Oferecer uma comida prática, saudável e gostosa. Essa é a ideia da Eba! Comida Saudável. O sócio Bruno Alves, publicitário de formação, sempre quis trabalhar com gastronomia e enxergou uma forma de responder a alguns de seus questionamentos: o conceito de seu negócio surgiu como uma resposta a insatisfações pessoais em relação à cidade de São Paulo: “acho que há poucas opções de comida saudável na cidade a um preço acessível”.

Com uma unidade localizada em Pinheiros e serviço de delivery, a Eba! possui suas saladas em pote como carro chefe. Há uma preocupação do restaurante em usar o máximo de ingredientes orgânicos, sazonais, comprados de produtores locais (para saber de onde se está comprando). Porém, tudo isso vem com o desejo de oferecer ao consumidor um bom preço. “Não adianta ter uma preocupação de fazer um bom produto, usar produtos orgânicos, se você não chega com um preço acessível” disse Alves. O conceito de “pegue e leve”, muito comum na Europa e nos Estados Unidos, é uma aposta de Bruno como alternativa ao curto intervalo de tempo que  as pessoas possuem para fazer uma refeição.

Em relação à definição de seu estabelecimento, Bruno Alves diz que não é possível afirmar que a Eba! é apenas um restaurante, ou um serviço de delivery: “acho que não existe uma categorização, mas sim uma necessidade: as pessoas querem comer bem, de uma forma prática e saudável. E a Eba! responde a isso”. 

A INFOOD conversou com o sócio, que também é o chef de cozinha da casa, sobre o projeto da Eba!, além dos planos para a expansão e as dificuldades na administração de um empreendimento no mercado gastronômico.

comida saudável - Infood

comida saudável – Infood

INFOOD – Bruno, como surgiu a ideia de montar a Eba! Comida Saudável? Você sempre trabalhou na área de gastronomia?

BRUNO ALVES – Na verdade, eu cozinho há 20 anos, mas não profissionalmente. Profissionalmente, cozinho há 2 anos. Quando falei que iria trabalhar com comida, falava que faria coisas para dar respostas a insatisfações minhas em relação à cidade de São Paulo. A Eba! é, na verdade, uma resposta a eu achar que há poucas opções de comida saudável na cidade a um preço acessível. E também queria que a pessoa comesse de uma forma prática. Lá fora é uma coisa muito comum: você tem uma “deli”, um “café”, onde você só passa, pega alguma coisa e vai comer em outro lugar, que até tem uma ou outra mesinha.

INFOOD – Por que a opção por trabalhar na área gastronômica?

BRUNO – Eu sempre quis trabalhar com isso e não queria entrar para fazer mais um restaurante qualquer. Queria fazer coisas que me motivassem mais. E é natural, ao fazer coisas que mexam com suas insatisfações ou ideais, sentir-se mais motivado e fazer coisas mais bacanas. Isso foi decorrente de uma vontade minha de fazer algo diferente.

INFOOD – Você possui uma experiência como publicitário. Isso lhe ajudou, de alguma forma?

BRUNO – Acho que tudo que você já absorveu na vida lhe ajuda. Já trabalhei em aeroporto, já fui biotecnólogo, publicitário. E isso tudo, de alguma forma, me ajuda. Eu me foco muito no meu produto, o que vem como marca é muito mais um adereço do que outra coisa. Se a gente tem bons produtos, a chance da gente virar é muito maior. Claro que vou usar coisas que já aprendi, mas me foco em fazer um produto realmente bacana.

INFOOD – Quais são os maiores desafios para quem empreende no ramo da gastronomia? Você tem sócios no projeto?

BRUNO – Tenho uma sócia que ajudou no começo. Ela não é operacional, só entrou com a grana, é minoritária. Então, na verdade, eu que toco os negócios mesmo. Em relação aos desafios, o maior é entender o mercado. Vender comida é fácil, fazer um negócio girar é muito difícil. O Brasil tem muita lei, muita “mecanicazinha”, muita dinâmica que você tem que saber para não ser pego de surpresa. Eu costumo dizer que quem abre um negócio de gastronomia no Brasil abre em qualquer lugar do mundo. É preciso, a princípio, estudar muito. Não digo exclusivamente gastronomia. Mas negócio mesmo. Vejo muita gente começando o negócio de uma maneira apaixonada, sem estudar ou entender como funciona a empresa, o administrativo de um restaurante. Pelo que vejo da minha pequena experiência, pelo menos 50% dos casos de empresas que quebram têm a ver com alguém que não se estruturou o suficiente e não soube transformar uma paixão em um negócio.

comida saudável 2 - Infood

comida saudável 2 – Infood

INFOOD – O principal intuito da Eba! é trazer uma comida saudável e prática?

BRUNO – A ideia da Eba! é comida prática, saudável e gostosa. Muita vezes a gente fala em saudável e as pessoas esquecem do sabor: encaram saudável como um pouquinho de alface, tomate e cebola ou um frango grelhado. A comida parece insossa. E eu não acho que deve ser assim. A Eba! vem com essa pegada. Além disso, quero chegar a um valor bacana para o consumidor final. Não adianta ter uma preocupação de fazer um bom produto, usar produtos orgânicos, se você não chega com um preço acessível. Hoje a gente tem o nosso carro chefe: as saladas em pote. Fomos os pioneiros aqui no Brasil. E agora a gente já vai fazer outras linhas. Mas tudo assim: que use o máximo de ingredientes orgânicos, sazonais, que a gente possa comprar de produtores locais, para saber de onde está comprando.

INFOOD – Como você vê as ações do Mc Donald’s caminhando cada vez mais para a alimentação saudável, oferecendo saladas em potinhos? Chega a ser uma concorrência para vocês?

BRUNO – Se eu for me preocupar com concorrência, vou me preocupar com a padaria da esquina e com o restaurante que custa 70 reais o prato, porque, afinal, todo mundo está vendendo o almoço da pessoa. Acho ótimo quando há redes de fast food se preocupando em levar opções mais saudáveis para as pessoas, porque isso ajuda a conscientizar as pessoas da necessidade de uma alimentação saudável. Não me preocupa (a concorrência de redes de fast food vendendo alimentos saudáveis), eu acho ótimo. Quanto mais os grandes se posicionarem, mas os menores, como eu, se beneficiam disso.

INFOOD – Há planos para a expansão do negócio? Como seria?

BRUNO – A gente já vai começar uma expansão agora, mas não posso falar sobre isso ainda. A meta da Eba! é ter vários pontos de distribuição, que seja uma ideia de sempre ter uma Eba! perto de você. Para você poder descer do seu prédio, do seu escritório, pegar uma coisa e voltar. A gente tem planos de expansão e está acabando de se estruturar, porque só operamos há 10 meses, para dar o próximo passo.

INFOOD – Em sua opinião, é mais vantajoso ter um negócio itinerante ou um ponto fixo?

BRUNO – Acho que não tem uma regra. Legalmente falando, você precisa ter um ponto fixo. Se você quer fazer as coisas direito, você vai precisar disso. Se você não está fazendo isso, desculpa, você não está sendo profissional e, de certa forma, sendo injusto com quem trabalha assim. Mas depende muito do seu negócio. Não existe uma regra. A regra é: faça um plano de negócios. As pessoas acham que sendo itinerante não vai ter um custo x, mas às vezes você acaba tendo um custo muito maior até. As pessoas não colocam isso na ponta do lápis. Acho que não existe uma resposta, existe um estudo.

comida saudável 3 - Infood

comida saudável 3 – Infood

INFOOD – A tendência é vermos cada vez mais opções saudáveis para uma refeição rápida pela cidade?

BRUNO – Se você considerar que é uma cidade em que cada vez menos as pessoas têm tempo de fazer nada, acho natural que isso vá aumentar. O que eu vejo são as pessoas tendo menos tempo de fazer as coisas que elas gostam. E comer não é um ato funcional para a maioria das pessoas, é um ato de prazer. Se você consegue, no pequeno tempo que a pessoa tem, sem ela precisar sair de onde está, ou dirigindo, dar um momento onde ela vá saciar não somente a fome, mas o desejo de comer alguma coisa gostosa, você tende a fazer sucesso. Eu não vou falar que é uma tendência, porque acho uma palavra muito ruim, mas pode ser que tenda a ter mais serviços dessa forma. Se você observar cidades como Londres, Nova Iorque e Chicago, você vai perceber que esse é um comportamento super comum nessas cidades. Lá, as pessoas não têm tempo de gastar horas no restaurante No Brasil, há uma cultura de almoços longos durante a semana: você sai do escritório e fica uma hora, uma hora e meia almoçando. Se você vai para Nova Iorque, por exemplo, as pessoas almoçam em meia hora. Muita gente começa a fazer almoço mais curto, porque vai fazer academia na hora do almoço e sobram 15 minutos para almoçar. É natural, portanto, que apareçam mais opções.

INFOOD – Como o uso dos ingredientes sazonais afeta o seu cardápio?

BRUNO – Isso afeta em 100% do negócio. Eu não tenho cardápio fixo, por exemplo. E essa é uma coisa que me assusta no Brasil, o quanto existem restaurantes com o mesmo cardápio por um, cinco, dez anos. Eu não consigo entender como você pode ter um cardápio que não muda esse aspecto quando temos ingredientes que variam de mês em mês. Isso é economicamente inviável. Se você quer gerir seu negócio de uma forma saudável, você precisa pensar sempre nisso. Sempre tentamos usar o máximo dos ingredientes da estação. Isso causa um preço menor, uma abundância maior. Na minha cabeça, faz parte do papel do cozinheiro se adequar ao que está bom, não criar um cardápio e deixar ele por um ano, dois anos. Faz parte da minha profissão entender os ingredientes que eu tenho à disposição e criar receitas.

INFOOD – Como ficou o delivery em relação à abertura do restaurante? O forte continuam sendo as entregas ou o restaurante alcançou esse posto?

BRUNO – O delivery continua sendo o ponto forte. A gente abriu o ponto aqui de uma forma super sutil, sem divulgação. Tendemos a ir para pequenos locais de distribuição e queremos difundir a cultura do “pegue e leve” (“grab and hold”, “take away”).

comida saudável 4 - Infood

comida saudável 4 – Infood

Por Vinícius Andrade
Fotos: Fernanda Moura

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Tsyuoshi Murakami: “O cozinheiro tem que saber escutar para aprender”

Publicidade
Publicidade

Para receber a newsletter Infood, digite seu e-mail no box abaixo e clique na seta.

© 2018 Infood - Todos os direitos reservados