Um novo olhar para as tendências em Food Service, ou podemos resumir a palestra na importância de inovar, utilizando tendências como ferramentas no desenvolvimento do seu negócio.

Este texto é uma compilação de parte da palestra proferida por Reynaldo Zani, da Zak Business Development, empresa especializada em gestão de marketing e desenvolvimento de negócios. Ele abriu esta série sobre tendências em Food Service que contará com quatro textos. Você poderá ter acesso aos vídeos na íntegra destas palestras no canal da Nestlé® Professional®,  que foi responsável pela organização do evento,  reunindo quatro especialistas no mercado de Food Service.

Reynaldo R. ZAni da Zak Business Development

Um olhar diferente para tendências em Food Service

Durante o trabalho que tenho oportunidade de fazer no mercado, trabalhando com pequenas, médias e grandes redes, eu vejo que uma das dificuldades principais é as pessoas entenderem a importância de inovar.

A importância de considerar o que a gente chama de tendência. As pessoas vêem tendência como se fosse um entidade, um negócio distante, inatingível e utópico, mas não é assim.

Eu resolvi montar um conteúdo, e por isso que chamei de olhar diferente, porque é um olhar de marketing sem a pretensão de ser técnico de forma aprofundada, mas da maneira suficiente para abrir os olhos das pessoas, que tendência pode ser usada de maneira mais importante e mais relevante para o negócio do que a gente está acostumado a ver no mercado.

Qual a importância da tendência?

A ideia é desmistificar um pouco do conceito de tendência, reforçar sua importância, por uma questão simples. Nos últimos 10 anos trabalhando no desenvolvimento de novos negócios, inovação e consultoria para o segmento, em 90% dos trabalhos que fizemos, a questão de tendência de mercado ou tendência de produto não foram considerados no planejamento do negócio.

Estamos falando de um segmento dinâmico de varejo. O Food Service  é o varejo que tem a fábrica nos fundos, e as pessoas não consideram tendência de forma nenhuma na hora de fazer seu planejamento.

Quando você faz isto, assume-se uma premissa de que não é preciso mudar. O mundo está mudando, está acontecendo um monte de coisas novas.

O que eu escuto muito é: “meu negócio é diferente,  meu cliente é diferente,  esse bairro é diferente, não o brasileiro é diferente.”

No mundo globalizado em que vivemos, a informação está fácil, as coisas estão muito mais acessíveis do que eram 30 anos atrás.  Não existe mais a barreira. Você não pode adotar a premissa que seu negócio é diferente de todo o  resto do planeta terra.

Você não pode adotar a premissa que seu negócio é diferente de todo o  resto do planeta

O que é tendência?

Tendência nada mais é que um indicador de direção. É  o resultado do comportamento do consumidor. É isso que as pessoas não entendem. Tendência é o resultado do que os consumidores estão fazendo, não é o contrário. Tem gente que pensa que a tendência é o que o consumidor vai fazer. Tendência dá a direção com base no que o consumidor está fazendo. Ela é consequência do amadurecimento de mercado.

Um erro comum é que a pessoa quer olhar a tendência como destino. Ela é um indicador, ela é o caminho, você tem que entender aonde vai chegar. Muitas vezes, por não entender essa questão, a pessoa age como o goleiro do jogo de futebol que sai para pegar a bola no meio do caminho. Não funciona! Ele tem que imaginar onde a bola vai chegar, para ele chegar no momento certo. Para ele poder aproveitar, para dar certo. Com tendência também é assim.

Porque tendência é importante

  • Permite que você visualize as possibilidades de mudanças;
  • Mostra o que você vai poder mudar no seu negócio;
  • Permite antecipar e se diferenciar da sua concorrência;
  • Possibilita atender as novas necessidades e desejos dos seus clientes.

O desejo do cliente muda, os hábitos dos clientes mudam. Ainda mais hoje, com tecnologia e informação. Basta olhar nos últimos cinco anos, quantas coisas aconteceram.

Tive a oportunidade de  acompanhar vários projetos de inovação no mercado. No começo da implantação, as pessoas diziam que não ia funcionar. Eu mostrava a tendência, mas mesmo assim as pessoas diziam que não ia dar certo. E, de repente, o negócio começa a andar. E vemos que o concorrente já está usando o recurso.

Se você erra o “timing” e não aproveita a tendência, perde a oportunidade de inovar, passando a ser um “me too” de quem inova. Ser cópia é horrível. Quem sai na frente e se apropria é o inovador, é o líder com relação àquela atitude. E o outro que vem atrás passa a ser visto pelo mercado como mais uma cópia. Às vezes é bom ser o segundo, mas na maior parte das vezes, é melhor inovar.

Tendência dá a direção com base no  que o consumidor está fazendo

O consumidor aprende a consumir

Muitos hoje abordam o cliente de forma errada. Olhando para uma praça de alimentação com as ofertas de produto, vemos gente lançando coisa que já deveria ter sido lançado cinco anos atrás. E o pior é que lida como sendo novidade.

Então, quando o consumidor não vê mais valor nessa mudança, porque o que era tendência agora é premissa, o resultado é ruim. O que mudou foi o hábito de consumo do consumidor. Sua oferta perde relevância, envelhece. É um risco que seu negócio não pode correr.

É triste hoje vermos vários negócios que parecem operações dos anos 80. Isso acontece porque as pessoas insistem em manter o negócio do jeito que acreditam ser certo. A maior parte desses negócios, infelizmente, passam a sofrer muito. Principalmente em momentos de crise econômica, como o que vivemos nos últimos 3 anos.

O consumidor hoje aprende a consumir muito mais rápido do que ele aprendia alguns anos atrás. Ele tem referência de comportamento. Ele tem informação, tem acesso.

Pontos relevantes

  • O que estabelece o timing é a maturidade do mercado, a demanda reprimida. Temos que ter sensibilidade para entender.
  • Nós estamos 10 anos atrás dos mercados evoluídos. Tem um delay entre o nosso mercado e os mercados mais desenvolvidos, e isso tem que ser considerado.
  • Inovar requer coragem. Conhecimento do negócio e conhecimento do consumidor. Inovar é arriscar.
  • As novas gerações pensam diferente. Vai passando o tempo e não vemos que o consumidor ficou mais novo, que o franqueado ficou mais novo, que o fornecedor ficou mais novo.

Entenda estes pontos, ou então você vai ficar trabalhando para o seu negócio, como se todos os seus clientes fossem iguais a você.

Mudança da escala de valores

É preciso entender a origem da mudança de comportamento. Philip Kotler tem isto em todos os livros publicados por ele, um deles é o livro que trata do que ele  chama de marketing 3.0, em que ele fala da mudança da estratégia em decorrência da mudança da escala de valores por parte do consumidor.

Proposta de valor espiritual

Quando antes falávamos de diferenciação de produto, hoje, os valores da empresa são importantes, por mais que achemos que isso não tem importância tem. Os jovens, quando vão comer, olham quanta embalagem está sendo usada, quanta gordura existe, se não tem reciclável. A proposta de valor que antes era só funcional e emocional, hoje é o que chamamos de espiritual. As pessoas procuram marcas e produtos que as saciem intimamente. O negócio tem que ter alma, tem que ter valor, tem quer motivo. Se não, o consumidor não vê valor.

A colaboração de um para muitos

Antes falava-se do relacionamento 1 para 1, o atendimento personalizado e a relação com o consumidor. Hoje, é a colaboração de um para muitos. A comunicação é colaborativa. As iniciativas são colaborativas, o espírito é colaborativo. Se você entender isso, toda vez que você vir uma tendência, você conseguirá imaginar para onde ela vai levar

Porque o perfil do público hoje é colaborativo, globalizado, humano, espiritual e cultural. Estes são atributos importantes para o seu negócio. Eles estão mais perto do seu negócio do que você imagina.

A era dos valores

A era dos valores é como chamamos o momento do consumidor atual. Hoje ele se preocupa com a origem, com a forma, com o impacto, com a qualidade real e com o objetivo.  Não adianta mais contar historinha. O consumidor quer saber o que é verdade.

Então, quando falamos de tendência de alimentos sem atender essas questões, não se consegue enxergar aonde vai se chegar.

Comida de verdade

Quando a gente fala destes atributos a gente chega no momento que está sendo chamado de “real food”. O consumidor quer comida de verdade.  Estamos voltando aos preceitos do “confort food” do “health food” do “fit food”.

Hoje, todas estas correntes de comida desembocaram no que chamamos comida de verdade. Um conceito que passa atributos colaborativos, globalizados,  que não têm fronteira. Hoje você vai a um restaurante japonês, e lhe é servida uma sobremesa feita no taco e ninguém mais olha isso como pecado. O consumo tem uma percepção diferente para isso.

Feito por gente

Comida com cara de empacotada não funciona mais. Não pode ter mais jeito de pasteurizado. Tem que ser humano. Tem que ter cara de que foi feito por gente.  Tem que respeitar questões culturais e espirituais, tem que ter alma. Tem que ter cara de que foi a gente que fez.

Alimentação é um negócio que envolve outras pessoas, sem fronteira e com alma.

Nestlé Professional

site –  https://www.nestleprofessional.com.br/
facebook – https://www.facebook.com/nestleprofessionalbrasil/

vídeo da palestra – https://youtu.be/1dE_3tWsLvk


Texto - Reynaldo R. Zani
Fotos: Herverton Leal

 

Reynaldo R. Zani, sócio diretor da Zak, uma empresa especializada em gestão de marketing e desenvolvimento de negócios
http://www.zakbd.com.br/novo/

 

 

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