De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o alimento orgânico é um produto livre de fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos. Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios agroecológicos (o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais).

Nos últimos anos, os orgânicos ganharam cada vez mais destaque: a seção “orgânica” de uma padaria ou supermercado não é mais uma novidade surpreendente, mas sim um importante setor das redes de alimentação. Diversos food trucks e novos estabelecimentos gastronômicos vendem refeições e sucos feitos a partir de produtos orgânicos. Outros contam sempre com uma opção orgânica para os seus clientes – como é o caso do Buzina Food Truck.

A questão, no entanto, não está perto de ser resolvida. Ainda que os alimentos orgânicos representem uma alternativa sustentável e que respeita a vida em sociedade, há muito preconceito sobre o uso dos orgânicos dentro da cozinha.

Através de uma série especial de matérias, a INFOOD selecionou o mês de junho para abordar o tema “Alimentos orgânicos e gastronomia”, buscando ouvir todos os envolvidos na questão: cozinheiros, restaurateurs, produtores orgânicos, nutricionistas, especialistas e, é claro, a população brasileira.

A princípio, verificamos que alguns chefs de cozinha e donos de restaurantes apontam certas limitações: os produtos orgânicos não estão disponíveis a qualquer momento do ano. O chef que, por exemplo, deseja manter seu cardápio fixo, não enxergará o uso de orgânicos como um benefício, afinal, seu menu precisará ser mais flexível. Uma das soluções – cada vez mais comum – pode ser a criação de um cardápio sazonal, com ingredientes que variam conforme a época do ano. Mas isso é papo para próximos textos.

 

Usar ou não orgânicos dentro da cozinha?

Segundo a nutricionista doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP Adriana Saldiba, os alimentos orgânicos são considerados mais saudáveis devido a sua qualidade e elevado grau de segurança alimentar: são livres de adubos químicos e agrotóxicos. “O Guia Alimentar para a População Brasileira aponta que, sempre que possível, os alimentos orgânicos devem ser consumidos preferencialmente, não somente pelo provável menor risco à saúde humana,mas também pelo menor impacto ao meio ambiente”, afirma a nutricionista.

Entretanto, Adriana afirma que o crescimento do consumo dos alimentos orgânicos não está diretamente relacionado ao valor nutricional dos alimentos, mas aos diversos significados que lhe são atribuídos pelos consumidores, como “busca por uma alimentação mais saudável, qualidade de vida e uma preocupação ecológica em preservar o meio ambiente”.

Ainda não é possível afirmar, levando em conta o valor nutricional dos alimentos, que você estará bem alimentado somente quando comer alimentos orgânicos. E isso ocorre pela insuficiência de evidências

Muitos estabelecimentos paulistanos já são especializados no trabalho com alimentos de origem orgânica. O Banana Verde, na Vila Madalena, oferece pratos vegetarianos e orgânicos, sem deixar a preocupação com o sabor em segundo plano. Na região do Ibirapuera, o Le Manjue Organique tem opções que priorizam ingredientes de origem orgânica, que passam por uma inspeção do próprio chef Renato Caleffi.

Outro mito ligado ao alimento orgânico é o fato de que o seu sabor seria diferente do sabor “tradicional”. Adriana Saldiba explica a questão: “Existe uma crença de que o sabor do alimento produzido organicamente é mais agradável quando comparado com o alimento convencional, no entanto, mais estudos devem ser feitos para comprovar tal alegação. A princípio, através dos estudos que temos publicados até o momento, é possível afirmar que o alimento orgânico não apresenta diferenças aparentes quando se considera a cor, odor, textura, aparência e sabor”.

 

O interesse do consumidor em relação à questão faz com que qualquer dono de restaurante, no mínimo, esteja atento ao assunto.

Algumas medidas já estão sendo tomadas, inclusive, na esfera pública.No dia 18 de março, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad sancionou o Projeto de Lei PL 451/2013, que prevê a inclusão de alimentos orgânicos na merenda escolar das escolas da rede municipal. O projeto é de autoria do vereador Gilberto Natalini (PV) com a participação do vereadores Ricardo Young (PPS), Nabil Bonduki (PT), Dalton Silvano (PV), Toninho Vespoli (PSOL) e o ex-vereador e atual deputado federal, Goulart (PSD).

A INFOOD entende a preocupação com o assunto e quer deixar você, leitor, atualizado acerca desse tema cada vez mais relevante e atual do universo gastronômico. Por isso, preparamos um material exclusivo, que conta com:

– Entrevista com o ator Marcos Palmeira, que tem com uma fazenda de alimentos orgânicos

Leia mais: http://infood.com.br/marcos-palmeira-o-restaurante-precisa-entender-que-nunca-vai-pagar-o-preco-convencional-num-produto-organico/

– Entrevista com a chef Priscilla Herrera do restaurante Banana Verde 

Leia mais: http://infood.com.br/entrevista-banana-verde/

– Entrevista com Márcio Stanziani, diretor executivo da Associação de Agricultura Orgânica (AAO)

Leia mais: http://infood.com.br/produtores-e-donos-de-restaurantes-precisam-conversar-sobre-alimentos-organicos/

– Entrevista com o chef Renato Caleffi do restaurante Le Manjue Organique

Leia mais: http://infood.com.br/a-gastronomia-organica-funcional-do-chef-renato-caleffi/

– Entrevista com o sommelier Bernardo Murgel sobre vinhos orgânicos

Leia mais: http://infood.com.br/vinhos-organicos-conquistam-cada-vez-mais-espaco

– Texto especial do Chef Marcelo Santos

Leia mais: http://infood.com.br/organicos-uma-volta-ao-passado-uma-tendencia-do-presente/

Fique de olho e entre também nessa conversa!

http://infood.com.br/alimentos-organicos/

Por Redação

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