Desde às 8 horas da manhã preparando lanches típicos de uma “hungry food” – que serão consumidos até o final do dia – Rafael Fragoso, Cristiano Xavier e Alexandre Cegonha têm trabalho duro dentro da cozinha do local em que será realizada a terceira edição do The Lumberjacks Co., evento montado pelos três amigos.

Eles não diferem em nada de qualquer empresário do ramo gastronômico, a não ser pelo simples fato de que estão trabalhando na área durante o seu momento de folga. “Rafão”, “Cris” e “Cegonha” trabalham em outros empregos e, aproveitando sua paixão por gastronomia, se reuniram para ter o negócio como diversão.

Os três curtem cozinhar e nenhum tem problema em pagar o preço que for num prato de comida, desde que esse prato nos satisfaça, na experiência como um todo”, afirma Rafael Fragoso, mais conhecido como Rafão. Ele, Cris e Cegonha conversaram com a INFOOD a respeito do projeto durante o dia do terceiro evento.

Essa é a entrevista de abertura de nosso novo especial que estreará em junho. Iremos acompanhar os três amigos em sua empreitada de transformar uma ideia num bem sucedido negócio.

Será que vai dar certo? Confira:

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INFOOD – Vocês podem contar um pouco da história de vocês? 

RAFÃO – Os três curtem cozinhar, mas – com exceção do Cris, que levou o negócio a sério e é chef – ninguém trabalhava com isso. Eu e o Cegonha amamos comer, mas somos mais “for fun”. Conheço o Cris desde quando a gente nasceu. E estudei com o Cegonha no colégio desde os 6 anos de idade. Nós nos conhecemos há mais de 30 anos. Os três curtem cozinhar e não temos problema em pagar o preço que for num prato de comida, desde que esse prato nos satisfaça, na experiência como um todo. 

Enfim, os três conversaram sobre a ideia de abrir um negócio no ramo. No final do ano passado – em novembro – alguém me mandou uma matéria sobre um co-kitchen que iria abrir em Pinheiros. Fui lá conhecer e achei o ambiente interessante.

CEGONHA – O Rafão foi lá, fechou e avisou a gente! (risos) Ele teve o culhão de dar o pontapé inicial. Ninguém tinha coragem. 

RAFÃO – Então a gente tinha dois meses para fazer algo, nós não tínhamos nome, logo, nada. Começamos a fazer o brainstorm: chamei um amigo, que tem uma agência e topou ajudar a gente. O negócio foi fluindo e, em fevereiro, a gente já tinha nome, DNA, proposta. No fim, acho que acabou sendo Lumberjacks por ser aquela coisa de querer comer um lanche de lenhador. Não necessariamente um lanche: qualquer tipo de comida, desde que ela seja farta.
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INFOOD – Quais são as ideias e planos em relação ao The Lumberjacks Co.? 

RAFÃO – A ideia para os próximos meses é, enquanto a gente não consegue um lugar fixo, ou não tem uma confirmação de uma possível ida para um food truck, continuar com o formato dos eventos, e através deles montar uma cozinha. Aos poucos vamos comprando as coisas.

CRIS – O nosso investimento foi zero. Foi o cartão de crédito do Rafão. Hoje em dia, não há um negócio que você entre sem um real, mas foi o que a gente fez.

RAFÃO – Sou um cara muito pé no chão, apesar de ter sido o meu cartão. Tenho paciência, e estamos insistindo nesse sonho, porque acreditamos que o que a gente faz é bom,  fazemos com vontade, com tesão.

CRIS – Uma frase do Rafão que eu guardo é: “vamos fazer o bagulho ‘for fun’. Se tiver dando estresse, a gente para.”

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INFOOD – Quais são as principais dificuldades que vocês encontraram no empreendimento?

RAFÃO – A pior coisa são os fornecedores. Eles exigem o primeiro ano de empresa, a primeira compra é tudo à vista, são 72 horas para receber. Algo bem burocrático. A gente também tem dificuldade para escolher um espaço para nossos eventos. Quando encontramos um lugar que é bom, a cozinha não é. Em outros em que a cozinha é boa,  o lugar não é tão legal. Ainda não encontramos um 100%. Estamos passando por vários lugares, anotando as dificuldades, para montar um nosso com a nossa cara e sem precisar passar por esses perrengues.

 

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INFOOD – Como vocês utilizam as redes sociais para divulgar a marca?

RAFÃO – Eu sou gerente de tecnologia, toda a parte de infra, web, faço com um pé nas costas. Agora, usamos o Facebook porque acho que é o jeito mais fácil hoje de divulgar o nosso evento, sem gastar um real e conseguir atingir uma galera: cada post atinge pelo menos 800 pessoas. É algo muito facilitador (usar a rede social)

Primeiro a gente solta um “save the date”, pelo menos 3 semanas antes. Depois criamos um evento, falamos sobre o cardápio e depois começamos a soltar as fotos – fazemos as fotos na casa do Cegonha.

Uma das coisas que a gente queria era trazer pessoas. Por exemplo, se a gente fosse brother de um produtor de cogumelo, eu iria falar: “vamos colocar o teu cogumelo no meu sanduba? Eu coloco o teu nome. Voce ganha uma parte”. É o caso da Cerveja Madalena. Um amigo nosso trabalha lá e fizemos uma parceria. Todo mundo ganha.

save de date - 27 de maio - The Lumberjacks

 

INFOOD – Como vocês definem o que entra e o que sai do cardápio?

RAFÃO – Isso é com o Cris (risos).

CRIS – A gente tem que pensar no lucro também, é óbvio. Aqui, no caso do bistrô, nossa intenção era comida farta, mas um dia estávamos eu, o Cegonha, o Rafão e a Paula (Buenas Ideas), discutindo mil coisas e falei: “cara, aqui é um espaço chileno. Vamos fazer pelo menos um chileno”. O Lomito é o lanche mais conhecido lá, e fizemos esse sanduíche, com o mesmo nome, adaptando ao paladar brasileiro.

RAFÃO – A galera costuma pirar no sanduíche de frango, mas a gente não fez desta vez por causa da estrutura. 

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INFOOD – São muitos os perrengues pelos quais vocês passam?

RAFÃO – Hoje mesmo, às 9 horas, fui à padaria pegar o pão e cadê o pão? Ninguém havia feito o pão. Vinte dias atrás o cara se comprometeu, confirmei quinta-feira com ele, mas vacilaram e esqueceram. O dono falou: leva esses aqui e meio-dia eu te mando a baguete e às 13h o restante. Eram 13h30 e os pães não tinham chegado ainda. E, nessas horas, não tem muito o que fazer.

Eu faço pães. No primeiro evento, eu queria fazer os 400 pães. As farinhas estão lá ainda (risos). Mas fazer 400 pães é diferente de fazer os pães que eu faço sempre. Porém, é uma coisa que, quando tivermos o nosso lugar, vou enfiar um forno combinado e fazer.

 

INFOOD – Com qual frequência vocês esperam fazer o evento?

RAFAO – Se der para fazer mais vezes, sem que a gente saia do esquema “for fun”, a gente vai fazer. Estamos fazendo uma vez por mês porque é o timing que a gente conseguiu ter, por todo mundo trabalhar. Amanhã, por exemplo, a gente ia fazer um teste para o próximo evento, mas não vamos conseguir. Então ficou para o outro final de semana. Por enquanto, com todo mundo trabalhando, o timing é esse.

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Por Vinícius Andrade
Fotos: Flávia Avigo

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