A maior rede social do mundo é a cozinha, onde bilhões de pessoas comem todos os dias, interessando-se cada vez mais pelo prato do outro e seus costumes.

É algo incrível, um diálogo de proporção mundial! Ignorar esse fato é social, cultural e economicamente desastroso, afinal, a comida tornou-se um dos mais marcantes ícones de identidade cultural de um povo. Por isso, precisamos criar meios de conservar e enaltecer essas identidades, de forma rápida e eficiente.

Hoje, o turismo gastronômico é uma realidade, e saber desenvolver todo seu potencial é uma linda forma para o viajante não só conhecer a cultura local, como auxiliar no desenvolvimento econômico de uma sociedade.

Ele irá procurar pelo seu destino de férias, não somente pelas suas belas praias, e sim por aquele cardápio com a personalidade da região.

Apenas com a valorização da produção local é possível a perpetuação dessa modalidade de turismo. Não é só de pontos históricos, paisagens paradisíacas ou lindas trilhas que vive uma cidade turística.

Hoje os destinos são escolhidos, em alguns casos, exclusivamente, pelo tipo de gastronomia local. E toda nossa extensão territorial reflete uma linda e rica cozinha regional. Tal regionalidade é fruto desses produtores locais, e perdê-la seria desestruturar todo um processo de formação de identidade cultural que levou muitos anos para ser construída.

Outra consequência deste fomento é o encurtamento da distância do produtor ao cozinheiro, poupando a natureza, reduzindo os custos de atravessadores e enaltecendo o pequeno produtor rural.

Assim, retribuiremos com respeito e afeto àquela que torna possível nossa arte, nossa maior fonte de inspiração, a natureza.

Se o turismo gastronômico for pensado visando exaltar as produções locais, elas aumentarão gradativamente seu volume, reestruturando toda uma cadeia produtiva devastada pelas grandes indústrias de alimento.

Os restaurantes, hotéis e a própria população local irão gastar menos, pois comprarão de lugares bem mais próximos. Dessa forma, esse modelo de turismo seria economicamente viável também para todas as pessoas que ali vivem, e não somente para uma pequena parcela de empresários.


Por Gustavo Guterman

*Gustavo Guterman é Pós Graduado em Gestão em Segurança dos Alimentos pelo SENAC SP, Graduado em Gastronomia no centro de formação internacional Alain Ducasse Formation, Técnico em Cozinha pelo SENAC RJ. Experiência no mercado profissional, em cozinhas nacionais e internacionais, atuando como cozinheiro e chefe de cozinha em renomados estabelecimentos do segmento de alimentação e bebidas. Atualmente atua como coordenador de Gastronomia do Instituto Federal Fluminense. Professor nos cursos de Gastronomia e Hotelaria na citada instituição, exercendo consultorias e palestras na área. É também autor do blog (e página) Guterman Gastronomia, que tem por objetivo a divulgação de ideias, artigos e noticias sobre o mundo da gastronomia.
https://gutermangastronomia.wordpress.com
https://www.facebook.com/pg/gutermangastronomia/

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