icone_mao_de_obra_formacao_3Paula Meloni é atualmente chef consultora da BRF, mas já atuou em cozinhas de restaurantes e também em hotéis. Formada na primeira turma de Gastronomia da Famesp, há 6 anos, ela sempre gostou de cozinhar, uma cultura que vem de sua família, em que a mãe e os avós sempre cozinhavam.

Sobre a vida de uma cozinheira consultora que trabalha na indústria, Paula diz que “é uma outra vida: a gente só trabalha de segunda a sexta. Você ainda cozinha, mas tem outro contato com a alimentação, e eu me apaixonei por isso”. Porém, acredita ser necessário primeiro trabalhar em restaurantes, pois “na indústria precisamos dar consultoria, dar treinamento e ensinar cardápio para pessoas de restaurantes. Então, qual é a experiência que você tem para chegar e falar da operação?  Só na faculdade, você não tem essa vivência do dia a dia”.

Mas não foi sempre assim. Quando ela se formou, ainda não tinha muita noção dessa profissão, e foi logo trabalhar em restaurante. Ainda quando estudava, tinha aquele preconceito de trabalhar na indústria. Só depois é que veio a perceber o papel e a importância da indústria para a sociedade.

A INFOOD conversou com Paula após uma aula em que ela ministrou sobre a utilização de cortes suínos em preparações gastronômicas, durante a  IV Semana Acadêmica de Gastronomia Mackenzie.

INFOOD – Como você entrou na gastronomia?

PAULA MELONI –Eu sempre gostei de cozinhar, mas eu cozinhava muito mal. Na minha família, minha mãe e meus avós sempre cozinhavam. Nos finais de semana, era sempre todo mundo na cozinha. Meu avô tinha um fogão à lenha. É uma coisa que vem de família, uma cultura de família.

Eu cursei um semestre de Relações Públicas, e fui trabalhar com alimentação, mas descobri que eu estava no lugar errado. Então fui fazer gastronomia. Estou formada há 6 anos. Naquela época, ainda não tinha todo esse glamour em torno da gastronomia. Eu cursei a primeira turma da Famesp.

Na faculdade você aprende as principais técnicas, mas você não sai dali chef.

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INFOOD – Você já trabalhou em restaurantes, em hotéis, e agora está na indústria. Como você foi parar na indústria?

PAULA – Quando eu me formei, eu não tinha muita noção dessa profissão. Eu saí e fui logo trabalhar em restaurante.  Quando eu estudava ainda, eu tinha aquele preconceito de trabalhar na indústria.

No período em que eu era sub chef no Fasano Boa Vista, comecei a ter um contato mais direto também com a parte fora da cozinha e percebi que eu gostava também dessa área, que era mais do que ficar só na cozinha. Como eu tinha uma amiga que trabalhava na BRF, ela me incentivou a ir. É uma outra vida: a gente só trabalha de segunda a sexta. Você ainda cozinha, mas tem outro contato com a alimentação, e eu me apaixonei por isso. Eu saí do Fasano e fui trabalhar na indústria. Todo mundo falava que eu não ia me acostumar, mas adoro o que eu faço hoje. É um trabalho muito bacana você entender como a alimentação é importante.  A indústria tem um papel muito importante para a sociedade, pois ela dá condições para que mais pessoas possam consumir, no caso da BRF, proteínas.

INFOOD – Um recém formado em gastronomia já consegue ir trabalhar na indústria ou é preciso trabalhar em restaurantes antes?

PAULA –  Eu acho muito importante trabalhar em restaurante antes, porque na indústria precisamos dar consultoria, dar treinamento e ensinar cardápio para pessoas de restaurantes. Então, qual é a experiência que você tem para chegar e falar da operação?  Só na faculdade, você não tem essa vivência do dia a dia. E na hora que você vai conversar com um cliente, vai haver muito mais segurança se já tiver trabalhado em restaurante.

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INFOOD – O que faz um chef consultor que trabalha na indústria?

Um chef consultor que trabalha na indústria auxilia a entender o que acontece no mercado, dá consultoria a bares e restaurantes, dá treinamento ao time de vendas da empresa, auxilia a equipe do marketing.

INFOOD – Você acredita que só a prática traz o real aprendizado da cozinha?

PAULA – Sim. Eu acho que é muito importante estudar, a formação é importante, mas é a prática que faz a diferença. É uma grande ilusão achar que a pessoa sai da faculdade e já é chef. Quando você vai para a cozinha, vai lavar louça, vai lavar chão. No começo, o salário infelizmente vai ser baixo, não importa se é em restaurante ou em hotel. Já na indústria não é tão baixo, pois você ganha como um chef consultor.

Acho também que cabe a nós, cozinheiros, brigarmos por isso e não aceitarmos qualquer salário. Houve uma queda de salários nos principais restaurantes…

Fazer gastronomia não é a mesma coisa que cozinhar em casa: você precisa amar muito o que faz!

INFOOD – Quais são os seus planos para o futuro? Pretende abrir um restaurante seu?

PAULA – Pelo menos pelos próximos 5 ou 10 anos, eu não penso em ter um restaurante meu. Eu gosto muito do que eu faço hoje. Eu acho que abrir um restaurante é um passo muito grande. É algo difícil, e não basta apenas saber cozinhar. 

 

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Por Redação

Fotos: Lays Riello

 

Uma ideia sobre “O trabalho de um cozinheiro consultor na indústria”

  1. Cozinhar profissionalmente é muito mais do que ir à cozinha nos fins de semana com a família e amigos, não basta saber o que cada elemento tem em sua essência, não basta vestir um uniforme, é necessário conhecimento profundo, técnica, habilidades, paixão e coração.
    Aquele que veste um dolman e sai da faculdade achando que é chef, não merece tê-lo, ao contrário, vai ser preciso muito trabalho para conquistar um e mais ainda, saber dar o real valor que ele tem. Estar na indústria pode até encurtar o caminho, mas, se não houver prática diária de nada valeu tentar encurtar esse caminho, pois, mais cedo ou mais tarde você terá que passar por ele.

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