O Taste Vin é um bistrô francês, aberto em 1988, através da união de amigos que tinham em comum a paixão pela comida e por um bom vinho. Começou com apenas oito mesas, mas com o decorrer do tempo foi se expandindo, tendo atualmente vinte mesas, com 64 lugares.

Rodrigo Fonseca, um dos sócios, largou a profissão de engenheiro para se dedicar ao restaurante. Tudo o que sabe de gastronomia foi através de aulas com a especialista em culinária francesa Bernadete Bahia Mascarenhas.

A casa é considerada um dos melhores restaurantes de Belo Horizonte. É famosa pelos seus soufflés, e o segredo deles é: “ter uma boa receita, praticar muito, e usar os melhores ingredientes“, como explica Rodrigo.

A base do restaurante é a cozinha regional francesa. O Taste Vin construiu a primeira adega comercial climatizada de Belo Horizonte, onde ficam acondicionados cerca de 650 variedades de vinhos.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que o Rodrigo concedeu à Infood.

Camarão à Provençal do Taste Vin

 

INFOOD – Por que decidiu largar a profissão de engenheiro e adentrar na gastronomia?

RODRIGO FONSECA – Nos primeiros nove anos, exerci a engenharia e a atividade noturna no restaurante, como chef e sócio-gerente. Com o passar dos anos e a expansão do restaurante, a atividade que seria a secundária tornou-se a principal. Além disso, o trabalho em ‘três turnos’ e nos fins de semana demandava muito, e fui obrigado a deixar a engenharia. Ressalto que a exercia com empenho e prazer, daí certa demora em decidir-me.

INFOOD- Qual a razão de seu interesse pela culinária francesa? Qual o diferencial dessa culinária?

RODRIGO  – O meu primeiro contato com uma culinária fina foi através de pratos da cozinha francesa. Entusiasmei-me de cara, e esta fornece uma base realmente sólida para outras variações.

INFOOD – Você não teve formação em gastronomia. Tudo o que aprendeu foi na prática?

RODRIGO – Tive aulas com a professora Dadette, muito famosa em Belo Horizonte, tendo formado uma legião de chefs amadores de altíssimo nível (entre os quais não me incluo, por ter feito com ela poucas aulas, infelizmente). Daí parti para ‘tentativas e erros’, e estágios curtos em restaurantes no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos.

Chef Rodrigo Fonseca

INFOOD – Qual o segredo para se fazer um soufflé com perfeição?

RODRIGO – Ter uma boa receita, praticar muito, e usar os melhores ingredientes.

 INFOOD – Como você escolhe seus fornecedores? Como é sua relação com eles?

RODRIGO – Qualidade é nossa principal exigência, e também regularidade. Fazemos experiências com vários produtores, e depois definimos.

INFOOD – Em relação à mão de obra que emprega no seu restaurante, quais os maiores desafios?

RODRIGO – O treinamento deve ser constante, as pessoas devem ter abertura para aprender e para contribuir com a equipe. Devem entender os objetivos da empresa, e terem foco e dedicação.

INFOOD – Como é a elaboração do cardápio? Ele é fixo?

RODRIGO – As mudanças são esporádicas. Temos um ‘arquivo’ de receitas já testadas em menus degustação que propusemos eventualmente ao longo dos anos. Além disto, estamos atentos a novos ingredientes e à possibilidade de uma receita nova ser testada e agradar muito, sendo então introduzida no lugar de outra, para não estender demais o cardápio.

Bochecha, prato do Taste Vin

INFOOD – O Taste Vin está aberto há 29 anos em Belo Horizonte.  Quais as maiores dificuldades que você enfrenta na  administração de um restaurante?

RODRIGO – Um restaurante que deseja ter algum destaque precisa cuidar muito de detalhes. Estes vão contribuir para a formação de uma ‘identidade’ que vai diferenciá-lo dos outros. E isto se aplica ao que é visto – recepção, educação dos atendentes, decoração do ambiente e das mesas – e ao que não é visto – controle de custos, de estoques, práticas de segurança alimentar, motivação da equipe, controle de tarefas, etc. Considero esta atenção permanente o maior desafio do dia-a-dia.

INFOOD – Em tempos de crise como a que vivemos atualmente, que medidas tem adotado para ter um restaurante que dê lucro?

RODRIGO – É importantíssimo ser rentável sempre, pois um negócio pequeno não pode se dar ao luxo de pagar juros bancários. Desde o início reinvestimos sempre boa parte do resultado para termos segurança financeira. Nos períodos de crise, pode-se sacrificar parte do lucro para manter-se um bom movimento. Assim não afastamos os clientes, e fora da crise (existe isso no Brasil?) recupera-se a rentabilidade.

INFOOD – Você  tem sócios? Como é a divisão do trabalho?

RODRIGO – Somos quatro sócios. Divido várias funções com uma sócia. As outras duas trabalham eventualmente no atendimento, e se mantem a par do funcionamento. Quando realizamos reuniões de sócios, todos opinam e contribuem com suas ideias.

Fachada do Taste Vin, em Belo Horizonte 

INFOOD – Quais os planos para o futuro? Pretende expandir o seu negócio?

RODRIGO – Não. Não tenho o perfil de empresário em busca contínua de crescimento. Cresceríamos na eventualidade da segunda geração se interessar pelo negócio, mas até o momento, isto é apenas uma remota possibilidade.

INFOOD – O que você gosta de fazer quando não está cozinhando? Consegue ter um tempo livre para lazer e família, já que o restaurante consome muito tempo?

RODRIGO – Gosto de cozinhar em casa nos fins de semana. Gosto de receber amigos para jantar em casa. Faço corridas regularmente, tendo feito já 3 maratonas. Leio (menos do que gostaria). Estudo sempre sobre vinhos. E gosto muito de viajar com os filhos, ou passar alguns dias na praia.

 

Taste Vin Restaurante
Rua Curitiba, 2105 – Belo Horizonte / MG
(31) 3292-5423
(31) 2555-3585
http://www.tastevinbh.com.br/

 

 

Por Redação

Fotos: Divulgação

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