São Paulo chegou a cerca de 200 empreendimentos no mercado de food truck e a sete diferentes eventos na cidade, entre feiras gastronômicas e food parks. A expansão foi acelerada, mas o modelo ainda está em desenvolvimento. À exceção da sub-prefeitura de Pinheiros, que normatizou as regras com mais cuidado, permitindo que um empreendedor use diferentes pontos de venda, pouco foi feito para garantir o desenvolvimento deste setor.

Mas algumas tendências começam a ser divulgadas em veículos de comunicação com óticas distintas. Em jogo, o futuro da comida de rua, que estaria sofrendo com a saturação das ofertas e com a expansão das operações. A revista Veja São Paulo afirmou: “Após o sucesso sobre rodas, proprietários de food trucks investem na criação de restaurantes em endereço fixo”. Já a coluna de José Orenstein, no jornal O Estado de São Paulo, apontou para um esgotamento no formato:“A ressaca da comida de rua”.

Basta conversar com empresários do ramo para entender que falta muita coisa: de vagas demarcadas nas ruas à estrutura, como água e luz para um food truck operar nas ruas de São Paulo. Pelo fato de operar na rua ter se tornado algo difícil, os modelos das feiras e parques se fortaleceram. Nestes lugares, um aluguel mensal pode facilmente chegar à casa dos 10 mil reais. E nesta hora, a pergunta que se faz é: vale a pena investir num food truck para pagar aluguel mensal elevado num food park? Não seria mais fácil alugar uma loja?

Com os dados apresentados nestas duas matérias, seria fácil dizer que as dificuldades estão levando os empreendedores a pensarem em pontos fixos. Mas entendemos que isto é uma simplificação e, principalmente, algo distante da verdade.

Para preparar o relatório especial Mercado de Food Truck, lemos tudo que foi produzido, mas também entrevistamos empresários do ramo e acompanhamos a operação de um food truck para entender a real dimensão deste mercado.RELATÓRIO ESPECIAL MERCADO DE FOOD TRUCK

Nossa observação nos permite dizer que a coluna do Orenstein acerta em avaliar que poucos empreendimentos realmente ganharam as ruas. Isto se deve muito à falta de uma regulamentação do setor. Os procedimentos foram até pensados, mas no momento da operação, muito do que era necessário não foi feito. Quem paga uma TPU (termo de permissão de uso) gostaria de ter maior segurança de operação com pontos demarcados e com a infraestrutura básica que nunca foi oferecida. Por outro lado, os food parks e as feiras gastronômicas ofereceram a conveniência de pontos de luz, água e mesas para os consumidores e toda a infraestrutura legal que um evento gastronômico pede. Outro ponto importante é que nem todos os empreendedores do ramo estão dispostos a encarar a rua. As duas reportagens não abordaram este importante ponto. Atuar na rua é difícil, e alguns donos de food trucks não estão preparados para os problemas e imprevistos desta operação.

A matéria da Veja São Paulo deixa de explorar o lado positivo do desenvolvimento do setor, dando a entender que a loja fixa pode ser o fim do modelo móvel.  Em um food truck, fica mais barato testar o conceito de um negócio. Sua mobilidade e o contato direto com o público ampliam o aprendizado e permitem uma maior experimentação. Algo muito parecido com a operação em soft opening. No início, com a troca de pontos a cada dia, é possível aperfeiçoar a operação. A consolidação da marca pode levar o empreendedor a pensar num ponto fixo, algo natural, pois ampliará suas chances de sucesso, mas não acreditamos que este será o futuro de todos os empreendimentos.

Outro ponto que as matérias não abordaram é que o food truck leva vantagem sobre o ponto fixo por não exigir operação diária, num trabalho de 14 a 16 horas. O empreendedor pode assim planejar melhor sua vida. Se quiser pode até  deixar de operar num fim de semana para descansar. Ficou claro nas conversas entre os empreendedores do ramo que a qualidade de vida é maior para quem opera um food truck.

É muito cedo para falar numa saturação do modelo de negócio, mas é fato que muitos empresários entraram no ramo sem um real domínio da produção de alimentos. Não eram cozinheiros, não tinham um restaurante. E acabaram descobrindo que, para ter sucesso neste ramo, o domínio da operação é fundamental. O food truck é uma oportunidade de negócio e pode até ajudar na conquista da prática na cozinha, mas entender a operação na cozinha pode ser até mais importante do que em um restaurante tradicional.

O setor precisa que a regulamentação ganhe as ruas; precisamos de ajustes do poder público para garantir maior segurança de operação dos food trucks. Não entendemos que exista uma ressaca da comida de rua e que todos os food trucks vão se tornar lojas fixas, mas o fato é que, na gastronomia, não existe muito espaço para a falta de experiência. Trabalhar com comida requer muito preparo e uma forte gestão, pois estamos falando de uma margem pequena e de um trabalho muito pesado.

Os food trucks estão ampliando o conceito da comida de rua, ampliando a percepção do termo baixa gastronomia, oferecendo boa comida com preços acessíveis. Esta é uma das fortalezas do setor, mas é possível que se consiga ofertar uma comida mais elaborada com o tempo. Só não sabemos se isto faz sentido. A origem deste negócio passa por oferecer comida barata de forma rápida.

 

Serviço:

Relatório Especial Mercado de Food Truck
Estrutura – relatório  de 51 páginas num arquivo de PDF

Preço – R$ 195,00

O que está incluso no relatório:

  • ANÁLISE IN DO MERCADO
  • VIABILIDADE DO NEGÓCIO
  • HISTÓRIA
  • COMIDA DE RUA
  • REGULAMENTAÇÃO
  • CASES DE MERCADO
  • OPERAÇÃO DE UM FOOD TRUCK
  • MERCADO DE SÃO PAULO
  • MERCADO DO RIO DE JANEIRO
  • MERCADO NAS OUTRAS CAPITAIS
  • ANÁLISE DE MERCADO
  • TENDÊNCIAS
  • AS FEIRAS GASTRONÔMICAS E OS FOOD PARKS
  • GUIA DE MARCAS
Por Redação

Estudo especial Mercado de Food Truck

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Restaurantes devem ter um vinho da casa?

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