Ao final desse ano, mais algumas turmas dos cursos de gastronomia se formam, mais profissionais ingressam definitivamente no mercado de trabalho cheios de projetos e sonhos que devem ser realizados: alguns novos talentos da cozinha brasileira.

2016 é um ano a ser lembrado por esses novos profissionais, não só por sua formação, mas por toda a transformação que vem passando a gastronomia brasileira. Finalmente, parece que parte do glamour mostrado nos programas de TV vai deixar de existir nos cursos e vamos poder ver e compartilhar espaços com esses profissionais mais conscientes.

Durante esse ano, a maioria das organizações de ensino promoveram palestras, seminários, eventos e reuniões onde foi  discutido muito desse glamour, e boa parte dos alunos e professores entraram em um consenso: “é necessário mostrar a realidade”.

Alguns desses formandos irão entrar de cabeça numa carreira onde se trabalha muito para ter reconhecimento. Muitos não mais desistirão e outros vão se engajar ainda mais, fazendo cursos aqui e fora, em busca de oportunidades.

Guiados pelos conselhos de quem já está no mercado e de quem atuou nele, os novos talentos devem surgir em pouco tempo. Esses profissionais mais preparados deverão aparecer e se firmar frente às necessidades de um mercado carente de bons profissionais e que precisa urgente dessa renovação.

Os conceitos até aqui existentes vão ser revistos, e precisamos mesmo revê-los, afinal, a nossa gastronomia precisa deixar de andar debaixo das tradições vindas de fora por cultura e criar uma nova, através da cozinha regional do Brasil continente.

Os responsáveis por essa mudança de conceito devem vir das gerações novas de profissionais, mas levada pelo que cada professor e coordenador dos cursos deixa como legado este ano. Claro que temos um longo caminho pela frente até que essas mudanças realmente apareçam, no entanto, já começamos a caminhar na direção certa.

Ter uma nova perspectiva no mercado brasileiro de gastronomia ajuda a firmamos outros projetos interessantes para a profissão, tal como seu reconhecimento legal, não mais como apenas tecnólogos, mas como bacharéis de fato. Isso tornará mais fácil fazer tramitar projetos de lei para que surjam esses reconhecimentos, tal como aquele perpetrado por Alex Atala, em que ele e outros profissionais da área pretendem transformar nossa gastronomia em patrimônio imaterial e, a partir daí, criar associações reais que protegem e elevam nossos profissionais a outro patamar.

É hora de entrarmos em definitivo no mercado mundial e deixarmos para trás o fato de que ainda somos vistos e lembrados como o país do futebol, da caipirinha e da feijoada. Temos muito mais a oferecer e já passamos do ponto em que essa era talvez uma realidade, pois nossas culinárias regionais demonstram que há muito mais do que limão e feijão.

Quem serão os novos talentos da cozinha brasileira? Será toda essa nova geração de cozinheiros recém-formados que ingressam no mercado e mostram do que somos capazes? Serão os professores e coordenadores dos cursos de gastronomia que deixam como nosso legado todos os dias, que a profissão é árdua, requer muito trabalho, mas proporciona bons reconhecimentos a quem se dedica com amor a leva pela vida toda.

*Marcelo Santos (chefmarcelosantos@gmail.com) é chef de cozinha, professor de gastronomia, consultor de alimentos e bebidas e escritor e escreve para o site INFOOD às quartas-feiras

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