Adolpho Schaefer, um dos sócios do Holy Pasta Food Truck, acredita que o número de food trucks na cidade de São Paulo será, no mínimo, 30% menor no período de menos de um ano. “Vai acabar ficando no negócio quem realmente trabalha com comida e que está acostumado com essa correria. A gente deve ter uma redução grande de número de trucks. Depois de um ano a gente vai sentir quem está aí para isso mesmo, não só pela moda” afirmou Schaefer.

Estacionar o food truck em uma das ruas da capital paulista não é uma ação tão simples assim. A Prefeitura de São Paulo disponibilizou Termos de Permissão de Uso (TPUs) para ambulantes comercializarem os mais diversos tipos de alimento nas ruas e avenidas paulistanas. No entanto, dos mais de 1,1 mil pedidos, apenas 67 TPUs foram emitidas até o início de dezembro.

O modelo de licenças proposto pela prefeitura é o seguinte: alguns pontos pela cidade serão disponibilizados, podendo ser selecionados pelos food trucks. Dessa seleção prévia, o trucker escolhe em quais lugares ele deseja atuar com o seu caminhão e pede a licença para a prefeitura. A emissão do documento é de responsabilidade das subprefeituras.

Mesmo sem deixar o trucker atuar livremente pela cidade, o modelo ainda oferece a chance do food truck ser um negócio itinerante, sem tirar sua mobilidade. ”A subprefeitura de Pinheiros nos ofereceu a opção de rodar entre os endereços por ela apontados. Eu acho isso legal, porque a gente consegue rodar. Eu estou nesse meu quadrilátero da zona oeste , cada dia em um lugar” apontou Adolpho.

Em relação ao modelo de licença da prefeitura, Adolpho foi contrário em um primeiro momento. No entanto, convenceu-se dessa ser a melhor opção: “Não é o melhor para nós, claro que o ideal seria a gente ter a licença para vender em qualquer lugar, mas em quanto tempo você acha que, em nosso país, a gente teria cara estacionando o truck em frente de hospital? Pensando pelo mercado, talvez esse seja o formato que mais ajude para isso não virar uma baderna”.

food trucks mais caros - Infood

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O Holy Pasta está nas ruas de São Paulo desde o início de 2014

 

Um das saídas para combater as dificuldades em rodar com o seu truck pela cidade deve ser a utilização cada vez maior dos espaços privados, como parks, eventos e festivais. No entanto, Adolpho se diz inconformado com truckers que aceitam pagar um preço altíssimo (como, por exemplo 2,5 mil reais para estacionar no fim de semana) para os donos dos parks. Além disso, o Holy Pasta, segundo o proprietário, está na contramão desse ponto: “O Holy Pasta nasceu para ser itinerante de verdade, fazer a cena na rua. A gente não quer depender desses lugares fechados, eles são somente para de vez em quando”.

A inflação dos produtos é um dos principais problemas da concentração de food trucks em espaços fechados. “Os principais culpados pelos preços altos são os próprios truckers, porque eles não têm onde parar. Um evento bomba uma, duas vezes, mas já vi evento que, na terceira vez, foi um fiasco” disse Adolpho. Ele acredita que o futuro do food truck vai perder força nas ruas e, cada vez mais, os caminhões vão “se enfiar tudo nos food parks, que vão ficar cada vez mais caros”. A linha de pensamento é simples: o aumento na disputa por um lugar dentro dos espaços fechados leva os organizadores a cobrarem um valor ainda maior pelo estacionamento do caminhão. Os valores, que atualmente já são caros, devem sofrer um aumento.

food trucks mais caros 2 - Infood

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 O Butantan Food Park, um dos locais fechados na cidade, funciona diariamente na rua Agostinho Cantu, 47

 

Várias reuniões sobre as TPUs estão acontecendo nas subprefeituras. Embora tenha sido necessário mais de uma reunião para resolver conflitos de datas e horários entre vários food trucks, chegou-se a um consenso após a última reunião na subprefeitura de Pinheiros. Uma reunião no final de novembro foi, segundo Adolpho, “bem produtiva” e 50% da grade de atuação dos trucks já está definida. Por puro palpite, o sócio do Holy Pasta acredita que até o final de janeiro a licença sai, mas ninguém soube falar quando sairão as próximas: “pelo menos foi dado um grande passo”.

 

Por Vinícius Andrade
Fotos: Flávia Avigo

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