Há menos de 5 meses o chef Thiago Arnaud abriu o Co.WOK Asian in Box, um fast food de comida asiática em caixinha. Formado em Gastronomia, especializado em docência no ensino superior, Thiago já trabalhou como chapeiro,  saladeiro,  cortador, até que se candidatou para uma vaga em cruzeiro de turismo, e foi trabalhar fora. Esse momento, segundo ele, foi um divisor de aguar em sua carreira.

No cardápio do Co.WOK, há uma divisão da receita clássica em 4 passos: proteína, base, molhos e toppings. E o cliente tem a opção de fazer sua escolha, como desejar.

Em entrevista à Infood, o chef conta da sua experiência como empreendedor,  como a culinária asiática faz tanto sucesso em seu negócio e dos desafios enfrentados nessa empreitada. “A cultura no Brasil resume-se ao sucesso de hoje. E  não há um esforço do colaborador em ser um bom funcionário. Hoje é o que importa. E os processos acabam se tornando maçantes, incompreendidos, cansativos”. 

INFOOD – Como surdiu a ideia de montar o Co.Wok Asian in Box?

THIAGO ARNAUD – Percebemos que há um público consumidor que é bem apaixonado pela cozinha oriental, especificamente, a cozinha quente, mas que esse cliente acaba se esquecendo de consumir porque não houve qualquer inovação nos últimos 20 anos. O cliente apaixonado que se acomodou, porque sabe que os restaurantes chineses estarão lá daqui a um ano ou mais. A carne acebolada, o lombo agridoce, o frango xadrez e tantos outros pratos são inquestionavelmente saborosos, mas o mercado não apresentou uma atualização que justificasse um novo olhar para o segmento. Ou que justificasse um investimento em novas franquias dentro do tema porque, talvez, este nicho já tem uma liderança bem consolidada. Daí surgiu nossa ideia. Investir na tradição da cozinha oriental com inovação, em especial, com olhar no ponto cego: a vontade do cliente. 

INFOOD – Por que optou por uma culinária asiática?

THIAGO – É uma divisão da culinária que menos sofre em crises. Acredito que muitas pessoas se lembram daquele restaurante chinês que frequentavam em outros tempos, na infância, e que ainda está lá, do mesmo jeitinho. Com, talvez a mesma equipe, e que sobreviveu aos anos e aderiu novas gerações, sempre com um “Q” de coadjuvante nas tendências.

INFOOD – Você já tinha trabalhado anteriormente com comida asiática?

THIAGO – Sim. Foi a minha primeira paixão adolescente. Eu comecei pela cozinha japonesa. Fiz uma centena de cursos com sushimans de destaque na minha cidade. Frequentava seus restaurantes e escrevia num bilhete meu nome e telefone dizendo: “Se você topar me ensinar, eu topo te pagar pra eu aprender”. Ninguém colocava muita fé, mas depois de algumas tentativas, alguém cansava e retornava meu apelo. Eu queria mesmo aprender para comer. 

INFOOD – Quais suas experiências anteriores com a gastronomia?

THIAGO – Trabalhei como chapeiro, saladeiro, cortador, e, um certo dia, justo no centenário da imigração japonesa, fiz um evento em João Pessoa, que foi um divisor de águas – literalmente. Sugeriram a mim, por algumas vezes, candidatar-me para vaga em cruzeiro de turismo. Fui para Curitiba, fiz entrevistas e fui chamado para embarcar. Então trabalhei duro fora do Brasil, com poucas ou quase nenhuma hora de sono. 

INFOOD – Como é empreender no Brasil?

THIAGO – Não vou usar o clichê de dizer que é difícil. Isso eu ouvi em qualquer lugar que eu tenha conversado com empresários. Na Alemanha não se discursa diferente daqui. Mas eu vejo uma vantagem de empreender no Brasil. Aqui, em se criando, tudo se consome. Mas nem tudo se adere. Somos curiosos. Aceitamos conhecer um lugar novo por semana. Que outra cultura admitiria não se fidelizar e acertar sempre na escolha em troca de conhecer aquela novidade? Infelizmente, nosso diferencial é nossa “quimera”. Alimenta nosso mercado, mas sofre quando o novo surge de novo. Então aí vem a dificuldade. Outro desafio de empreender é a nossa cultura. Agora falo sobre a cultura do colaborador, do teu funcionário. A cultura no Brasil resume-se ao sucesso de hoje. E não há um esforço do colaborador em ser um bom funcionário. Hoje é o que importa. E os processos acabam se tornando maçantes, incompreendidos, cansativos. 

Thiago Arnaud

INFOOD – Quem são seus sócios e como é a divisão de trabalho?

THIAGO – Tenho o Fábio Jäckel como sócio. Ele atua como gerente da nossa loja. Aplica nossos manuais e fiscaliza o cumprimento das diretrizes quase como se fosse um franqueado. Juntos, tomamos as decisões mais acertadas e somente tiramos do papel aquilo que sentimos segurança em desenvolver. Já eu fico na administração. Me afastei das frigideiras para ver o outro lado do fogão. Passo as primeiras horas do dia acompanhando os resultados e resumindo tudo em sugestões para discutir com o Fábio sobre as melhorias. Todos os dias discutimos centenas de pontos. Aqui, é proibido dormir no ponto.

INFOOD – O Co.WOK é ainda bem recente, não tendo nem seis meses de operação. Quais suas expectativas para o desenvolvimento do negócio?

THIAGO – Tínhamos projetado um período de maturação de 12 meses para falar sobre franquia, mas houve uma procura muito significativa por replicar o negócio em modelo de franquia. Precisamos então sair da zona de conforto e correr para entender tudo sobre as relações contratuais que este negócio exige para que todos saiam felizes após a assinatura do contrato. Hoje, a gente tem se qualificado ao máximo para elaborar um modelo gestão e acompanhamento em que o franqueado sinta-se ouvido, amparado por nós. Queremos que todos tenham voz, mas, acima de tudo, que consigamos dar todo suporte necessário. 

INFOOD – Como tem sido a aceitação do público em relação ao seu fast food de comida asiática em caixinha?

THIAGO – É engraçado, mas há uma grande exclamação das pessoas dizendo para nós: “Por que ninguém pensou nisso antes?” Eu até respondo que muita gente pensou. Muita gente mesmo. Ainda tem muita gente pensando. Fato é que o cliente se sente representado quando pretende trocar o macarrão do Yakissoba por massa Bifum, e ao invés de pimentão, ele prefere repolho ou broto de feijão. E assim nasceu a ideia de dividir a receita clássica em 4 passos: proteína, base, molhos e toppings. Cada um escolhe seu frango xadrez, mesmo que sem frango e com um toque de pimenta. Por que não?!

INFOOD – Nesse curto tempo de operação, quais são os maiores desafios que tem enfrentado?

THIAGO – Já vencemos em boa parte a questão de fornecedores. Conseguimos cadastrar alguns bons profissionais que tenham capacidade de atender nossa crescente demanda. Agora nosso desafio é fabricar 100% os molhos. Já inauguramos com a ficha técnica deles pronta, mas resolvemos experimentar e conhecer a opinião dos clientes. Oferecemos atualmente 16 molhos. Apenas 9  ficarão como titulares. O restante fará parte de ações pontuais.

INFOOD – Quais os próximos passos que pretende dar?

THIAGO – Nossos esforços estão concentrados em encontrar o melhor formato para franquear o Co.WOK. Estamos construindo do zero nossa plataforma, mas também não descartamos a fusão dos interesses com grupos experientes. Até já namoramos alguns.

 

Co.Wok Asian in Box

Rua da Guia, 121 – Recife/PE
Tel: (81) 3424-5279
contato@cowokbox.com
https://www.facebook.com/cowokbox/
http://cowokbox.com/home
https://www.instagram.com/co.wok/

 

Por Redação

Fotos: Divulgação

 

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