A longevidade dos negócios é um desafio para todos os empreendedores, independentemente do tamanho e da localização dos mesmos. As adversidades são enormes e, no Brasil, o cenário não é diferente. Com elevada carga tributária, oscilações econômicas e políticas, desemprego, pouca qualificação de boa parte da população e falta de esperança em dias melhores, o empresariado local precisa demonstrar enorme persistência, dedicação e criatividade para garantir a continuidade dos negócios com o justo retorno do capital e tempo investidos.

Ficou no passado o tempo em que a sociedade, de modo geral, esperava uma resposta pronta e mágica de seus governantes. A complexidade da situação, associada à inoperância do Estado, faz com que, cada vez mais, a busca por soluções esteja na própria sociedade organizada e não sob responsabilidade de poucos governantes ou agentes setoriais.

Dessa forma, todos se tornam protagonistas de suas trajetórias e de seus negócios. A diferença entre o sucesso e o fracasso está muito frequentemente associada à capacidade empresarial de se adaptar aos novos tempos e às novas formas de atuação.

Economia Colaborativa

A economia colaborativa aparece como uma alternativa de coexistir e também de gerenciar negócios na atualidade. Consiste na associação de agentes, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, associações de classe, poder público, empresários, universidades e demais interessados que, unidos por propósitos e interesses comuns, trabalham e repensam juntos maneiras virtuosas e sinérgicas de contribuir para o bem comum.

Interesses privados são justificáveis e podem coexistir, porém a economia colaborativa parte do pressuposto de que ações e estratégias conjuntas irão sempre priorizar a relação ganha-ganha na qual, em alguns casos, é necessário abrir mão de um benefício privado maior a favor de um melhor resultado para todos os participantes. Também é pressuposto dessa prática que a participação conjunta e interdisciplinar de diferentes agentes traz vantagens adicionais, tais como visão ampliada do todo e das partes de uma mesma situação ou problema, aumento do poder de barganha dos agentes individuais, além do empoderamento do grupo, uma vez que todos juntos são melhores do que individualmente. A força coletiva e legítima possui elevada capacidade de romper barreiras e alcançar objetivos.

Mercado em Foco de Campos do Jordão

Um bom exemplo de trabalho colaborativo em prol de propósitos comuns é o grupo Mercado em Foco de Campos do Jordão, no interior de São Paulo. Esse grupo atua há quase quatro anos e congrega participantes do empresariado local, incluindo proprietários de meios de hospedagem, serviços de alimentação, varejo e prestadores de serviços; associações de classe, poder público, professores e alunos da área de turismo e hospitalidade. Coordenado pelo Centro Universitário Senac – Campos do Jordão, onde mensalmente ocorrem as reuniões, o grupo tem como missão trabalhar de forma voluntária, sem fins lucrativos, na elaboração de projetos aplicados ao turismo da cidade.

O mais recente resultado obtido pelo trabalho colaborativo desse grupo foi entregue para a sociedade e reúne dados sobre perfil, perspectivas e necessidades dos empresários locais. Entre as principais dificuldades percebidas pelos participantes da pesquisa, destacam-se a falta de comunicação e relacionamento entre os próprios empresários, suas associações e o poder público local; a sazonalidade do destino turístico; a falta de investimentos e infraestrutura na cidade; e a falta de mão de obra qualificada.

Sociedade organizada

Esses resultados ilustram a magnitude dos desafios e também a dificuldade de solução individualizada por qualquer agente envolvido na cadeia de hospitalidade e turismo da cidade. Acredita-se, no entanto, que, para aumentar a chance de sucesso frente aos principais problemas apontados, é fundamental que a sociedade como um todo se organize de forma colaborativa para levantar as prioridades e definir os planos de trabalho com o intuito de ajudar a resolver essas questões.

Como bem ilustrado nesse exemplo, a economia colaborativa é também uma ferramenta para ajudar na solução dos desafios empresariais e sociais. Requer uma nova postura, em que concorrentes se tornam parceiros e o bem comum de longo prazo é mais virtuoso do que o sucesso individual de curto prazo. Uma nova atitude em uma nova economia, em que realmente se acredite que juntos nos tornamos melhores!

 

Mercado em Foco de Campos do Jordão

https://www.grupomercadoemfoco.com.br/
https://www.facebook.com/Mercadoemfococamposdojordao/

 

Texto: Ana Lúcia Rodrigues da Silva

 

* Ana Lúcia Rodrigues da Silva é professora de graduação e pós-graduação do Centro Universitário Senac – Campos do Jordão nas áreas de gestão estratégica, marketing e finanças.

 

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