Nada como aguardar para ver o que o Mondial de la Bière nos reservou. Um evento deste porte sempre traz novidades, sejam etílicas ou quanto à cultura cervejeira. Este ano não foi diferente. Muita cerveja boa, de vários cantos do país. O prazer de ver cervejarias novas com produtos de extrema qualidade e beber o que as cervejarias com um pouco mais de estrada aprontaram. Sem falar em poder rever grandes amigos que este universo me proporcionou.

A quinta edição foi de consolidação: de marcas e do público. Este estava muito mais maduro com relação ao que beber e muito mais exigente  quanto à qualidade. Os estilos que remetem à refrescância ainda são os mais procurados, como pilsen, witbier, weiss e ipa. Contudo, este ano aumentou a oferta de Sours, um estilo um pouco diferente, com características como acidez , gosto azedo e fermentação láctica – nesse quesito acho que faltou um pouco de maior atenção ao público com relação à explicação do estilo e o modo de fazer. Mas já é um começo!

E o público não queria apenas refrescancia. Buscou cervejas complexas, que tiveram maturação em barris, sendo os apresentados de vinho, bourbon, whisky e cachaça. Cada tipo de barril concentra determinadas características, e o incrível é ver que, com a mesma cerveja base, a experiência muda o aroma e o gosto básicos na boca.

Esse método ainda é muito novo para nós e ainda sofremos com alguns problemas com relação a preço dos barris e à escassez de bons tanoeiros. Tanoeiros são os responsáveis por, além de fazer os barris, preparar para próximo uso. Devido aos preços dos barris, muitos optam por fazer com chips, que são lascas de madeiras de barris que foram destruídos e vendidos para fazer defumação ou infusão em uma bebida pronta, no nosso caso, cerveja.

As nossas Oak Aged estão melhorando a cada ano. Fica a dica de provar quando tiver a oportunidade de comprar uma garrafa, esquecer guardadinha de preferência na geladeira, para beber anos depois, pois é uma cerveja que pode e vai melhorar ainda mais com o tempo.

Mas nem só de cerveja se faz um evento dessa magnitude! Há oportunidade de negócios para vários segmentos, como o turismo, com a divulgação da Rota Cervejeira, que hoje compreende mais de 10 cervejarias no eixo Petrópolis, Teresópolis e Friburgo. Em parceria com agências de turismo, é possível fazer um passeio por algumas delas, ver o processo de fabricação, conhecer as matérias primas de uma cervejaria, e poder provar as cervejas.

Outro super negócio são os produtos para o Beer Geek, que vão de camisas, copos, quadros, abridores e bonés. O consumidor de cerveja gosta de ser fazer notado! Ele demonstra sua paixão no corpo também com tatuagem à mostra. E ela se fez presente no evento desde os simples decalques distribuídos pelas cervejarias até marcar seu amor para sempre na pele com uma tatoo de verdade, já que havia um estúdio de tatuagem a disposição do público.

Decalques distribuídos e tatuagens de verdade estavam a disposição do público

E partindo para outra vertente, a de que “saco vazio não para em pé”, a Gastronomia estava muito bem representada. O cervejeiro esse ano tinha muito o que comer; desde os variados burguers, a batatas fritas e seus molhos, pizza, comida mexicana, o tradicional sanduíche de porco, produtos vegetarianos feitos de cogumelos, entre outros, todos harmonizando. Contudo, este será um capítulo à parte na nossa série de colunas do Mondial.

Foram cinco dias intensos, uma verdadeira maratona cervejeira. O Mondial de lá Bière acaba deixando dois sentimentos: o primeiro de dever cumprido, pois trouxe muitas experiências através da cerveja e de novas cervejarias, e o segundo é o desafio de fazer ainda melhor no ano que vem.José Honorato, Luana Copler  e Gabriel Pulcino da Fagga/GL Events

Falamos com Luana Copler, diretora de negócios da Fagga / GL Events, que respondeu a algumas perguntas sobre o evento. Confira:

JOSÉ HONORATO – O que mudou do primeiro evento em 2012 para este?

LUANA COPLER – O evento tomou grandes proporções. Na primeira edição tínhamos 40 expositores, 16.000 visitantes em uma tenda no terreirão do samba, para 3 armazéns, mais a área externa do Pier Mauá, e este ano tivemos 50.000 visitantes, 160 cervejarias. Foi criada este ano a meia entrada solidária, em que o visitante devia trazer um 1kg de alimento não perecível, fazendo com fosse arrecadado mais de 34 toneladas de alimentos. O cliente que frequenta o Mondial está cada vez mais exigente quanto à estrutura, justamente porque a marca foi entregando sempre estruturas melhores através dos anos.

HONORATO – Quantas cervejarias ficaram na lista de espera para o ano que vem?

LUANA – A nossa lista de espera este ano ficou em torno de 40 cervejarias por conta de falta de espaço.

HONORATO – Como você viu o perfil do público?

LUANA – Em termos de público, ainda continuamos mantendo uma grande diversidade, bem no perfil democrático que é o Mondial de la Bierè. Temos um cuidado enorme de fazer uma curadoria de forma que tenhamos produtos voltados aos entrantes no consumo cerveja artesanal, como atender aos beer geeks. Acredito que nesta edição conseguimos oferecer ao visitante uma diversidade ainda maior dentro destes dois polos.

HONORATO – O que podemos esperar para o ano que vem?

LUANA – O nosso compromisso é sempre melhorar nosso serviço para nossos clientes, sejam eles visitantes, expositores e imprensa. Então, certamente um evento com uma estrutura e uma prestação de serviço ainda melhor. Com relação  à qualidade do evento, vamos trabalhar ainda mais forte a curadoria, buscando sempre cervejarias com produtos super qualificados e buscaremos mais entretenimentos. Vamos ter novidades que sem dúvida irão agradar.

Brinde da Coluna

Estou bebendo a cerveja Vertmont da Cervejaria Antuérpia, uma New England Double IPA com 8,1% de álcool. Com uma coloração amarelo alaranjado, turva e com excelente formação de espuma. Muito aromática, notas de frutas tropicais; maracujá e abacaxi em evidência. Na boca a grande estrela é o amargor alto e persistente, apesar de alcoólica é refrescante, sem arrefecimento. Harmoniza muito bem com pato.

Cerveja – Vertmont

Estilo – New England Double IPA

 

 

Cervejaria – Antuérpia JF/MG

Álcool – 8,1 ABV

Volume – 473 ml

 

Que venha o logo próximo !!!!

Cheers, Proust, Saúde !!!

Texto e fotos: José Honorato
José Honorato  tem 20 anos de experiência como sommelier, formado como Beer Sommelier pelo SENAC-RJ /Doemens Academy. Economista e historiador de formação, ele é consultor em gastronomia e é docente do SENAC-RJ.
Contato – honoratobeersommelier@gmail.com
Facebook – https://www.facebook.com/jose.honorato.568

 

 

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