icone_mao_de_obra_formacao_3Todo recém formado tem como principal objetivo construir uma carreira de sucesso e feliz. Na gastronomia isso não poderia ser diferente, mas a ideia de felicidade pode estar distante do dinheiro e da fama. É claro que ganhar bem e ter fama trará um pouco de felicidade a qualquer novo profissional, entretanto, junto com isso, vêm as responsabilidades e o peso de manter a estabilidade na carreira.

Há pouco mais de um ano e meio tivemos a notícia de mais um cozinheiro que, com sua carreira em ascendência, tirou a própria vida por estar frustrado e infeliz. Aos 32 anos, Martin Bentzen não era um cozinheiro inexperiente e já conhecia a “pressão” que alguns chefs exercem de maneira mais forte. Ele já havia passado por cozinhas renomadas como a do Noma do chef René Redzepi, considerado o melhor restaurante do mundo pela revista Restaurant em 2010, 2012 e 2014.

A relação saudável entre carreira de sucesso e felicidade vem da superação que precisa ser a força motriz para se seguir em frente. Superar dificuldades também demonstra o quanto cada um está preparado para assumir responsabilidades, superação e o resultado de saber lidar com limitações e ultrapassá-las, aprendendo com a experiência, mantendo seu equilíbrio e conquistando o seu espaço. Essa talvez seja uma boa lição que só se aprende na prática. Não há nenhuma escola que ensine isso.

Alguns dos grandes cozinheiros com experiência, fama e dinheiro o bastante para poderem dizer “sou feliz” abandonaram suas carreira em grandes restaurantes para realmente serem felizes em outras empreitadas. É o caso de Marcio Silva, que após ter conseguido destaque em grandes cozinhas, largou tudo e montou o Buzina Food Truck, uma virada de 180° que transformou a vida dele completamente. Uma de suas frases pode demonstrar bem o que ele aprendeu sobre carreira de sucesso e felicidade: “Quando você trabalha em uma cozinha, você só vê o número da mesa e o pedido. Mesa não tem cara, você não sabe a reação do cliente quando vê o prato que você fez, e isso não me deixava feliz. Eu precisava ter esse contato direto, ver o cliente, ver o sorriso no rosto do cliente recebendo sua comida, por isso, larguei tudo e fui pra rua”.

A sedução da fama e do dinheiro que uma carreira como a de cozinheiro pode proporcionar é também o “veneno” contido no frasco pequeno que pode acabar com a felicidade que essa mesma carreira traz. No entanto, é necessário seguir em frente. Por isso, lembrar-se da lição e usá-la como força para se dedicar cada vez mais a aprender ao invés de se deixar seduzir fará você encontrar o ponto de equilíbrio e achar a sua felicidade.

A ideia aqui não é dizer: “deixe o dinheiro e a fama de lado e vá ser feliz”, mas fazer o novo profissional entender que o objetivo vai muito além disso. O sucesso está atrelado ao que se faz de melhor, e o seu melhor aparece quando se está feliz: os pratos saem mais bonitos, mais saborosos e todos gostam. O dinheiro será a consequência do trabalho feito com felicidade.

 

*Marcelo Santos (chefmarcelosantos@gmail.com) é chef de cozinha, professor de gastronomia, consultor de alimentos e bebidas e escritor e escreve para o site INFOOD às quartas-feiras

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