Alguns são tímidos, outros mais descolados, mas todos eles têm algo em comum: pertencem a uma geração conectada e com um potencial incrível. A chamada geração ”Y” (jovens no começo de suas vidas profissionais) encontra certa dificuldade em permanecer no trabalho, por causa das diferenças que existem entre as formas de se comunicar.

Aprendizado através da observação

Nas cozinhas profissionais, essa dificuldade aparece logo de cara, quando o chef pede, de maneira direta, mas implícita, que seja executada certa tarefa. Os ”Y” costumam fazer perguntas. Aliás, muitas perguntas, e isso não está no dia a dia do chef, mesmo porque ele não aprendeu a questionar.Simplesmente executava as tarefas precedidas da frase: “sim, chef” em sua época de começo de carreira.

O aprendizado era através de simples observação e repetição até chegar a tal perfeição, e era acompanhado de broncas quando erros eram cometidos.

Hoje em dia, a coisa não é mais assim. Tudo precisa ser explicado com detalhes e sempre terá que haver uma razão para que uma tarefa seja executada daquela forma.

O que antes na geração “X” era simplesmente uma questão de observação e repetição até poder desenvolver seus próprios meios e técnicas, hoje se traduz na era do desenvolvimento puro, onde os “Y” questionam para entender motivo e a razão e, com isso, criam em cima, fazendo surgir o novo.

Esse é um dos motivos que elevam o “turn over” nas equipes de cozinha: a comunicação – neste caso, truncada.

Como gerir um equipe da nova geração

Gerir uma equipe com pessoas que questionam quem não está acostumado – o que é comum em muitos negócios gastronômicos – pode parecer inadequado, mas não é.

Há diversos pontos positivos que podem ser explorados para quem estiver disposto a aprender com os “Y”. Pense: “você gostaria de ter questionado seu chef quando ele ensinou como se fazia sous vide, mas, no entanto, não se sentiu livre para isso e pode ter perdido a oportunidade de aprender mais ou até inovar em cima da técnica à época? E você acabou fazendo algum tempo depois e sem ter ninguém para perguntar?”.

É exatamente isso o que os jovens da sua cozinha querem. Questionar para aprender e inovar, só que o mais rápido possível, afinal, estamos globalizados e o que parece ser novidade às 10 da manhã já será passado às 10h30 – e as oportunidades de gerar lucro vão se esgotar.

Uma dica: “Olhe-se no espelho deles e entenda que você já teve vontade de questionar sem ter a liberdade para isso. Abra sua mente e deixe seu conhecimento ser explorado.”

 

Texto: Marcelo Santos

 
 
  
 
 
 

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O turismo gastronômico como meio de desenvolvimento local

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