A grande exposição que a gastronomia vem recebendo nos últimos anos, em especial na televisão aberta e fechada, está ampliando a percepção de consumidores e o interesse pela carreira de cozinheiro. A gastronomia está na moda, isto é fato, e com isso, temos a chance de ampliar negócios e gerar oportunidades.

Moda é um fenômeno caraterizado por um conjunto de opiniões, de um grande interesse, uma fixação por um assunto e/ou tendência. Em geral, são fenômenos rápidos, de curta duração, mas é possível, com o uso de algumas técnicas de marketing, trabalhar este processo para ampliar o período de interesse, em especial quando o foco é a geração de consumo.

O interesse crescente em gastronomia colocou nas vitrines um grande número de profissionais, nossos grandes cozinheiros ou, como a mídia prefere, nossos chefs. Não é difícil notar a ampliação da presença destes cozinheiros em campanhas publicitárias vendendo os mais diversos produtos.

Essa grande exposição da gastronomia é um reflexo do interesse dos consumidores. Isto não é algo ruim nem algo bom. O interesse num assunto ou num profissional é resultado direto da exposição continuada a uma audiência. De concreto, podemos apenas afirmar que os consumidores gostam de conteúdos de gastronomia na televisão. E sabemos disto pela observação dos favoráveis índices de audiências.

Como explorar a grande exposição da gastronomia

Quando pensamos na carreira dos cozinheiros, é muito importante sabermos explorar toda esta exposição. Não existem receitas prontas, mas existem cuidados. Um bom exemplo foi o abordado aqui na coluna na semana passada. O restaurante Maní aproveitou o sucesso de seus sorvetes artesanais e lançou um novo produto, o sorvete Maní, que deixa de ser vendido só no restaurante e ganha as ruas. Ele é fruto de um interessante projeto de arquitetura de marca.

Quando pensamos nos profissionais e na sua exposição, é importante entender que eles também acabam transformando-se em marcas. Para sucesso de suas marcas pessoais, eles precisam planejar sua exposição.

Na última Bienal do Livro, acompanhamos o lançamento do livro do chef Jefferson Rueda. A Editora Senac reuniu o universo de Maurício de Souza com o talento e o grande cuidado que Rueda tem com a comida caipira. A cozinha caipira do Chico Bento é o resultado final do projeto.

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Repare que existe uma total identidade de Rueda com o universo do livro, a ponto do chef brincar com isto no lançamento: “Quando me convidaram para fazer o livro contando a história da cozinha caipira do Chico Bento, eu logo perguntei: ‘Vocês estão me achando parecido com o Chico Bento?”.

Jefferson Rueda sempre destacou sua origem caipira, que sempre esteve presente em tudo que ele fez. Pode parecer algo simples, mas isto é vital para o sucesso do projeto. Este é o primeiro livro do chef e ele sabe da importância desse trabalho para sua carreira: “Eu sou movido a novos desafios. Cozinho profissionalmente há 20 anos e gosto de projetos que fiquem para outras gerações. Esse é o meu primeiro livro com um personagem muito parecido comigo, com minha origem, afinal de contas, pamonha boa é pamonha de milho roubado“.

No evento, pudemos constatar  presença de crianças que foram até a Bienal não só para ver o Chico Bento e o universo do Maurício de Souza. Alguns  estavam ali para ver Jefferson Rueda. Uma menina com quem podemos conversar afirmou que pretende um dia ser uma cozinheira.

Quando perguntamos a Rueda sobre o risco dessa grande exposição, ele nos responde: “Esse negócio da televisão  está virando um modismo. Mas eu sou de outra geração, eu cozinho há 20 anos. Eu comecei cozinhando e vou morrer cozinhando, pois é só isso que eu sei fazer. É disso que eu gosto, eu gosto de cozinhar. Hoje todo mundo é chef “.

É fácil perceber, apenas zapeando os comerciais de televisão, que os chefs nunca foram tão requisitados para campanhas publicitárias. E é nesse momento que eles precisam ter um cuidado na avaliação da sua exposição. Alguns cuidados parecem importantes.

1. Recomende apenas coisas que você de fato gosta, consome ou conhece

Não é possível recomendar tudo a todos. O exemplo acima de Jefferson Rueda é perfeito, pois ele é a pessoa mais adequado para falar da comida caipira. Isto é parte de sua gastronomia, do DNA da sua marca.

2. Evite acordo curtos. Dê preferência a compromissos mais longos

No momento de muita exposição, é natural que surjam muitas oportunidades, mas é importante reduzir a exposição para que sua recomendação tenha força. É favorável contar com um menor número de patrocínadores por um maior período de tempo, do que várias ações de curta duração. Lembre-se que você empresta seu nome e que isso pode comprometer novos contratos no futuro.

3. Avalie o impacto da ação junto ao seu público

No Taste of São Paulo, foi possível testemunhar o grande impacto que  André Mifano tem com as crianças. Isto pode ser potencializado com boa recomendação de consumo de alimentos, mas talvez não seja adequado a utilização do cozinheiro em campanhas para esse público. É importante que se avalie o efeito disso junto aos consumidores.

Mifano é um bom exemplo, pois ele já entende sua influência com as crianças, e sabe como aproveitar sua exposição para cativar os jovens consumidores.

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4. Contrate um profissional para gerir sua carreira

Não é fácil avaliar esses itens e planejar as ações de patrocínio. Recomendamos a contratação de uma empresa ou de um profissional com experiência no gerenciamento de carreira. Isso evita desgaste e, principalmente, o risco de uma exposição exagerada.

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O fato é que nem sempre toda exposição será aproveitada apenas com campanhas e holofotes. Um bom exemplo de um engajamento social é a ação que a Janaína Rueda vem fazendo. Ele deu expediente na Escola Estudual Maria José, na Bela Vista, onde ele própria estudou na adolescência.

Seu objetivo é ensinar as merendeiras do local a realizar dez receitas que ela vem testando há quatro meses. Um projeto da Secretaria da Educação para melhorar o que é servido aos alunos.

Quando perguntamos a ela sobre a exposição da gastronomia, fica clara a sua orientação para o compromisso que um cozinheiro precisa ter: “Cada pessoa vai enxergar esse momento de uma forma. É preciso olhar para si. Cada um colhe o que planta. Cada um segue um caminho e vai construindo uma série de coisas. O importante é construir algo que deixe um legado para os que virão depois“.

Essa grande exposição pode ser a oportunidade para melhorarmos a alimentação das novas gerações, acredita Janaína. Levar um pouco mais de cultura gastronômica, ensinando as pessoas a comer melhor do que comem hoje.

 

Texto: Reginaldo Andrade
Fotos:  Lays Riello / Caroline Moraes

Você tem dúvidas quanto ao marketing e sua gestão? Mande um e-mail para randrade@infood.com.br. Será muito bom ajudá-lo, respondendo sua questão.

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