Alimentos organicos e gastronomia especialA INFOOD conversou sobre vinhos orgânicos com o sommelier Bernardo Murgel, um dos sócios da Porto Di Vino, uma empresa carioca especializada em vinhos e que possui, em seu portfólio, rótulos cuidadosamente selecionados e assinados por produtores criteriosos – oferecendo um atendimento consultivo para a escolha do vinho mais adequado para harmonização de menus.

Segundo Murgel, a produção de vinho orgânico não é “uma aventura para qualquer um”, já que o cuidado com a vinha precisa ser dobrado. No entanto, o sommelier vê o avanço do consumo de vinhos orgânicos como algo extremamente positivo.

 

INFOOD – O que é um vinho orgânico ?

BERNARDO MURGEL – O vinho orgânico é aquele vinho feito a partir de uvas orgânicas. Os vinhedos são tratados com remédios anti pragas naturais ao invés de sintéticos, o que preserva os lençóis de água e torna o vinho uma bebida ainda mais saudável.

INFOOD – A produção mundial de vinho orgânico é recente ? 

BERNARDO – Sim. Claro que há muitos produtores que sempre fizeram o tratamento orgânico dos vinhedos, porque aprenderam a fazer assim. Mas, como movimento organizado e certificação nas garrafas, é um movimento relativamente recente, que acompanha também outros produtos agrícolas.

INFOOD – O gosto de um vinho orgânico é diferente do vinho convencional ? É possível diferenciá-los pelo sabor ?

BERNARDO – Há uma diferença, mas não acredito que possa se identificar isso no gosto de maneira tão objetiva. Os produtores orgânicos tendem a ser um pouco intervencionistas em todo o processo, e fazer o vinho de maneira mais natural. Com isso, os vinhos tendem a expressar de maneira mais límpida as características de clima e solo do vinhedo de onde vieram, o que é ótimo, porque preserva a pluralidade de sabores que a bebida pode oferece, ao invés de um padrão.

INFOOD – Tivemos informação que atualmente 4% da produção mundial é de vinho orgânico. E aqui no Brasil, você sabe nos dizer qual o percentual ?

BERNARDO – Não tenho os dados, mas é bem pouco. Nosso clima úmido dificulta bastante a cultura orgânica, mas alguns produtores têm conseguido bons resultados. O cuidado com a vinha precisa ser dobrado, não é uma aventura para qualquer um.

INFOOD – Os alimentos orgânicos passam por um processo de certificação. O mesmo ocorre com os vinhos ?

BERNARDO – Sim, mas no Brasil, sempre burocrático, muitos vinhos orgânicos não podem estampar seus certificados na garrafa. A lei brasileira diz que para a certificação possa constar no rótulo, precisa ser validada por uma certificadora que tenha registro no Brasil. Há muitos vinhos orgânicos que vem, por exemplo, da França, mas os importadores brasileiros são obrigados a arrancar a identificação. Não basta o órgão francês atestar. Um absurdo.

INFOOD – A oferta de vinhos orgânicos ainda é pequena, mas tende a aumentar. Como você vê esse avanço ?

BERNARDO – Vejo como extremamente positivo, já que são vinhos mais saudáveis e originais.

 

Porto di Vino - 2013/11/22O Sommelier Bernardo Murgel

INFOOD – E em relação ao preço: o vinho orgânico é mais caro que um convencional? Quanto?

BERNARDO – Acho que ainda um pouco, mas muito pouco, principalmente se vier de um clima seco, onde a cultura orgânica pode ser feita com menos esforço.

INFOOD – Qual e diferença entre vinho orgânico, natural e biodinâmico?

BERNARDO – O vinho natural não é sulfitado, e é fermentado por leveduras indígenas, que residem na casca da uva, ao invés de leveduras selecionadas em laboratório. A cultura biodinâmica busca em práticas ancestrais uma maneira menos artificial de fazer vinhos. Dentre os ensinamentos mais conhecidos está, por exemplo, levar em conta as fases da lua para podar a vinha.

INFOOD – Na sua opinião, qual é o melhor vinho orgânico?

BERNARDO – Há alguns produtores expoentes, como Philippe Pacalet, na Borgonha. Mas dizer um que seja melhor que todos os outros é impossível.

INFOOD – Como surgiu o seu interesse por vinhos?

BERNARDO – Meu primeiro emprego foi numa empresa de bebidas. Por uma demanda específica fui fazer o curso básico de vinhos da associação brasileira de sommeliers. Curti o curso, continuei estudando e acabei me apaixonando pelo vinho. Acontece com todo mundo que entra nesse universo…

INFOOD – Você é sócio da Porto Di Vino. Como é feita a seleção de vinhos da casa?

BERNARDO – Sou o sommelier da casa, e a seleção é bastante pessoal. Só vendo os vinhos que gosto.

INFOOD – E em relação aos cursos que você ministra. Qual é o seu público? Há cursos sobre vinhos orgânicos?

BERNARDO – Temos degustação toda semana, e nosso diferencial é a maneira despojada como tratamos o vinho. Não há rituais exagerados nem formalidades. Gostamos de vinho, de bom papo, de nos divertir. O vinho é uma das melhores coisas da vida e estamos aqui para aproveitar. Acabamos atraindo o público que se identifica com isso. Os enochatos estão barrados.  Eventualmente orgânicos são tema, mas não há regra.

 

Serviço
Porto Di Vino
Praça Santos Dumont, 140 Loja A – Gávea
Tel. (21) 2137-4154
Avenida Rui Barbosa, 274 Lojas 101 a 103 – São Francisco
Tel. (21) 2610-2360
www.portodivino.com.br

 

 

Por Redação

 

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