Muito se tem falado sobre os alimentos orgânicos nestes últimos tempos. Mas, afinal, o que são alimentos orgânicos?

São alimentos isentos de todo tipo de insumos artificiais, como os adubos químicos e os agrotóxicos, drogas veterinárias, hormônios, antibióticos e organismos geneticamente modificados (transgênicos). Também não sofreram uso de radiações ionizantes (que produzem substâncias cancerígenas) e aditivos químicos sintéticos como corantes, aromatizantes, emulsificantes e outros.

Segundo a legislação vigente, agrotóxicos são produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, utilizados nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens, proteção de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais.

O agrotóxico visa alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. Também são considerados agrotóxicos as substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.

Na agricultura orgânica, não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente.

Segundo o Ministério da Agricultura, para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, repeitando as relações sociais e culturais.

O Brasil, em função de possuir diferentes tipos de solo e clima, com uma biodiversidade incrível aliada a uma grande diversidade cultural, é sem dúvida um dos países com maior potencial para o crescimento da produção orgânica.

O produtor orgânico deve fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos. Há normas para que o produto receba o selo  de orgânico e possa ser comercializado no varejo.

 Os agrotóxicos e seus efeitos – As más notícias

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, de acordo com o Relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A agropecuária brasileira é campeã mundial em uso de agrotóxicos, representando mais de um terço das emissões nacionais de gases de efeito estufa e é a principal responsável pelo desmatamento da Amazônia e do Cerrado, segundo o Greenpeace.

Em levantamento feito pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aponta-se que quase 30% dos principais alimentos da cesta brasileira apresentaram irregularidades no uso de defensivos agrícolas em 2012, última divulgação oficial de análises de alimentos realizada pela Anvisa.

Todos nós consumimos agrotóxicos. Eles estão nos alimentos que comemos, na água que bebemos, na roupa que vestimos. A agricultura brasileira é hoje dependente de herbicidas, fungicidas e inseticidas, aplicados com baixo controle e com alto impacto a quem produz e a quem consome. Esse dado é alarmante!

Quais os danos que os agrotóxicos podem causar?

As informações não são ainda suficientes, e pouco seguras para atestar a toxicidade desses produtos. Há uma grande variedade de produtos, dosagens utilizadas e possíveis interações com outros agentes físico-químicos. É preciso mais pesquisas, principalmente na área da nutrição. Temos, hoje, mais pesquisas na área de Saúde Coletiva.

Com base em alguns estudos científicos já realizados, Azevedo e Rigon (2010) e por Powlson al. (2008), os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde humana são imunodepressão, mal de Parkinson, depressão e outras desordens neurológicas, aborto e problemas congênitos, alguns tipos de câncer (especialmente os hormônio-dependentes), infertilidade, má formação congênita, sintomas respiratórios, esterilidade em adultos, câncer de bexiga, ovário, útero e colo retal e um tipo de anemia em bebês. Alguns estudos também sinalizam manifestações clínicas (rinite, urticária, angioedema, asma e alergias) provocadas pelos aditivos químicos sintéticos, em particular pelos corantes artificiais. Lembrando que os efeitos dos agrotóxicos são cumulativos no nosso organismo.

Hormônios e Antibióticos

A grande preocupação hoje, no consumo de carnes em geral, é com o uso de antibióticos nos animais vivos. Os animais mantidos em confinamento têm maiores chances de desenvolver doenças. Os frangos, por exemplo, se bicam e as feridas são fácil entrada de agentes contaminantes. Uma avaliação que ganha força é que o uso exagerado desses fármacos podem contribuir para o surgimento de bactérias e outros microorganismos cada vez mais resistentes a remédios.

Tanto a quantidade e tipo de produtos utilizados são determinados pelas autoridades sanitárias, mas, mesmo assim, especialistas têm alertado para a necessidade de se reduzir o volume de medicamentos, que vêm crescendo em todo o mundo.

“A resistência aos antibióticos está se desenvolvendo e se espalhando a uma velocidade que não pode ser contida (…) Se não forem tomadas medidas urgentes para reduzir o consumo global de antibióticos, podemos enfrentar um regresso a uma era na qual as infecções simples podem matar”, alerta a ONG Consumers International, que congrega 240 organizações de defesa de consumidores, de 120 países.

Sobre os hormônios, a utilização dos produtos jamais foi permitida no Brasil. Mesmo assim, há uma crença na população de que, principalmente os frangos, teriam sido tratados com hormônios devido à velocidade do seu crescimento.

Apenas com uma fiscalização rigorosa seria possível controlar o uso de antibióticos, hormônios, agrotóxicos, tanto em termos de tipo utilizados quanto em quantidades.

É possível eliminar os resíduos de agrotóxicos nos alimentos?

Infelizmente não. A grande maioria dos agrotóxicos é metabolizada até a semente. O que conseguimos é retirar o excesso contigo na casca, através do processo de lavagem. Retirando a casca do alimento, seria possível eliminar uma quantidade maior de resíduos certo? Sim, no entanto, grande parte do valor nutricional de um alimento, entre eles as fibras, estão na casca dos alimentos.

Vantagens dos orgânicos

A vantagem das frutas e vegetais orgânicos está nos níveis de pesticidas. Ou seja, alimentos de alto valor biológico sem acréscimo de “venenos”. Além disso, duram mais e têm um valor nutricional equilibrado e características sensoriais originais. As pessoas mais sensíveis geralmente notam a presença de resíduos de agrotóxicos. O sabor do orgânico é o original!

Outras características dos orgânicos também merecem destaque: maior durabilidade, aspectos sensoriais – cor, sabor e textura mais agradáveis, e maior durabilidade. O valor nutricional dos produtos orgânicos também merece destaque. A maior parte dos não orgânicos recebe aditivos químicos, permanecendo por menos tempo no solo. Ao contrário dos orgânicos, que levam mais tempo para serem colhidos e amadurecerem, sugam mais nutrientes do solo. Por isso, tornam-se mais saborosos e saudáveis.

Alimentos orgânicos são cultivados em um solo saudável, enriquecido com adubos orgânicos e rico em muitos tipos de minerais. A qualidade do solo faz toda diferença no produto final. O solo é o “alimento” dos orgânicos. Ainda há poucas pesquisas realizadas, mas já comprovam a superioridade de minerais dos orgânicos. Existem estudos mostrando que o teor dos minerais nos alimentos diminuiu muito por causa dos métodos da agricultura convencional, que deixa o solo pobre em minerais.

Ao analisar os vegetais cultivados convencionalmente, à base de fertilizantes sintéticos, verifica-se um desequilíbrio interno na planta. Esses vegetais têm nitrogênio em excesso, acabam atraindo mais pragas e, por consequência, é preciso usar mais agrotóxicos para combatê-las.

Os vegetais são o grupo de alimentos conhecido como reguladores, onde o grande destaque são as vitaminas e os minerais, ou seja, se um vegetal possui maior quantidade de minerais, possui as características e finalidade a que se destinam.

Também é comprovado por meio de pesquisas a maior quantidade que os alimentos orgânicos têm de fitoquímicos, substâncias como isoflavona e licopeno. Essas substâncias têm diferentes funções no nosso organismo, principalmente a de antioxidante. Já na planta, elas funcionam como um sistema de defesa, ou seja, o sistema imunológico da planta produz fitoquímicos. Os vegetais orgânicos têm que desenvolver um sistema de defesa mais eficiente já que não recebem o agrotóxico que controla as doenças. No caso de alimentos de origem animal, os orgânicos têm, comprovadamente, gordura de melhor qualidade, porque os animais criados organicamente têm a possibilidade de caminhar, ciscar, se movimentar. Várias pesquisas comprovam que os alimentos orgânicos de origem animal têm taxas iguais de ômegas 3 e 6, maior teor de ácidos graxos insaturados (gorduras boas) e menores teores de ácidos graxos saturados (gordura ruim), ou seja, o teor de gordura de proteína animal orgânica não é maior nem menor, e sim melhor. Já as carnes orgânicas, apresentaram menor incidência de bactérias resistentes a antibióticos.

Aumento da procura por orgânicos

O aumento da procura por esses produtos tem acontecido por dois motivos principais. O primeiro seria a preocupação com a saúde. As pessoas têm procurado alimentos de melhor qualidade que tragam benefícios à sua saúde.

O segundo seria a preocupação com o meio ambiente. Temos visto um grande número de pessoas com hábitos alimentares e sócio-culturais alternativos, seja por convicções de ordem afetivas e sociais e, algumas vezes (essa em menor escala), de ordem religiosa.

O custo

Hoje, o custo final desse produto ainda é alto, principalmente os vendidos em grandes redes de supermercados. As feiras livres, onde é possível comprar diretamente do produtor local, geralmente têm o preço mais baixo.

Um produto de melhor qualidade, em qualquer segmento, tem o preço maior, e isso também se aplica ao orgânico. Orgânicos custam mais porque sua produção é mais cara. Um produto que exige um controle minucioso de pragas e maior quantidade de mão de obra envolvida – maior número de trabalhadores por volume produzido. Geralmente são operados por pequenos produtores, o que elimina a economia de larga escala. A procura de produtos orgânicos ainda é pequena em relação à demanda da população.

Apesar de muitos pensarem o contrário, produzir alimentos orgânicos é um desafio aos agricultores, necessitando muita criatividade e pesquisa para continuar operando de forma econômica.

Além disso, o menor volume transportado, a menor escala de produção torna o produto final ainda mais caro.

Quando falamos em custo, precisamos também analisar o custo benefício do produto orgânico. Esse é inquestionável. Se, por um lado, temos um produto com o valor comercial alto se comparado a um produto convencional, temos a qualidade do orgânico muito superior.

O valor agregado ao consumo de um produto orgânico é imenso. Ao comprar e consumir um orgânico, estamos contribuindo para nossa saúde e com o produtor/agricultor, inclusão social do agricultor familiar, solo, água e meio ambiente de maneira geral.

Cardápio

Hoje é possível montar um cardápio completo com produtos orgânicos. Vegetais folhosos, legumes, frutas e cereais hoje são encontrados com muita facilidade no varejo e feiras livres, sendo possível comprar diretamente de produtores locais.

Com os produtos perecíveis, a disponibilidade é um pouco mais restrita. Carnes, frango, leite e ovos exigem um maior controle no manuseio e transporte, pois se degradam com grande facilidade. São produtos que exigem maior cuidado, ficando mais difícil para o pequeno produtor local.

9 Motivos para consumir Alimentos orgânicos

  1. É melhor para a saúde de quem consome.
  2. É melhor para a saúde dos manipuladores/agricultores.
  3. É melhor para saúde do planeta: água, solo, ar/clima, animais, biodiversidade (respeitando plantas nativas).
  4. Apoio a um processo de transição ecológica e de proteção às futuras gerações.
  5. São alimentos de melhor valor nutricional, com sabor original (mais saborosos).
  6. São alimentos com maior durabilidade.
  7. São alimentos com textura e cor preservadas originais.
  8. São alimentos com menor quantidade ou livre de agentes contaminantes.
  9. Promove-se a qualidade de vida dos pequenos agricultores, tornando as cidades mais saudáveis.

 

Texto: Daniella Zenga Carrenho – Nutricionista Clínica
danicarrenho@gmail.com
Blog: tomatelistrado.blogspot.com
Instagran: danicarrenho
Facebook: Daniella Zenga Carrenho
Atendimentos e Palestras em Vinhedo e Valinhos e região – SP

Deixe uma resposta

Semana 49# Os restaurantes de cozinha vegetal ganham mercado

Publicidade
Publicidade

Para receber a newsletter Infood, digite seu e-mail no box abaixo e clique na seta.

© 2017 Infood - Todos os direitos reservados