O conceito pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de um negócio. Quando uma família ou um grupo de amigos decide sair para comer fora, alguns fatores os farão ficar felizes ou chateados com o passeio. A qualidade da comida é essencial, mas outros elementos também contribuem. O atendimento foi bom? O ambiente combinou com a proposta do restaurante? O tempo passado no local foi agradável? A soma de todos esses elementos determina a experiência do consumidor. E, para oferecer uma experiência positiva, o negócio precisa de um conceito forte e bem resolvido. Então, como um estabelecimento de foodservice pode desenvolver um conceito interessante?

O que é conceito em foodservice e porque ele é importante

O conceito é a ideia principal do negócio ou sua identidade central. Essa filosofia permeia todos os aspectos do empreendimento. Voltando às perguntas hipotéticas acima, é o conceito que determina como será o atendimento (informal, glamouroso, lúdico, etc.), a decoração (rústica, esportiva, minimalista, etc.), entre outros elementos.

Em resumo, toda decisão administrativa passa pelo conceito. Desde o início da obra (Quais acabamentos são adequados? Que equipamento é ideal para o tipo de serviço proposto?) até o treinamento dos funcionários (Qual será a postura no atendimento? Como será o uniforme?). O conceito se fortalece e fica mais claro para o consumidor na medida em que é comunicado coerentemente por todos os pontos de contato: decoração, marca, atendimento, mídias, etc. No final das contas, não é só comida. A experiência é o valor que o negócio entrega ao cliente.

O que faz um conceito ser bom

A importância do conceito para a experiência do consumidor e, portanto, para o sucesso de um negócio, é bastante clara. Mas, o que faz um conceito ser bom? Como elaborar um?

Em nosso trabalho no StudioIno, ajudamos empreendedores independentes e também redes e franquias a formatar e/ou ajustar o conceito dos negócios. Nessa experiência, percebemos que muitos fatores influenciam a formatação de uma filosofia interessante. Porém, encontramos cinco itens sempre presentes:

-Mercado (público-alvo, cenário econômico, oportunidades, etc.)

-Finanças (capital disponível para investimento e expectativa de retorno)

-Experiência do consumidor (como o cliente se sente no estabelecimento, que conexão ele forma com o local)

-Cardápio (como o tipo de alimento preparado e o formato do serviço)

-Tendências (inovações que começam a ganhar mercado)

 

 

Mercado

O conceito não faz sentido se não levar em conta o mercado no qual o negócio está inserido. Então, é preciso pensar quem é o público-alvo do estabelecimento e o cenário econômico do setor. Os consumidores são jovens ou mais velhos? Moram perto ou vêm de outros bairros? Têm poder aquisitivo alto ou limitado? Procuram alimentação rápida ou uma mesa para sentar com a família? Enfim, que problema ou necessidade o negócio pode resolver para o cliente.

Finanças

Logicamente, o planejamento tem que caber no bolso. Até a ideia mais criativa cai por terra se não for financeiramente viável. O empreendedor deve equilibrar o capital disponível para investimento com a expectativa de retorno.

Experiência do consumidor

É a experiência que o consumidor teve no restaurante que o fará repetir a visita ou falar mal do lugar para os amigos. Ela é totalmente emocional e percebida pelos cinco sentidos humanos: o que vemos, ouvimos, cheiramos, provamos e pegamos.

A experiência é construída na jornada do consumidor pelos diversos pontos de contato com a marca: visitar o site na internet, telefonar para fazer uma reserva, estacionar o carro, ser atendido no balcão ou na mesa, além da atmosfera do ambiente, a qualidade e apresentação da comida e bebida, etc.

Cardápio

Claro que a comida deve ser boa, mas, além disso, deve casar com conceito. Em muitos casos, o cardápio é a peça principal do estabelecimento e toda a filosofia gira em torno dele. Veremos mais abaixo alguns exemplos bem-sucedidos de como a escolha do tipo de menu orientou toda a forma de conduzir e comunicar um negócio.

Tendências

Recentemente, a Associação Norte-Americana de Restaurantes (NRA, na sigla em inglês) divulgou um guia com as principais tendências que estão ganhando popularidade no mercado de foodservice. Uma das perguntas feitas durante o estudo foi: que conceito o consumidor procura quando vai comer fora?

Entre as práticas destacadas como em crescimento no mercado estão o uso de produtos locais, a preocupação com uma alimentação saudável, e a adoção do fast casual com um toque de personalização do chef.

Analisando a lista, percebi que os itens não chegam a ser novidade para os operadores brasileiros. Alguns restaurantes e empreendedores nacionais, principalmente as novas marcas, já conceberam o conceito de seus negócios alinhados a essas tendências. Abaixo, dou alguns exemplos interessantes.

Para conhecer os novos conceitos de restaurantes, veja o artigo “10 tendências em conceitos de foodservice” – http://www.studioino.com/blog/10-tendencias-em-conceitos-de-foodservice/

Mas, qual é o melhor conceito em foodservice?

Então, tenho uma boa notícia e uma má notícia.

A boa má notícia é que, assim como tudo que é interessante nessa vida, não há “receita de bolo”. Não existe uma fórmula que vá garantir a elaboração de um conceito perfeito. Na prática, o melhor conceito é aquele que funciona, aquele que está adequado ao que o estabelecimento pode oferecer. A boa notícia é que, com base nos elementos acima, é possível desenvolver um conceito forte.

A comida, o serviço e a atmosfera do ambiente são os fatores mais importantes nesta definição. Uma excelente arquitetura pode atrair clientes, mas não vai mantê-los, não cria fidelidade. O conceito é fortalecido quando é coerentemente comunicado através dos diversos pontos de contato do cliente com o restaurante: a comida, o serviço, o nome, o design da marca, a atmosfera do ambiente, a cozinha, os uniformes. A filosofia do negócio fica mais forte na medida em que estes fatores estiverem adequados e equilibrados.

Vejamos exemplos de conceitos coerentes

Pizza Makers

Conceito: um restaurante fast casual de pizzas e saladas onde o cliente cria a sua própria pizza. Ele escolhe a massa, os ingredientes, e tudo é feito em apenas dois minutos.

Nesse caso, o serviço é o conceito central. O formato da loja foi pensado para dar condições de um fluxo rápido de clientes. O equipamento principal, um forno de pizza, foi escolhido especificamente para permitir que a pizza fosse assada rapidamente e à vista dos clientes. O atendimento é amigável e casual, oferecendo o serviço rápido, mas com a qualidade que o consumidor pede. A decoração é jovial e moderna, refletindo valores da marca e do público alvo.

Mais sobre o projeto Pizza Makers – http://www.studioino.com/design/da-ideia-a-realidade-

como-tirar-um-projeto-de-foodservice-do-papel/

Viena Delish

Conceito: um food market e restaurante casual dining onde o consumidor pode escolher entre vários serviços integrados: bar, cozinha Viena com pratos selecionados pelo cardápio, pizzaria, e hamburgueria. Ingredientes frescos com preparação à vista e ambientes diferentes e descolados para toda a família.

A arquitetura do espaço foi desenvolvida para possibilitar que os diferentes serviços funcionem no mesmo espaço e ainda assim comuniquem propostas distintas. O desafio foi ter todo o food market dentro de uma só identidade de marca. A marca foi reconceituada para atrair um público mais jovem sem perder de vista os clientes cativos. No Viena, o atendimento é unificado. Então, os consumidores podem circular entre os serviços sem complicar a conta ou os pedidos.

Mais sobre o projeto Viena Delish – http://www.studioino.com/blog/studioino-coordena-reformulacao-do-tradicional-restaurante-viena/

B.lem

Conceito: trazer os produtos de padaria e doces portugueses para o Brasil, o melhor pastel de nata de São Paulo.

O conceito gira em torno da exclusividade do produto. Toda a comunicação da marca busca mostrar e reforçar valores associados ao doce. Na decoração, os materiais e detalhes foram definidos para criar um ambiente com personalidade, aconchegante e moderno.

Mais sobre o projeto B.Lem – http://www.studioino.com/projetos/b-lem/

 

Texto: Emmanuel Melo
Fotos: Divulgação

Emmanuel Melo é designer, membro profissional da FCSI e sócio-fundador do StudioIno com
mais de 30 anos de experiência trabalhando em empresas industriais no segmento de cozinhas industriais


 

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