Nada mais atual do que a economia compartilhada, uma tendência mundial que vem ganhando forma, tomando conta do mundo inteiro e está mais do que nunca presente na gastronomia. Que melhor forma de ver isso senão através dos food trucks?

Com a explosão da “guerra” entre taxistas e motoristas do Uber em várias capitais do país, a chamada economia compartilhada tomou conta dos noticiários e se espalhou criando duas correntes de pensamento: uma a favor, com pessoas que defendem a tendência para abrir espaços para novos tipos de comércio e serviços, aumentando as boas possibilidades de se obter qualidade e preços justos, e outra totalmente contra, com pessoas que defendem a manutenção de métodos de comércio e prestação de serviços feitos do modo tradicional.

A gastronomia é o espaço mais democrático que existe e nele essa tal “guerra” não acontece. Ao contrário, tem sido apoiada por gente importante que defende a cultura da “comida boa”, não importa onde ou de que maneira ela é vendida.

Os food parks criados para acolher os trucks na cidade de São Paulo são os maiores exemplos de que é possível a convivência pacífica entre restaurantes tradicionais e caminhões de comida de rua. Cada um tem seu público e espaço, e também compartilham públicos e espaços.

Para muito além dos muros e grades do food park, há uma convivência tranquila no setor. É fácil visualizar trucks estacionados em alguns pontos reconhecidos como fortes em bairros onde a gastronomia da cidade está mais concentrada, às vezes até em frente a alguns restaurantes, e nem por isso existe rixa. O cliente que vai a um bom restaurante também pode facilmente escolher degustar um belo “sanduba” em um desses caminhões geniais que rodam pela cidade, seja porque está com pressa, seja porque simplesmente deu vontade de experimentar.

Quem está na cozinha sabe bem como é que se conquistam os clientes, e não é segredo nenhum saber isso, mesmo porque é dito popular “pelo estômago”. Não há porque existir qualquer tipo de desavença, aliás, é exatamente o contrário, já que alguns chefs conhecidos estão investindo fortemente em trucks.

Recentemente no Rio, Roberta Sudbrack lançou o seu SudTruck com algumas das delícias feitas no restaurante da chef em formato street food e que arrastam fãs para onde o truck for. Em São Paulo, dois  dos mais conhecidos trucks, o Buzina de Marcio Silva  que foi chef em cozinhas famosas e Jorge Gonzalez que trabalhou no D.O.M, e o Holy Pasta comandado por Adolpho Sheafer, formam filas gigantescas onde quer que parem.  E também temos  Rodrigo Oliveira, do Mocotó, com seu Mocotó Aqui, levando para as ruas alguns pratos da casa de cozinha brasileira em formato street.

Tendência com excelentes possibilidades de ganho, a economia compartilhada traz diversos benefícios, criando concorrência saudável elevando a qualidade dos produtos e serviços, além de fazer crescer a oferta de empregos.

texto – Marcelo Santos
*Marcelo Santos (chefmarcelosantos@gmail.com) é chef de cozinha, professor de gastronomia, consultor de alimentos e bebidas e escritor e escreve para o site INFOOD às quartas-feiras

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