Durante os cursos de formação básica, bem como os de pós-graduação, é necessário exercer prática acompanhada, o chamado estágio, que ajuda o aluno a compreender a aplicação do conhecimento dado em sala de aula.

Algumas faculdades e universidades oferecem programas onde o estágio assistido é completo, pois elas têm uma infraestrutura pronta para receber esses alunos, que são acompanhados por professores para a prática. Já outras disponibilizam oportunidades através de convênios com empresas, restaurantes, hotéis e afins para o ingresso dos alunos no mercado de trabalho.

O estágio tem uma função social de preparo e treinamento do aluno e se estende para depois da formação, mesmo na pós-graduação, já que se exige o cumprimento de carga horária comprovada para a certificação.

Apesar de existirem esses processos de estágio, muitos alunos, mesmo após terem passado por essa fase, ainda sentem certa dificuldade e necessitam de continuidade desses treinamentos. É aí que entram os treinamentos proporcionados pelas empresas ou restaurantes que vão contratá-los e que precisam de profissionais com conhecimento pleno e adequado às suas necessidades de produção.

Empresários do setor investem pouco nesses treinamentos, o que causa dois problemas: o turn over, porque não há como achar recém-formados prontos e adequados às necessidades da empresa sem que ela faça algum tipo de treinamento, e a frustração do recém-formado diante das dificuldades que encontra em se adaptar a essas necessidades e segurar seu emprego.

Tão importante quanto contratar pessoas capacitadas, é prepará-las para ficar dentro da empresa. A teoria e mesmo a prática assistida do estagio não são suficientes para fazer uma integração do recém-formado com os processos produtivos da empresa ou restaurante, que deve investir tempo e dinheiro para formar equipes coesas e bem estruturadas com profissionais capacitados pelo estudo e estagio, mas que ela, empresa, terminou de treinar.

Estudantes graduados e pós-graduados em gastronomia, em todo o país, têm grandes aptidões e poucas oportunidades de aprendizado prático. Muito de sua formação prática ocorre junto com os profissionais de carreira que atuam diariamente nas cozinhas, sem nenhum tipo de acompanhamento ou supervisão, mas essa não é a maneira correta de terminar a formação de um profissional.

Faculdades, universidades, organizações como o CIEE – Centro de Integração Empresa Escola e empresas do ramo precisam criar mais postos de estágio e acompanhar alunos de maneira mais presente, contribuindo para sua formação.

O profissional recém-formado que passou por estágios de formação e treinamentos tem maior possibilidade de ingresso e permanência na profissão. Ele acaba sendo contratado por grandes empresas, hotéis e redes de restaurantes, portanto, avaliar se os cursos de formação básica e pós-graduação oferecem possibilidades de estágio, treinamento e acompanhamento prático é um dos pontos de relevância para uma boa escolha.

Da mesma forma, observar nos descritivos de vagas de emprego e estágio se há algum treinamento prévio proporcionado pela empresa ou restaurante é de suma importância, já que isso será usado no dia a dia e também servirá como acúmulo de experiência e conhecimento.

 

Foto: Fernanda Moura
texto - Marcelo Santos

*Marcelo Santos (chefmarcelosantos@gmail.com) é chef de cozinha, professor de gastronomia, consultor de alimentos e bebidas e escritor e escreve para o site INFOOD às quartas-feiras

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