A FCSI – Foodservice Consultants Society International é uma sociedade de profissionais que atua com consultoria para ajudar quem pretende lançar um novo negócio em gastronomia.

São profissionais que oferecem serviços de consultoria de gestão (Management Advisory Service/MAS) e que atuam com projetos de cozinha (Kitchen Design /KD).

A FCSI é um sociedade sem fins lucrativos atuando em 48 países, entre eles no Brasil, e conta com 1.500 membros no mundo, sendo que no Brasil são 20 membros.

Na última FISPAL, a Infood acompanhou o trabalho da FCSI. Seu estande atendeu empreendedores, tirando dúvidas sobre seus projetos. Foi uma ação de grande sucesso, chamada ‘Fale com o Especialista’.

O uso de corretores pode ajudar o empreendedor do mercado da gastronomia a evitar muitas falhas: “Erros como ter pressa no projeto, escolher o imóvel errado, não ter um conceito claro. Não escutar outros profissionais, não testar modelos. Posso dizer que onde se erra mais é no planejamento”, explica Marco Amatti.

Para esclarecer mais as funções desta atividade, e como usar bem os serviços de um consultor, nós conversamos com Marco Amatti, CEO da Mapa Assessoria, especializada em negócios em alimentação fora do lar e um membro profissional da FCSI no Brasil.

INFOOD – Como um consultor pode ajudar quem pretende montar um negócio em gastronomia?

MARCO AMATTI –  É preciso estabelecer algumas premissas para quem trabalha com consultoria. O consultor que segue o pensamento da FCSI é um consultor que prima pela educação continuada, participa de feiras e está sempre estudando. Ele tem uma atitude ética, como por exemplo, não recebe nenhum tipo de benefício financeiro de  fornecedores. Isto é algo proibido para um membro FCSI. Quem remunera o consultor que trabalha na filosofia FCSI É sempre o cliente.

O foco de nossos membros é o cliente. E, desta forma, podemos recomendar que o cliente não faça uma ação, que guarde seu dinheiro, pois nosso objetivo é atender o cliente.

Marco Amatti, CEO da Mapa Assessoria e membro profissional da FCSI

INFOOD –  Vocês pode nos explicar os dois tipos de consultoria que oferecem?

MARCO – Oferecemos a MAS, que é a Management Advisory Service, consultoria em gestão que envolve contabilidade, finanças, gestão de pessoas, e a consultoria operacional na cozinha. Também oferecemos a consultoria KD, que é a Kitchen Design, na orientação do projeto da cozinha  do seu empreendimento.

INFOOD – Onde os empreendedores do mercado gastronômico cometem os maiores erros?

MARCO – Para responder, vou ter que ser bem generalista, agrupando diversas questões em 3 principais erros gerais. Em primeiro lugar, temos erros terríveis no planejamento. Erros como ter pressa no projeto, escolher o imóvel errado, não ter um conceito claro. Não escutar outros profissionais, não testar modelos. Posso dizer que onde se erra mais é no planejamento.

O segundo erro ocorre na execução. O empreendedor não acompanha bem os processos. Contrata mal o empreiteiro ou  não faz a correta gestão de custos. São erros também muito comuns que comprometem o sucesso do trabalho.

E o terceiro grande erro e a falta de uma visão operacional. Isto também é muito comum. Nós vemos alguém montar um projeto bacana, mas ele não pensa nas operações.

INFOOD – Outro grande problema também é a falta de gestão?

MARCO – Para mim, tudo se resume a gestão. Nos projetos de alimentação fora do lar, temos três problemas básicos: ambiente, atendimento e produto. Estes três pontos são enquadrados no que chamamos operação. Mas, perceba que elas estão ligadas às questões que falamos antes: planejamento, execução e operação.

Se você fizer um plano e  desenhar um esquema, perceberá que os problemas têm intersecções. Dificilmente o projeto tem um problema só. Dificilmente é apenas um problema de ambiente. Sempre existem relações com o produto ou serviço. As coisas se misturam. Mas, sem medo de errar, o maior problema de gestão do empreendedor é com a gestão de pessoas.

INFOOD – Temos visto que um empreendedor experiente leva seis meses para montar um restaurante. Já um empreendedor sem experiência vai precisar de um ano. Você concorda?

MARCO – Eu vou além. Nos atendimentos que fiz na Fispal, para o projeto ‘Fale com o Especialista’, atendi um empreendedor de fora de São Paulo. Ele é funcionário público aposentado com uma boa renda, e me disse que quer montar um negócio em setembro. Eu perguntei porque setembro, já que estamos muito próximo desta data. Ele me disse que está bem financeiramente, mas como se aposentou, não aguenta mais ficar sem fazer nada. Como falei antes, é a história da pressa.

Eu expliquei que há muito trabalho para fazer. Para montar o projeto, ele vai precisar fazer muita pesquisa e um bom planejamento. Eu tenho trabalho para ocupá-lo o dia inteiro. Agora, não é correto correr com uma obra. Ele pode fazer com calma e abrir o negócio só no ano que vem.

Durante a FISPAL, a FCSI montou uma ação especial para ajudar empreendedores

INFOOD – A pressa então é um dos grandes problemas?

MARCO – Em geral, as pessoas alugam um imóvel e depois vão ver o que vão fazer. Este também é um erro comum. O sujeito fica pagando um aluguel, sem ter o negócio pronto, portanto, sem poder gerar receita.

Eu tenho um cliente que está com o projeto pronto, e ainda não tem um ponto. Eles estão ensaiando o produto. Trabalhando na apresentação e na marca. Eles têm um projeto de loja, mas já têm um conhecimento operacional, e todos os estudos de viabilidade. Já  sabem quanto vão ter que vender para atingir o ponto de equilíbrio e nem alugaram um o imóvel ainda.

INFOOD – Em nossas pesquisas, percebemos que o empreendedor não se preocupa muito com a escolha do  ponto de venda. Isto é ou não importante?

MARCO – O ponto é muito importante. Mas, as vezes, surge uma oportunidade, um bom ponto de venda ou um imóvel com um custo baixo de aluguel, e você acaba invertendo o processo.

Eu tenho um cliente que alugou uma casa e está usando como cozinha de apoio. Ele entendeu que o ponto era uma oportunidade e não queria pensar. Ele garantiu o ponto comercial, alugou e montou uma cozinha de apoio e estoque e vai fazer a obra em 8 meses.

INFOOD  – Você disse que o empreendedor não escuta. Por que isto acontece?

MARCO – As pessoas confiam muito na sua capacidade. Para você ter uma ideia, para cada trabalho que eu pego de abertura de um novo negócio, tenho 15 de reestruturação de negócios na minha empresa. Nós trabalhamos muito mais com recuperação de empresa do que com abertura.

INFOOD – E quando você percebe que não dá para salvar?

MARCO – Quando o percebemos que o negócio está numa situação muito complexa, o melhor é orientar a venda da operação. Assim preservamos a saúde dos sócios e o relacionamento das pessoas envolvidas. Mas devo dizer que não tem verdade absoluta no trabalho do consultor.

Existem profissionais que trabalham colocando-se numa posição de “prima dona”, de donos da verdade. Mas a verdade é que muitos problemas são parecidos e têm até uma solução igual, mas o caminho para esta solução é diferente.

Orientação de um membro FCSI para empreendedores na ação ‘Fale com um Especialista’

INFOOD – Como surgiu a FCSI?

MARCO –  Ela surge há setenta anos, com um grupo de profissionais nos Estados Unidos. Foi por volta do anos 70 que ela assumiu este formado como uma sociedade de profissionais. Ela foi formada por profissionais que trabalhavam no food service.

Foi formada primeiro com pessoas que trabalham na área de Foodservice, mas depois se organizou criando os padrões, standards para a classificação profissional dos seus associados.

INFOOD – Qual é a missão do FCSI?

MARCO – Nossa missão é promover o profissionalismo no mercado de consultoria de Food Service e hospitalidade, devolvendo para os nossos associados o máximo de benefícios. Benefícios em relacionamento, educação e evolução.

INFOOD – Hoje o Brasil conta com quantos consultores da FCSI?

MARCO –  O primeiro associado no Brasil ocorreu entre 2004 e 2005, e até 2014 ficamos assim com apenas um associado. A partir de 2014, passamos por um crescimento grande e em 2017 chegamos a 20 membros no Brasil. A previsão é chegarmos em 25 associados até o fim do ano.

Nossos consultores ainda estão muito concentrados em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas esperamos em breve aumentar os membros para outros estados do Brasil.

INFOOD – O que é preciso para ser um consultor FCSI?

MARCO– Primeiro é necessário ter formação  adequada e, em segundo lugar, experiência e conhecimento. É preciso ter vivência como consultor. O profissional entra como associado e depois ele vai evoluindo dentro da sociedade até atingir a categoria de membro profissional.

INFOOD – Como um profissional pode fazer para se associar?

MARCO – Ele faz isto no site, é muito fácil.  Para poder se tornar um membro, ele deverá enviar toda a documentação em inglês.  Se a pessoa precisar de alguma orientação, pode entrar em contato comigo. Vou disponibilizar um e-mail de contato (veja no final da matéria).

INFOOD – Existem três níveis para os membros da FCSI. Qual é a diferença?

MARCO– Os níveis são de tempo de participação do membro. Na entrada, ele é um membro associado. No nível intermediário, ele é um membro sênior, e o membro de maior experiência, é um membro profissional.

INFOOD – Como o consumidor pode encontrar um consultor FCSI?

MARCO –  No site FCSI (www.fcsi.org) você pode buscar um consultor. O conteúdo está inglês, mas pode-se usar o serviço de tradução e encontrar um profissional. Você deve optar por uma das categorias MAS – consultoria de gestão ou KD – consultoria de projeto de cozinha.

Página da FCSI na internet, com as informações dos membros da FCSI Brasil

 

Serviço:
FCSI – Foodservice Consultants Society International
site – www.fcsi.org
Informações adicionaisMarco Amatti – info@mapaassessoria.com

 

 

Por Redação

Fotos - Fernanda Moura

 

 

Deixe uma resposta

Semana 29# Os ensinamentos do sucesso da hamburgueria Pão com Carne

Publicidade

Publicidade
-->
-->

Para receber a newsletter Infood, digite seu e-mail no box abaixo e clique na seta.

© 2017 Infood - Todos os direitos reservados