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desafio_da_carne_suina_infoodNo Brasil, apesar de ser o quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo, só perdendo para Estados Unidos, União Europeia e China, o consumo da carne suína está em terceiro lugar (14,5%), atrás da bovina (38,6%) e da carne de frango (46,8%), de acordo com dados do USDA, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

A suinocultura está em alta, e o consumo per capita anual da carne suína no Brasil deve crescer dos atuais 15 quilos para 18 quilos nos próximos três anos, de acordo com projeção feita pela ABCS – Associação Brasileira dos Criadores de Suínos.

A partir desta semana começamos um especial de seis semanas Desafio da carne, com matérias voltada para o consumo da carne suína. Além de oferecermos boas opções para você ganhar dinheiro com este produto em seu restaurante.

Parte das razões do consumo de carne suína no país não ser tão grande, é que ainda há resquícios de um preconceito com a carne de porco, mas que vem sendo quebrado aos poucos nesses últimos tempos. A INFOOD conversou com a nutricionista Daniella Zenga Carrenho, que esclareceu algumas dúvidas e forneceu informações relevantes a respeito da carne suína.

Na visão dela, são três as principais razões para esse preconceito:

  • O primeiro motivo é porque a carne de porco é vista como uma carne gorda. Isso causa repulsa nas pessoas que têm buscado perder peso ou manter uma saúde adequada. Mas essa ideia não procede. A carne de porco não é mais produzida como antigamente, onde os porcos eram criados soltos, comiam todo tipo de restos de comidas, e a finalidade principal do porco era o consumo da banha. Hoje os porcos são mantidos em confinamento, comem ração balanceada e as granjas possuem um controle sanitário bastante rigoroso. A finalidade principal da criação de porcos hoje é a carne, e não mais a banha. A carne, em geral, perdeu 10% de colesterol, 14% de calorias e cerca de 30% de gordura total – segundo Rui Eduardo Saldanha Vargas, vice-presidente da Divisão de Suínos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
  • O segundo motivo é o fato do porco ser visto como agente causador da cisticercose. Essa parasitose é causada pela ingestão de água ou alimentos – verduras, legumes e frutas, contaminados com ovos da Tênia. O hospedeiro definitivo da cisticercose é o homem. É ele quem é a fonte de infecção para outros homens e também para os animais. O porco costuma ser um hospedeiro intermediário, porém, não é fonte de infecção, apenas participa do ciclo da doença. A transmissão é feita através de alimentos e de água que estejam contaminados com fezes de pessoas portadoras da parasitose. Também pode haver infecção quando as medidas básicas de higiene não são adotadas, por exemplo, pessoas com teníase podem acabar ingerindo ovos e adquirindo cisticercose ao colocar as mãos na região perianal e depois colocá-las na boca. Para evitar a doença é indicado lavar e higienizar de forma adequada todas as frutas, hortaliças e verduras antes de comer. A água bebida deve ser tratada e filtrada e as carnes, tanto a bovina quanto a suína, sempre bem cozidas. A probabilidade de se adquirir cisticercose através da água é muito maior, e através da carne bovina com o mesmo risco do que com a carne de porco.
  • O terceiro, seria a alegação da dificuldade no preparo, o que não é verdade. Acontece, sim, a falta de informação.
daniella-carrenho-nutricionistaA nutricionista clínica Daniella Zenga Carrenho

Benefícios para a saúde

A carne suína possui adequado teor de proteínas (19 a 20% na carne magra) com boa combinação de aminoácidos essenciais, apresentados em forma biologicamente disponível. Também é uma excelente fonte de vitaminas do complexo B, principalmente de Tiamina (B1), Riboflavina (B2) , Niacina (B3), Piridoxina (B6) e Cobalamina (B12) e . As vitaminas do complexo B, especialmente a vitamina B1, está relacionada à assimilação dos carboidratos e contribui para o sistema nervoso e neuromuscular, pois participa da transmissão dos impulsos nervosos e atua como bloqueador dos canais de potássio em células nervosas (existe uma bomba de sódio e potássio em nossas células que é responsável pela entrada e saída de substâncias e, consequentemente, pela contração muscular). A Cobalamina (B12) é importante no metabolismo dos ácidos nucléicos é essencial para o funcionamento de todas as células do organismo, especialmente no trato gastrointestinal, tecido nervoso e medula óssea.

É rica também em selênio (potente antioxidante), zinco (atua na defesa do organismo), magnésio e ferro (formação dos glóbulos vermelhos, prevenção da anemia).
A carne de porco também se destaca pelo seu conteúdo de cálcio, fósforo e principalmente potássio, que tem importante função na normalidade da pressão sanguínea.
Ao consumir 85 gramas de carne suína, um indivíduo atende aos seguintes percentuais de suas necessidades diárias de nutrientes: 53% de tiamina (B1), 33% cobalamina (B12), 22% de fósforo, 20% de niacina (B3),19% de riboflavina (B2), 18% de piridoxina (B6),15% do zinco, 11% do potássio , 7 % do ferro e 6% do magnésio.

E vale lembrar: a gordura, normalmente vista como vilã para a saúde, é necessária em pequena quantidade para a formação de membranas celulares e hormônios.

 

Malefícios para a saúde

O que faz mal é a gordura saturada – que também é encontrada na carne bovina e frango, pode causar problemas cardíacos (dislipidemias, obesidade). Lembrando que o preparo do alimento também influencia no seu benefício ou malefício. Devemos sempre preferir preparações cozidas, assadas e grelhadas. As frituras devem ser evitadas ao máximo.

O consumo exagerado pode causar também problemas renais e câncer.

Ressaltando que, de acordo com as recomendações brasileiras, o consumo diário de carne pode variar entre 100 e 120 gramas, sendo suficiente para suprir as necessidades nutricionais da maior parte dos indivíduos.

 

Cuidados ao comprar

Toda carne, não só a de porco, deve sempre conter o selo de segurança do SIF – Serviço de Inspeção Federal, que é um sistema de controle do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil que avalia a qualidade na produção de alimentos de origem animal comestíveis ou não comestível.

Nunca um produto de origem animal deve ser comprado em estabelecimentos que não tenham sido fiscalizados pelo Serviço de Inspeção Federal, ou outros órgãos competentes. Todo produto de origem animal é extremante perecível e pode causar danos à saúde humana se consumidos produtos clandestinos.

Além disso, deve-se observar a limpeza do local que comercializa a carne para o produtor final, se a temperatura do refrigerador está de acordo com a estabelecida pelos Órgãos Sanitários, bem como se a carne apresenta condições organolépticas adequadas (cor, odor e sabor). Checar também a data de validade e nunca consumir a carne crua ou mal passada.

 

Melhores formas de preparo

Assada, grelhada ou cozida na pressão, dependendo do corte escolhido. Devemos descartar as frituras, a fim de não agregar mais gordura ao preparo, tornando-a assim mais calórico e menos saudável.

Escolher os temperos que mais harmonizam com a carne de porco ajudam bastante: alecrim, sálvia, cebolinha, cebola, limão, laranja e mel, dentre outros.

 

Os embutidos (presunto, linguiça, bacon) e a saúde

O consumo excessivo de embutidos pode prejudicar nossa saúde. O sódio é o grande vilão dos embutidos. Em 100 gramas de linguiça suína, por exemplo, encontramos cerca de 1455mg de sódio, que é 60% da quantidade total diária recomendada. Lembrando que o sódio em excesso pode levar ao aumento da pressão arterial, problemas renais, retenção hídrica/obesidade e osteoporose.

 

A carne suína é saudável ?

Sim. Quando a maior preocupação em relação ao consumo são as gorduras e as calorias, devemos observar os seguintes aspectos: tipo de corte e da forma de preparo. Existem 15 cortes aprovados pela National Hear Foundation, nos EUA. Os melhores cortes são lombo, paleta e pernil, cujas porções cruas de 100 g têm respectivamente 158, 102 e 137 calorias e 9 g, 2 g e 6 g de gorduras. Apenas para comparar, a mesma quantidade de peito de frango tem 114 calorias e 2 g de gordura.

 

Diferenças entre a carne bovina e suína quanto

  • Valor nutricional: o valor nutricional da carne de porco, de maneira geral, é superior. A quantidade de gordura, piridoxina e magnésio e sódio são semelhantes. A carne de porco possui quantidades significativamente maiores de riboflavina, tiamina, niacina, fósforo e potássio. A carne bovina possui maior quantidade de ferro e zinco.
  • Digestão: as duas são consideradas carnes vermelhas, sendo a digestão bastante semelhante.
  • Sabor: a carne de porco geralmente tem o sabor mais suave e costuma agradar mais do que a carne bovina.

 

Daniella Zenga Carrenho – Nutricionista Clínica
danicarrenho@gmail.com
Blog: tomatelistrado.blogspot.com
Instagran: danicarrenho
Facebook: Daniella Zenga Carrenho
Atendimentos e Palestras em Vinhedo e Valinhos e região – SP

 

Por Redação

 

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