Economista e advogado por formação, o restaurateur e empresário João Luiz Garcia, mais conhecido como Janjão, comanda a Casa Carandaí e o Lorenzo Bistrô, ambos localizados no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, fundados após sua retirada da sociedade do Garcia & Rodrigues.

Entrou na gastronomia pela influência da família. “Aos 17 anos fui fisgado para cozinhar em barcos à vela, fiz centenas de regatas mundo afora.” Começou sua carreira na indústria alimentícia como economista, onde acabou responsável por estratégia, novos negócios e desenvolvimento de produtos, mas sua paixão estava distante dos números, seu hobby era a alta gastronomia e os vinhos.

Em 1997, como ele mesmo diz, “chutou o balde” e, aos 44 anos, abriu seu primeiro negócio na gastronomia. Surgia então o Garcia & Rodrigues, um empreendimento gastronômico que reunia: delicatessen, rotisseria, padaria, confeitaria, restaurante, adega e loja de utensílios de cozinha. O finado projeto enfrentou dificuldades e o restaurateur deixou a sociedade no ano de 2000 em função de desentendimento com os sócios. Seu negócio seguinte na gastronomia foi a pizzaria Fiammeta, de onde também se retirou por conta de problemas na sociedade.

Ao contrário do que se imagina, os problemas dos dois projetos não o afastaram do sonho, e um trabalho de consultoria acabou se transformando no Lorenzo Bistrô e no casamento com Nick Barcellos, antiga proprietária do restaurante. Apesar dos problemas, o empresário pensa em ter novos sócios e fala dos cuidados numa sociedade: “Não tenha sócios que procurem o glamour deste ramo ou investidores que pronunciam Equity. São pura pressão, não acho bacana.”

Sua paixão pela gastronomia se revela no arrojo de vender seu único imóvel para lançar a Casa Carandaí, uma vitrine para a excelência dos produtos brasileiros. Resultado do trabalho de Janjão, que viajou o país para desenvolver o  mix de produtos do empório.

Em entrevista à  INFOOD, o restaurateur, grande conhecedor do ramo gastronômico, fala da importância em observar o mercado, e conta como enfrentar as dificuldades que o setor vive. Com a experiência de quatro empreendimentos no ramo, podemos dizer que  é a paixão pela gastronomia que o move.

INFOOD – Como e quando descobriu sua paixão pela gastronomia?

Janjão – Cozinho desde adolescente, minha família tem esta tradição. Aos 17 anos fui fisgado para cozinhar em barcos à vela, fiz centenas de regatas mundo afora. Fui trabalhar na indústria alimentícia como economista, mas acabei sendo responsável por estratégia, novos negócios e desenvolvimento de produtos. A alta gastronomia e os vinhos eram meu hobby. Viajava muito, vivia com chefs que davam consultorias aos grandes restaurantes do mundo, em feiras, etc… Aos 44 anos, 1997, chutei o balde e criei o Garcia & Rodrigues.

INFOOD – De toda sua experiência como restaurateur, o que é preciso para que um restaurante dê certo? Que cuidados devemos ter?

Janjão – Dei consultoria a supermercados, inventei as pizzarias em lojas, O EAT-IN, dei consultorias a shopping centers… Conheço muito do ramo. Meu maior conselho: olhar o mercado, observar seu nicho alvo e se o conceito de produto/ serviço bate com isto, atende. Depois, é operar com olho nos números.

INFOOD – Com sua saída do Garcia & Rodrigues, qual seu maior aprendizado? Quais os maiores problemas que enfrentou ali?

Janjão – O investimento era muito alto, tentei algo que já havia feito para a indústria alimentícia, que é pulverizar. Não dá! Conceito e percepção do mercado não podem se dispersar. Há exemplos como o da Cia Geral do Comercio (Braz, Astor etc…) que funcionaram, mas em 90% dos casos, não dá certo.

INFOOD – No Lorenzo Bistrô e na Casa Carandaí, você teve como sócia sua mulher Nick Barcellos, e atualmente sua filha Mariana Garcia de Souza também trabalhando junto. Como é trabalhar em família?  Quais seus aprendizados na seleção de sócios?

Janjão – Adquiri a parte do espólio da Nick. Tenho uma empresa familiar conduzida de forma profissional. Penso em admitir um, talvez dois sócios, para ter massa crítica e outras ideias, mas só considero gente do ramo. Não tenha sócios que procurem o glamour deste ramo ou investidores que pronunciam Equity. São pura pressão, não acho bacana.

INFOOD – Como surgiu a ideia de abrir a Casa Carandaí?

Janjão – Já vendíamos vinhos para clientes do Lorenzo Bistrô, e o mercado queria comprar nossas massas frescas – que produzíamos até então apenas para consumo no restaurante. Foi um caminho natural. Adoro produto alimentício de qualidade.

Casa Carandai_ambiente II_foto Rodrigo Azevedo 2-mO mix de produtos da Casa Carandaí é fruto das pesquisas pelo Brasil do restaurateur

INFOOD – É verdade que você vendeu sua única casa para investir na Casa Carandaí?

Janjão – Sim, acreditava muito na ideia. Meu filho, que mora em São Paulo, ficou seis meses falando mal comigo, ouvi críticas de todos os lados. A Nick, minha esposa na época, tinha o apartamento próprio dela. Sou apaixonado por isto, é minha razão de vida! Não queria sócios pois a ideia tinha muitos desdobramentos, e não queria ter pressão para acontecer.

INFOOD – Há três anos você investiu na abertura da Casa Carandaí, um empório gourmet de alto padrão. Contou com algum tipo de financiamento? Você já conseguiu o retorno desse investimento? Se sim, após quanto tempo?

Janjão – Ainda não tive retorno. Vendi um apartamento, peguei dinheiro com banco, dois amigos pagando juros, e fiz REFIS dos impostos. Também consegui algum dinheiro do Banco do Brasil para a compra de equipamentos nacionais pagando TJLP.

Casa Carandai e Lorenzo Bistro_Janjao Garcia I_foto Rodrigo Azevedo edA alta gastronomia e os vinhos eram o hobby do economista que, mais tarde, deixaria a carreira para empreender

INFOOD – Falando em rentabilidade, qual a meta para seus empreendimentos hoje?

Janjão – 8% sobre venda bruta será ótimo. Não há poder aquisitivo e a situação irá ainda piorar.

INFOOD – O que mais pesa nos custos para quem tem um negócio voltado para a gastronomia?

Janjão – Mão de obra, energia, impostos e aluguel – nesta ordem. Se estiver localizado em shopping, o aluguel vai pra segundo lugar.

INFOOD – Quais os seus próximos passos ? Pretende abrir outro empreendimento ou filiais das suas casas?

Janjão – O Lorenzo é um bistrô único, o melhor do Rio – talvez do Brasil. Não dá para ser reproduzido. A rentabilidade é baixa, mas é showroom, uma vitrine dos produtos da Casa Carandaí.

Lorenzo Bistro_Ambiente II_Tomas Rangel (7)Bistrô Lorenzo funciona como um showroom dos produtos da casa Carandaí

INFOOD – É difícil empreender no Brasil? Quais os maiores desafios do setor?

Janjão – Dificílimo! Não há crédito, a concentração está em cinco bancos, os impostos são altos e complicados, a legislação trabalhista é cara (INSS) e só pensa no empregado. E ainda temos uma baixíssima produtividade da mão de obra (aqui precisamos de mais 30% de empregados que o mesmo restaurante na Europa ou nos EUA).

 

Serviço:
Café Carandaí – Rua Lopes Quintas, 165 – Jardim Botânico. Tel. 3114-0179. www.casacarandai.com.br/
 Lorenzo Bistrô – Rua Visconde de Carandaí, 2 – Jardim Botânico. Tel.2294-7830. http://www.lorenzobistro.com.br/

 

Redação

 

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