Em conversas com chefs e restaurateurs, muito se fala da falta de preparação dos formandos dos cursos de gastronomia. Em especial, a questão principal é sua falta de experiência na cozinha e o fato  de não seguirem a tradição do setor de começarem sua vida profissional na pia. Entendemos que isto ocorre por estarmos numa carreira que vem se profissionalizando e, em parte, pelo modismo gerado pela grande profusão de programas de TV com gastronomia como tema. Existe um destaque para a profissão de chef e é natural que o mercado de cursos aproveite esta tendência, mas o setor ainda não está tão bem preparado para receber esta nova mão de obra.

É importante dizer que isto também ocorre em outras áreas. Na engenharia, na publicidade, em administração e até formandos de medicina não estão totalmente preparados ao final do seu curso. Tanto é fato que um jovem médico vai precisar  passar pela residência antes que seja considerado capaz de atuar na profissão e um recém-formado em advocacia precisa passar pelo exame da ordem dos advogados do Brasil para poder exercer a função.

A final brasileira do Bocuse D´Or nos revelou Giovanna Grossi, uma alagoana de 23 anos. Ela é da jovem geração que começou sua experiência num curso de gastronomia. Ele se graduou na Anhembi Morumbi e depois partiu para sua especialização num curso no exterior e trabalhou na França e na Espanha. Uma amostra que temos capacitado cada vez melhor os jovens profissionais.

Quando falamos de formação profissional, é importante ter em mente que a academia nunca conseguirá reproduzir a experiência profissional em sua totalidade, mas é fato que num curso, um jovem será exposto a um conjunto de experiências muito mas rápido do que aconteceria na formação baseada apenas na prática. Porém, o domínio das técnicas só será conquistado com o tempo de trabalho, com a dedicação na cozinha.

No especial que sempre procuramos fazer sobre formação, entrevistamos dois ex-candidatos do mais famoso programa de TV sobre culinária, o Master Chef. Os dois estão buscando uma carreira em gastronomia, mas seguiram por diferentes opções de preparação e têm uma visão muito diferente quanto ao seu futuro no setor.

Eles são uma prova de que existem muitas variações de carreiras quando pensamos nos cursos de gastronomia, e é claro que continuaremos a ter profissionais que vão construir sua carreira sem cursos, apenas a partir de sua experiência prática.

No tempo que temos avaliado o setor, podemos observar que a motivação de um cozinheiro para enfrentar uma rotina de 17 horas de trabalho é sua paixão. Esta rotina não é para todos. Muitos não se transformarão em chefs, mas poderão atuar em bares, hamburguerias, foodtrucks, como personal chefs, apresentadores de programa, youtubers, blogueiros, como profissionais de foodservice, e sabe mais o que o futuro nos reservará.

Você deve entender que a formação na carreira mudou. Cabe a chefs e restaurateurs se prepararem para receber melhor estas novas opções de mão de obra. Precisam melhorar sua seleção e precisam pensar num programa de treinamento e introdução à equipe que aproveitou o que este jovem já aprendeu. Giovanna Grossi é uma prova de que estamos formando talentos, mas para construirem uma carreira e chegarem um dia à posição de chefs, eles terão que ter muito mais que um sonho.

 

Vale conferir:
martin_cassiliMartin Cassili: “Sim, eu pretendo trabalhar num restaurante”

Martin Cassili, um dos participantes da primeira edição do MasterChef, abandonou o 3º ano de engenharia para correr atrás do seu sonho de trabalhar com gastronomia. Ele escolheu o curso de Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi para ampliar seus conhecimentos na área. Seu futuro, com certeza, é num restaurante. Atualmente ele tem uma empresa, a Box4food, que trabalha com eventos, e se prepara para, junto com alguns sócios, abrir seu primeiro restaurante.

mohamad hndi netoMohamad Hindi Neto: “Não tenho pretensão de abrir um restaurante”

Mohamad Hindi Neto é de uma família árabe, que tem tradição de cozinhar bastante e comer bem. Participou da 1a. edição do programa Master Chef, terminando em quarto lugar, tendo, após o programa, trabalhado por seis meses no restaurante Beato, do Alberto Landgraf. “O programa me abriu as portas, mas não me deu privilégio nenhum. Tive que bater três vezes lá na porta dele para conseguir esse emprego. Sendo que o primeiro mês foi de graça, e os outros recebendo apenas o piso”.

 

Por Redação

 

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