Bife de chouriço, futebol, Cordilheira dos Andes, tango e vinhos. Esses são alguns ícones quando falamos do nosso país vizinho, a Argentina. Apesar de toda a rivalidade no futebol entre Brasil e Argentina, rivalidade essa muito marcada por grandes jogos recheados de emoção, o brasileiro vem a cada dia se rendendo mais ao vinho argentino, que teve recentemente um avanço muito grande. Eu diria que foi até um crescimento exponencial em termos de qualidade.

O mercado brasileiro era tomado pelos vinhos chilenos, mas agora os vinhos dos nossos “hermanos” vêm aumentando sua fatia no mercado nacional. A Argentina apresenta um relevo muito variado e uma grande diversidade de climas. Suas regiões viníferas tradicionais abrangem uma extensa faixa a oeste do país e ao pé da Cordilheira dos Andes, com altitudes variando desde 350 metros até 2.000 metros acima do nível do mar. Com essa característica de relevo, a Argentina apresenta uma grande diversidade de vales com aspectos diferentes, e que facilitam sua classificação. Os climas desses vales, geralmente desérticos, permitem cultivar em cada região as cepas mais aptas para cada uma delas.

Nos últimos anos, o mapa da viticultura argentina tem se ampliado, afastando-se cada vez mais da Cordilheira dos Andes, e com uma acentuada tendência às regiões mais baixas com influência marítima. Hoje, a Argentina vinícola se divide em: Vales Calchaquíes (Salta, Tucumán e Catamarca), Vales de Famatina (La Rioja), San Juan, Mendoza (Região do Norte e Leste, Região  Centro –Maipú e Luján de Cuyo), Vale do Uco e San Rafael e mais ao sul os Vales Patagônicos (La Pampa, Neuquén, Rio Negro e Chubut). Dentre todas essas regiões e sub-regiões, a que mais se destaca é Mendoza, muito conhecida dos brasileiros pela qualidade de seus vinhos, mas outras regiões vêm se mostrando com grande potencial como Salta, conhecida pelos seus já famosos torrontés e Rio Negro apresentando áreas de grande potencial para a vitivinicultura de qualidade. A Malbec chegou na Argentina no final do século XIX, e é a queridinha dos argentinos quando se fala em vinhos tintos, pois adaptou-se perfeitamente bem em Mendoza. É uma uva sensível de casca fina, que sofre com as mudanças bruscas de temperatura, mas suporta muito bem o calor e o clima árido. Conhecida como a única cepa autóctone argentina, a Torrontés é a eleita por eles como a cepa branca mais representativa de seu terroir por sua personalidade única de aromas intensos, doces e florais, seu ataque é geralmente refrescante, e também suave e fresco.

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O tango é a dança da carne, do desejo, dos corpos entrelaçados. O vinho argentino é, por sua natureza, potente, exuberante e desperta os sentidos de quem o degusta. O tango e o vinho são um diálogo novo, para um, a sedução é feita de movimento, o ir e vir, o encontro de dois mundos; já para o outro, não muito longe disso, a sedução está delimitada por uma taça que é um belo convite ao enófilo curioso para um universo de possibilidades e infinitas sensações. É um baile exibicionista, esteticamente belo, e ronda sem temores o universo lúdico entre homem e mulher, entre vinho e degustador.

O vinho baila na taça, se roçando em suas paredes como os sapatos dos dançarinos entre sensuais carícias enquanto o atônito degustador, eterno voyeur, se fascina e se deslumbra com a beleza do tácito romance que esse fermentado de uvas faz despertar em sua natureza, deixando os sentidos dos mais inocentes à flor da pele.

texto - Rafael Puyau
*Rafael Puyau (contato@rafaelpuyau.com.br) consultor-Sommelier com formação em enologia pelo Centre de Formation Professionnelle et Promotion d’Aude (CFPPA) em Narbonne, Sul da França é formado em sommelier pelo Instituto de Vinhos da Argentina. Certificado nível 3 pela Wine and School Education Trust (WSET), escola de vinhos de Londres e consultor empresarial pela Faculdade Arthur de Sá Earp (FASE) em Petrópolis. 
Instagram rpuyau
Site – www.rafaelpuyau.com.br

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