Hoje inicio uma nova jornada, na qual vou falar de bebidas, cervejas, destilados e, é claro, dos bares locais que fazem do serviço de bebidas a sua excelência. Neste primeiro artigo, resolvi falar sobre o mercado e a oferta de cervejas no Brasil.

Vivemos no Brasil uma crise econômica que afetou e muito o consumo. Contudo, de forma contrária, estamos no momento em que mais cresce a oferta de cervejas, com o lançamento de várias cervejarias no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. A crise fez com que várias pessoas investissem num segmento que cresce ano a ano, o de cervejas artesanais.

O brasileiro, nas épocas de vacas gordas, aproveitou para viajar, e trouxe muito mais na bagagem do que apenas cultura e lembranças. Veio com ele o gostinho da novidade, seja por comidas ou bebidas diferentes.

Falamos em cervejas diferentes. Mas, como, se a é receita milenar e que não mudou nada nesses milhares de anos? Água, malte, lúpulo e leveduras… O ingrediente novo que o brasileiro encontrou chama-se variedade.  A começar pelas cores – cervejas amarelo palha, amarelo ouro, avermelhadas, castanho claro e escuro e negras; depois pelos aromas diversos de frutas, especiarias, ervas, flores e defumado; e não podemos de esquecer do sabor onde a doçura, acidez e o amargo destacam-se de forma única.

Mercado de cervejas importadas

Esse consumidor ficou exigente e as cervejas à disposição nas gôndolas dos mercados e nas geladeiras zero grau dos bares já não eram suficientes. Ele estava ávido por novidades, e primeiro vieram as importadas; cervejas que já trabalhavam a memória afetiva dos locais viajados, a possibilidade de dividir com o amigo aquela cerveja de determinada foto ou simplesmente poder bebê-la novamente.

O mercado de importadas teve seu grande momento entre os anos de 2008 e 2015, com cervejas de vários países como: Bélgica, Holanda, Estados Unidos, Inglaterra, Escócia, Dinamarca, República Tcheca e Alemanha. Uma verdadeira revolução de possibilidades, traduzindo-se em estilos de cervejas diferentes. Mas, o que é o estilo? Nada mais do que a categoria que aquela cerveja foi produzida, tendo cada estilo sua característica que a determina, em cor, aromas, gostos e volume alcoólico.

Bares especializados em cervejas especiais

Com esta gama de estilos,  e com disponibilidade no mercado de várias marcas de países diferentes, fez-se a necessidade de existirem bares especializados em cervejas especiais. Estes bares exibiam suas garrafas de todas as formas e tamanhos, rolhadas (que era uma novidade aos nossos olhos), garrafas de 1,5 L 3 L, algo impensável para nós até então, e seus magníficos copos. Sendo que cada cerveja tinha seu copo, e trazia identidade à marca, o que chamo de beleza poética.

Esse consumidor foi amadurecendo e a curiosidade de se beber várias cervejas diferentes levou-o a querer produzir, uma vez que cerveja dá para ser produzida em casa, bastando ter o equipamento necessário. Com isso, vieram os cursos e as associações de cervejeiros caseiros, sendo o Rio de Janeiro vanguardista, com a Acerva Carioca. Hoje existem acervas em vários estados, que fazem seus encontros mensais e um grande encontro anual  para reunir todas as acervas do Brasil num grande encontro, e há um concurso para se escolher as melhores em determinados estilos.

Cervejas caseiras

Esse movimento de caseiros, verdadeiros entusiastas das cervejas, fez com que aparecessem os primeiros empreendedores e o desejo de poder compartilhar suas cervejas com o máximo de pessoas possíveis.

Neste momento, aparecem vários empecilhos, e o maior,no Brasil é o valor de uma planta cervejeira, que assusta num primeiro momento, pois é necessário um grande investimento em equipamentos, infraestrutura e logística.

Mas a resposta veio, mais uma vez, do que estava acontecendo mundo a fora, com a cada vez mais popular  “cerveja cigana”, que nada mais é do que o cervejeiro procurar um local que já esteja estabelecido e produzir sua cerveja ali. Isso foi o estopim para iniciar uma grande e impressionante mudança.

Hoje como disse acima, o Rio de Janeiro vive este crescimento; pois várias cervejarias surgem a todo o momento, com cervejas de vários estilos, para todos os gostos. No estado do Rio de Janeiro, atualmente, há 156 cervejarias segundo o MAPA/RJ.

Se voltarmos os olhos para três anos atrás, esse número não era maior que 25. Notamos um crescimento exponencial que não vai parar. Com este número, aumenta-se a oferta no que se refere a estilos de cervejas e de onde encontrar, pois as cervejas  espalham-se por todo o estado em bares, lojas especializadas, supermercados e eventos.

Viva a Revolução !!!

 

Texto: José Honorato


José Honorato  tem 20 anos de experiência como sommelier, formado como Beer Sommelier pelo SENAC-RJ /Doemens Academy. Economista e historiador de formação, ele é consultor em gastronomia e é docente do SENAC-RJ.
Contato – honoratobeersommelier@gmail.com
Facebook – https://www.facebook.com/jose.honorato.568

 

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