Carolina Bastos é sócia e irmã de Marcelo Correa Bastos, do restaurante Jiquitaia. Essa união dos dois faz o sucesso da casa, que é das mais requisitadas quando se fala em comida brasileira.

Autodidata no que se refere aos serviços de salão, Carolina, que é formada em economia, aprendeu o que sabe sobre atendimento na prática. “Existe um buraco, e espero que em breve surjam cursos nessa área de serviço.”

Sua luta é para que o serviço no salão possa ser reconhecido e valorizado. “Atualmente o serviço é um trabalho temporário. É preciso mudar isso, fazendo uma carreira no serviço. A pessoa não pode estar só de passagem.  E para isso, o serviço tem que ser valorizado. Existe prêmio de melhor chef do ano, mas não existe melhor maitre do ano.”

Abaixo você confere a entrevista exclusiva que Carolina concedeu à Infood.

INFOOD – Como o serviço entrou na sua vida?

CAROLINA BASTOS – Eu sou formada em economia, E trabalhei 8 anos numa multinacional. Mas estava muito infeliz naquele trabalho. Pedi demissão, e nesse momento o meu irmão Marcelo falou para abrirmos um restaurante e eu topei. Fiquei com a parte administrativa e de serviço. E o Marcelo ficou na cozinha.

INFOOD – O que mais gosta de fazer?

CAROLINA – Hoje o que me dá mais prazer é o atendimento ao cliente. A experiência das pessoas no restaurante é o que me agrada. Nós não vendemos só comida, nós vendemos uma experiência. As pessoas têm que chegar no seu restaurante e se sentirem em casa. É importante um serviço informal sem ser invasivo.

INFOOD – Como você aprendeu sobre atendimento?

CAROLINA – Tudo o que eu aprendi foi na prática. Eu fui atrás para me capacitar. Fiz um curso de vinhos com a Alexandra Corvo, mas para a parte de serviços, não tinha nenhum curso. Existe um buraco, e espero que em breve surjam cursos nessa área de serviço.

INFOOD – Como o serviço afeta o restaurante?

CAROLINA – No dia a dia, é mais fácil um cliente aceitar uma falha na cozinha do que uma falha no atendimento. Elas aceitam uma comida não tão boa, mas não aceitam ser maltratadas.

Carolina e Marcelo no restaurante Jiquitaia

INFOOD – Como você faz o treinamento com sua equipe?

CAROLINA – Eu tenho uma convivência diária com a equipe. Faço treinamento e, inclusive, estou finalizando uma apostila de serviço, para nos auxiliar. Isso para que a pessoa saiba como é o serviço Jiquitaia. `Ter um manual escrito é sempre muito bom.

INFOOD – O que é mais básico no serviço?

CAROLINA – Simpatia, limpeza pessoal, e eficiência.

INFOOD – O que você recomendaria para que o serviço caminhe bem?

CAROLINA – É imprescindível ter alguém junto com a equipe no dia a dia. A equipe precisa sentir a paixão por aquilo. A equipe só vai entender o restaurante se você estiver por perto. Existe uma formalização do serviço, mas cada restaurante tem uns detalhes próprios e específicos.

Temos no Jiquitaia a Camila, que está conosco desde o início. Ela começou como pia, e hoje ela é a minha substituta no salão. Ela conhece tudo.

INFOOD – O que fazer para motivar a equipe?

CAROLINA – O maior desafio é que atualmente o serviço é um trabalho temporário. É preciso mudar isso, fazendo uma carreira no serviço. A pessoa não pode estar só de passagem.  E para isso, o serviço tem que ser valorizado. Existe prêmio de melhor chef do ano, mas não existe melhor maitre do ano. A mídia não valoriza isso. É dada mais importância para a cozinha do que para o salão. Nós os motivamos quando valorizamos o trabalho deles.

INFOOD – Como seria a carreira de serviços?

CAROLINA – Ele pode começar como comin e subir para garçom, maitre, até gerente. Atualmente há vários gerentes que ganham mais do que chefs de cozinha.

INFOOD – Quais as principais dificuldades na profissão?

CAROLINA – É um desgaste emocional atender o público, que poucas pessoas enxergam. O cozinheiro pode dar um soco na pia, porque ele está num ambiente fechado e o cliente não vê. Nós, que estamos no salão, temos que estar sempre sorrindo. Eu falo para a minha equipe: sei que todos têm problema em casa, mas nessa carreira, temos que esquecer os problemas no instante que entramos no restaurante. É quase uma forma de meditação: meus problemas estão lá, e esse é o momento que eu preciso estar bem, sorrindo. O serviço é um teatro.

 

Jiquitaia

Rua Antonio Carlos, 268 – São Paulo/SP
Tel. (11) 3262-2366
http://jiquitaia.com.br/
https://www.facebook.com/Jiquitaia/
https://www.instagram.com/jiquitaia/

 

 

Por Redação

Fotos: Heverton Leal

 

One thought on “Carolina Bastos do Jiquitaia: “É importante um serviço informal sem ser invasivo””

  1. Nilton disse:

    Com relação a curso na área de serviço de restaurante, existe o Senac, que é referência nacional.

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