No entanto, a palavra tem tido uma definição severa, supervisionada pelo governo federal norte-americano desde 2002. Naquela época, um relatório sobre os consumidores do estado de Oregon indicou que apenas 7% não confiavam no rótulo. “É sobre um desgaste na confiança”, afirma Billy Roberts, um analista da Mintel, que entrevistou 2.002 adultos norte-americanos para o novo estudo. “É uma questão de toda a cadeia de fornecedores estar cumprindo uma promessa orgânica”.

Roberts disse que casos de recalls de alimentos – aliados à desconfiança permanente em relação às grandes corporações e o governo – fizeram com que as pessoas se sentissem menos seguras sobre o que elas estão comprando. A entrada de maiores jogadores – companhias como o Wal-Mart, Target e PepsiCo – no cenário orgânico tem abaixado os preços. E aqueles preços altos eram uma “certeza” que tranquilizava o consumidor de que o que eles estavam comprando era confiável.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos decide se alguma empresa ou fazenda pode colocar um rótulo de “orgânico” em seu produto e pode investigar cada reclamação sobre o falso uso da palavra. “Temos um sistema robusto”, diz Betsy Rakola, assessora de política orgânica do Departamento. “Há muita integridade por trás do rótulo. Qualquer pessoa que queira vender ou rotular seus produtos como ‘orgânicos’ tem que seguir os nossos regulamentos”, completa.

Esses regulamentos incluem regras que as fazendas precisam ser livres de transgênicos por pelo menos os últimos três anos, por exemplo. O gado orgânico tem que comer ração 100% orgânica e precisa ter acesso às áreas externas. As instalações que buscam o rótulo precisam ser inspecionadas e revisadas todo ano.

background-70353_1280Mais da metade dos entrevistados disse acreditar que chamar um produto de orgânico é apenas “uma desculpa para cobrar mais”

Embora a Mintel tenha descoberto que muitos consumidores acreditam que produtos orgânicos são mais saudáveis, Rakola disse que a preocupação desses clientes é sobre o processo de produção. Fazendeiros têm que promover o balanço ecológico e a biodiversidade. Eles precisam aumentar a qualidade do solo e da água e conservar as suas fontes. “É sobre o processo e como o alimento é cultivado”, diz a assessora.

A palavra “Orgânico” pode ter perdido credibilidade devido a sua associação estrita com palavras que têm pouca ou nenhuma definição aos olhos do governo. Fora dos produtos de carne e leite, a palavra “natural” não tem significado concreto no mercado – o que fez com que consumidores processassem empresas como a Tyson, que dizia vender nuggets de frango “100% natural”. Até onde Rakola sabe, não há padrão para como as pessoas podem usar a palavra “artesanal”, por exemplo.

O clamor para a uniformidade dos nomes – para o bem dos consumidores – fez com que a palavra “orgânico” ganhasse uma definição federal há 13 anos. Preocupações saudáveis ajudaram a palavra “glúten-free” a ganhar um padrão efetivado em 2014. Enquanto a presença de pouco glúten faz pouca diferença para quem faz dietas da moda, a falta de segurança a respeito do rótulo desses produtos representava um perigo para quem é alérgico a glúten.

As palavras “natural” e “artesanal” deveriam ter definições também? “Não cabe a nós entrar nessa questão e falar o que as pessoas precisam“, diz Rakola, enfatizando que o trabalho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos é responder ao público e ao Congresso.

Billy Roberts enxerga uma chance para os negócios permanecerem à frente durante esse meio-tempo, através do uso da transparência e de elementos interativos, mostrando aos consumidores como os seus produtos são feitos. Esse pode ser também um caminho para fazer com que os orgânicos ganhem mais confiança do público. “Consumidores hesitam um pouco em relação à comprar muitos desses produtos devido à falta de confiança”, disse o analista, que completa: “É uma oportunidade para os fabricantes alcançarem os consumidores, estabelecendo a confiança que os clientes procuram.”

 

Via Time Magazine

 

Deixe uma resposta

A louça e a estética no prato

Publicidade

Publicidade
-->
-->

Para receber a newsletter Infood, digite seu e-mail no box abaixo e clique na seta.

© 2017 Infood - Todos os direitos reservados