Você já se perguntou como um negócio de gastronomia é pensado? Vejo os planos de negócios com investimentos elevados, contemplando muitas questões como marketing, arquitetura, equipamentos, entre outras coisas, mas raríssimas vezes encontro o perfil do atendimento que o empreendedor quer para sua casa. A questão que vejo é: Quero que meus garçons façam um bom atendimento…Mas, não se pensa no perfil de colaborador, na montagem de uma descrição de cargo, ou nas características que essas pessoas devem apresentar.

A PEGN (Pequenas Empresa Grandes Negócios) fez uma pesquisa demonstrando que 61% dos entrevistados afirmam que ser bem atendido é mais relevante do que o produto consumido. De olho nessa pesquisa, pensando num negocio para o mercado de Food Service, o atendimento deve ter um grande peso nas nossas tomadas de decisão. Precisamos dar uma atenção especial a esse ponto, já que muitas ações vão influenciar suas escolhas. Como sempre digo, se você não possui experiência na operação, busque conhecimento e recorra a um profissional que possa passar orientações. Com certeza esse é o melhor caminho.

Na visão do autor, um dos primeiros pontos que deve ser observado para que haja um atendimento de qualidade está no dimensionamento da equipe. No seu negócio, qual o índice correto de garçons por cliente? Já pensou nesse indicador de desempenho? Isso pode estar afetando a qualidade percebida pelo seu cliente dentro do seu negócio.

Existem outros dois pontos que andam de mãos dadas e que são tão importantes quanto o primeiro: a mensuração da necessidade de utensílios e a Mise an Place de salão para atendimento. Elas estão ligadas por um simples motivo: é necessário entender que se meu negócio utiliza 2.2 pratos por cliente, e eu tenho 120 lugares, logo preciso de no mínimo 264 mais 20% de margem de segurança, totalizando 317 pratos. E a Mise an Place, entra na jogada organizando essa questão como todos os outros utensílios. A Mise an Place bem feita, será um grande passo para o sucesso, a identificação de onde meus aparadores vão estar dispostos, gavetas com separadores, local para cardápios não amassarem, enfim, ações de organização que serão básicas, porém, fundamentais.

A definição do perfil dos colaboradores e a descrição das atividades darão ao negócio uma segurança no ato do processo seletivo e identificação de possíveis candidatos que farão parte da equipe. Desta forma, a assertividade será maior reduzindo a possibilidade de erro e, consequentemente, aumentando a possibilidade de atender a expectativa do seu cliente.

Outro ponto de destaque durante essa identificação dos colaboradores é entender se o colaborador também tem sinergia com o conceito proposto, pois, ele pode ter o perfil, estar alinhado com as atividades, entretanto, não se identificar com o conceito proposto. E para exemplificar melhor, já imaginou contratar um vegano para uma casa de carnes? Será que ele vai acreditar e vender os produtos com a dedicação e amor esperado?

E, numa linha imaginaria, mas não menos importante que as questões anteriores, posso citar os treinamentos. Uma equipe sem treinamentos é uma equipe desconectada com a casa, com os produtos e sem identidade. É preciso mostrar para sua equipe onde você quer que ela vá, e como ela deve ir. Dar a ela ferramentas para atingir os objetivos e superar as metas pré-estabelecidas. Invista no seu pessoal, busque profissionais e parceiros que possam ajudar a desenvolver a sua equipe, levando-a ao alto rendimento.

Dando atenção a essa dicas, posso afirmar que você está no caminho certo para qualificar o atendimento do seu negócio, gerando uma vantagem competitiva de mercado muito forte, já que, a cada dia, a competição está cada vez maior.

 

Texto: Flávio Guersola
*Flávio Guersola é sócio da Guersola Consultoria & Assessoria em Empreendimentos Gastronômicos. Especialista em Gestão empresarial pela Fundação Escola de Comercio Alvares Penteado (FECAP), Formado em Hotelaria pela HOTEC. Com forte vivencia em empresas Multinacionais e independentes do ramo da Hospitalidade e 20 anos de experiência em empreendimentos gastronômicos, atua também como professor e palestrante, com experiência nas áreas de gerenciamento de alimentos e bebidas, planejamento de cardápio e gestão empreendedora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O turismo gastronômico como meio de desenvolvimento local

Publicidade
Publicidade

Para receber a newsletter Infood, digite seu e-mail no box abaixo e clique na seta.

© 2018 Infood - Todos os direitos reservados