mais uma loja própria, da marca, sem ser franquia, até meados do ano que vem. As lojas são muito trabalhosas, porque são cheias de detalhes. Acredito que deve ser até março. Vou estudar uma quinta loja, se não própria, franqueada na região dos Jardins. Até o final de 2015. Como trabalho sozinho, eu trabalho com um plano de 24 meses, que eu consigo vislumbrar. Ai vou para os próximos 24. Eu faço um plano mais enxuto.

Delicake cupcakes 3 - Infood

Delicake cupcakes 3 – Infood

 Atualmente, a DeliCake conta com 3 lojas e possui planos para expansão

 INFOOD – Na sua opinião, quais são os 3 principais problemas para alguém que deseja atuar no ramo de alimentação no Brasil?

ELIAS – Olha, é um mercado muito difícil, por conta da sazonalidade. Eu acho que você tem que entrar no negócio sabendo que você precisa ter muito fôlego e paciência. Demoramos 2 anos para estabilizar. Isso é um tempo muito longo para o empresariado brasileiro. Um outro ponto é você manter padrão. Você não pode baixar seu padrão porque você baixou valores de venda, o seu faturamento caiu. Manter padrão é muito importante. O cara que sabe que o negócio é para o público A, ele precisa trabalhar para o público A. Ele tem que eleger o seu público e ter foco nisso. Terceiro: planejamento a longo prazo. É preciso ir se adaptando, mas sem perder a linha.

Texto: Vinícius Andrade
Foto: Flávia Avigo

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