E quando um problema dá origem a uma grande ideia? Wolfgang Menke criou a House of Food após perder o fornecedor de coffee break de sua empresa. Com uma ideia inovadora, o co-working gastronômico é, de acordo com pesquisa de Menke, “a primeira experiência do gênero no mundo” e permite que empreendedores encontrem uma cozinha profissional, com os utensílios necessários: “você tem que só trazer sua receita, os ingredientes e botar a mão na massa”.

Com seu co-working culinário, Wolfgang pretende atingir tanto cozinheiros amadores quanto chefs profissionais. O espaço também é uma opção para os donos de food trucks, que muitas vezes precisam de um lugar para o pré-preparo dos pratos. O local, localizado na rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, poderá ser utilizado futuramente para cursos e eventos.

Em conversa com a INFOOD, o idealizador do House of Food comentou o desenvolvimento de sua ideia, apontou para o crescimento de uma nova cultura no Brasil e contou que o público poderá ter participação em algumas escolhas de chefs.

House of Food o primeiro  co-working gastronômico

Co-working no Brasil

“O co-working pode realmente ter aparecido em 2005, mas é preciso imaginar que, para toda uma cultura, é muito complicado você fazer esse ‘click’ e mudar o jeito de pensar. Principalmente para pequenas empresas e pessoas que estão começando.

Elas precisavam de um ambiente que demonstrasse quem é a empresa. E é complicado para quem está começando saber que o seu branding vai ficar diluído dentro de um outro espaço, que vai ter o próprio branding. Então é algo bem complicado. Porém, como toda inovação, demora um tempo para maturar.

E o timing é muito importante para acontecer: você precisa do timing certo para fazer essa cultura funcionar. Eu tinha alguns amigos em Campinas que criaram em 2006 ambientes de co-working. E, obviamente, não deu certo, porque as pessoas não tinham uma mentalidade pronta para aquilo.

Nos dias de hoje, você tem um mercado e uma sociedade colaborativos. Todo mundo viu que o mercado capitalista está em declínio. O fato de você não estar vendendo carro diz muito a respeito da população ter problemas financeiros, claro. Todavia, também diz respeito à atual conjuntura de mercado.

Nos EUA, o crédito continua igual, tudo continua igual e as pessoas não têm carros por uma questão básica: elas não querem ter carros. Não é à toa que o Haddad está fazendo ciclofaixas. Cada vez mais as pessoas vão querer ter menos, porque a mobilidade de carro e bicicleta é igual, logo: ‘uma bicicleta me basta’. As pessoas colocam essas coisas na balança.

E a mesma coisa acontece com o co-working. Hoje, as pessoas falam assim: ‘eu preciso de um ambiente confortável e que isso funcione para mim. Preciso ter uma boa internet, uma impressora, telefonia’. Esse mínimo basta às pessoas. E, ao mesmo tempo, elas veem um grande fator, que é o coletivo. Empresas percebem o valor de trabalhar com outras empresas próximas. Esse complemento e o cenário atual fizeram o co-working ter essa expansão.”

A ideia do House of Food

“Eu já tinha a House of Work, que era um co-working como a maioria conhece. E a House of Food surgiu de um problema de demanda: aqui funcionava a Romã Armazém Gourmet.

Eles eram meus fornecedores de coffee break e de café da tarde para o co-working. No entanto, eles tiveram um desentendimento entre os sócios e decidiram fechar o negócio – e só me avisaram 20 dias antes de fechar.

Como eu tenho uma fila de espera gigante no co-working, vim aqui medir pra saber a oportunidade que eu tinha para alugar, transformar o espaço em sala de reunião. E daí eles me deram a notícia: ‘na verdade, a gente vai passar o ponto. Então vamos vender de porta fechada. Você vai ter que comprar tudo, todos os equipamentos, geladeiras, freezers. Então não dá pra você fazer seu co-working aqui’.

Voltei, pensei mais uns 40 minutos e falei: ‘consigo comprar’. Falei para dois amigos: estava pensando em comprar a Romã e pensei em transformar em um co-working culinário. O que vocês acham? Todo mundo disse: ‘nossa, cara!’. Aí eles já entraram de sócios. Um outro amigo meu que estava do lado escutou a minha ligação, disse: ‘eu quero também’.

E quando eu vim falar com esse sócio que me avisou, ele disse: ‘não, espera, eu também quero’. Então um dos sócios do Romã continuou sendo sócio. Somos seis sócios no total (Adriana, André, Luciano, Rafael, Ricardo e eu). Para mim, era só botar para funcionar o conceito, para eu testar mesmo. E, para eles, uma parceria legal. O André teve uma experiência prévia no setor. E a gente se divide nas tarefas: sou o cara mais de marketing e ação, muito mais o co-working, e o André é o cara que entende dos equipamentos, ele já era sócio no Armazém Gourmet, é quem entende de comida.”

 

“Você precisa do timing certo para fazer essa cultura funcionar”

 

Primeira experiência no mundo

“É a primeira experiência do gênero no mundo, na minha opinião.  Pela pesquisa que eu fiz, a mesma que a revista Veja fez depois, com certeza é a primeiro da América Latina. Tem dois caras fazendo isso em São Francisco, que não abriram ainda. E isso é um pouco mais comum na França: eles têm um cenário mais propício para cozinhas.

Lá existem cozinhas coletivas: amigos fazem ou alugam uma cozinha industrial e cozinham juntos. Mas não é um co-working, não é uma coisa aberta, para vender e usar. Alugar a cozinha, ter um balcão, uma equipe para te servir e vender, o House of Food é a primeira experiência mundial nesse sentido.”

O que empreendedores e clientes podem esperar

“Empreendedores podem esperar chegar numa cozinha top, profissional, com tudo o que uma cozinha tem. Você tem que só trazer sua receita, os ingredientes e botar a mão na massa. Para os clientes, é esperar uma comida nova a cada dia. Porque quando o negocio começar a rodar de vez, porque a gente esta só em fase de teste, eu nem estou alugando ainda, mas já tem cinco reservas.

Quando a coisa começar a rodar mesmo, provavelmente eu vou ter uma Batalha de Chefs. Eu falo que vão ter dois chefs aqui disputando uma data e os próprios clientes determinam quem vai ser o chef, por votação. Se lotar, eu não vou dar preferencia para o chef eu mesmo. Claro que eu vou ter minha curadoria, mas a opinião do público vai interferir até mais.”

 

Infra-estrutura

“A despensa pode ser usada pela empresa. Tem uma coisa ou outra muito específica, mas de resto, a gente tem tudo. Veio um cara aqui que faz pães e falou: ‘poxa, mas você não tem uma masseira’. É, eu realmente não tenho uma masseira. Acho que o meu percentual de clientes que virão aqui para fazer pães será, no máximo, de 5%. E ele é um desses 5% por cento. Eu disse: ‘eu posso dar um desconto no preço do aluguel da cozinha, para você comprar a masseira’. Ter uma mega masseira para pães não é o meu alvo.”

“É possível fechar não só a cozinha, mas o ambiente inteiro para eventos”

Público-alvo

“A intenção é a gente alinhar chefs e amadores. Eu tenho muitos públicos, obviamente, mas eu determinei cinco atores que ficam bem fáceis de explicar. Esse amador, minha vizinha, que vai vir aqui experimentar.

E um Atala da vida, que não vai fazer um hambúrguer no Dalva e Dito ou no D.O.M. Ele não pode experimentar esse tipo de coisa lá, é arriscar o cardápio dele. Mas ele pode vir aqui, se apropriar da casa, por um dia ou uma semana, e falar: ‘é o D.O.M. em Pinheiros, o Atala em Pinheiros’.

E tem até o pessoal do Food Truck, para fazer o pré-preparo. É um pessoal pertinente, e tudo o que eles fazem (a maioria) é em casa. O Buzina eu sei que tem uma cozinha dessa, mas tem muita gente que é realmente amadora e faz em casa o processo de pré-preparo.

Entre eles, ainda tem o público de treinamento mesmo, escolas de culinária, pequenas turmas fazendo aqui. E se você vai para uma escola de marcenaria e no final leva uma cadeira pronta, por que não vir aqui, fazer a comida, vender e levar o dinheiro?

Às vezes você pode até recuperar o dinheiro que investiu no curso. E do outro lado eu tenho sous-chefs e assistentes, pessoas que já têm experiência, não são reconhecidas para o mercado, não têm um nome, mas já pensam em ter um próprio negócio, talvez seja o primeiro passo para eles testarem se já têm maturidade para isso. “

 Eventos

“O Raphael Despirite já reservou quatro semanas para o ‘Fechado para Jantar’. É possível fechar não só a cozinha, mas o ambiente inteiro para eventos. A intenção é que funcione todos os dias, se não tiver chef, não vou ter comida para servir, infelizmente.

O bar sempre vai funcionar. Provavelmente, como eu estou contratando o meu líder de atendimento, que vai ser alguém da Gastromotiva, a Gastromotiva sempre vai assumir quando não tiver agendamento, para poder dar foco a algum dos alunos. O aluno vem aqui vender. A ideia é, sim, funcionar de sábado a sábado.”

house of food 3 - InfoodIdealizador do House of Food, Wolfgang Menke é um dos seis sócios do negócio

Feedback inicial

“O próprio Desperite veio aqui para conhecer e fazer o agendamento das coisas. Eu ofereci um teste para ele na quarta passada. Ele usou para fazer as coisas dele mesmo, ele estava com uma proposta nova para o ‘Fechados para Jantar’ , testou as receitas aqui, viu a aceitação do público e falou: ‘vou fechar’. Ele elogiou a cozinha e disse que tem tudo o que é necessário.”

Gastromotiva

“A Gastromotiva é uma rede gigante que tem diversos apoiadores. Só de contratar pessoas dele você já é um apoiador. Eles têm o foco em formar pessoas não só pensando em culinária, mas realmente formar cidadãos e fazer transformação social através da culinária.

E a gente tem um apelo grande com isso. A House of Work foi escolhida pelo programa Yunus de Social Business para fazer um trabalho maior nas periferias. Desde o começo pensei nisso como estratégia. A Gastromotiva oferece isso. Além da transformação, a Gastromotiva oferece grandes profissionais. E além de um funcionário que vai poder usar a cozinha quando estiver vazia, a Gastromotiva pode fazer eventos aqui, se o dia estiver disponível, eles vão poder usar e não vão pagar nada.”

 

O House of Food é localizado na rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 57
Serviço:

House of Food 
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 57
site - http://www.houseofall.co/food 
facebook - https://www.facebook.com/house0ffood/?fref=ts

Texto: Vinícius Andrade
Fotos: Fernanda Moura

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