O que deve ser levado em consideração na elaboração de um projeto de restaurante, além da tecnologia dos equipamentos, do preço de compra dos equipamentos ou do desempenho esperado? O “layout”? A disponibilidade futura de manutenção dos equipamentos? A disponibilidade de mão de obra habilitada?

Na minha opinião, a alma do negócio em qualquer um projeto é o entendimento entre as pessoas que nele atuam e as atitudes dos membros do grupo, antes, durante as fases de elaboração e depois da implantação do projeto. É a formação de uma Egrégora em torno do que se espera do empreendimento. Isso independe do tipo de ação humana.

A Egrégora

Egrégora é a conjunção de pensamentos de um grupo que se une e forma uma espécie de entidade viva e invisível, capaz de auxiliar os membros de um determinado projeto ou de um empreendimento. Ou atividade humana. Em qualquer caso, seja para se equipar um restaurante ou para qualquer outra finalidade, é imprescindível a formação do ambiente favorável em torno do plano.

A Egrégora se forma quando a energia deliberadamente gerada forma um padrão. Ela tem a tendência de se manter e de influenciar o meio. Quando várias pessoas têm um mesmo objetivo e a sua energia se agrupa em torno do projeto. Isso tem muita força.

Assim é importante o empreendedor, ou os líderes, saberem o que os membros do projeto pensam e como agem. Quais as suas expectativas. Qual é o histórico nos seus trabalhos e ações. Arquitetos, engenheiros, decoradores, fornecedores e consultores.  No caso de projetos para um restaurante, os chefs e cozinheiros têm muita informação para o futuro do empreendimento.

A formação de uma Egrégora em torno do projeto vai fazer a diferença para sucesso do futuro empreendimento. Ela desperta a paixão, a união e a sintonia entre os envolvidos.

O projeto: do sonho à prestação de contas pelo empreendedor

O projeto para a construção de um restaurante representa um sonho em que empreendedor deposita nele o seu capital, o seu tempo e as suas forças. Tem que ser feito por profissionais que sejam independentes, sem vínculo empregatício ou de patrocínio com fabricantes e prestadores de serviços. Que tenham o objetivo de prestar um bom trabalho e, consequentemente, serem pagos por isso pelo empreendedor. Eles devem ser contratados e pagos, e prestar conta de seus trabalhos ao empreendedor.

Outras questões que devem ser consideradas

Sete itens que devem ser levados em consideração, entre outras coisas são:

  1. Como são os restaurantes na vizinhança com que o empreendimento vai concorrer.
  2. A disponibilidade e custo da mão de obra dos operadores.
  3. A disponibilidade de matérias primas e insumos e a origem dos insumos.
  4. A facilidade para os clientes chegarem e estacionarem os seus carros.
  5. A comodidade dos clientes.
  6. As características do imóvel e as características dos imóveis vizinhos.
  7. A competição com a vizinhança por questões de ruídos, de resíduos, dos odores da fumaça e do destino do lixo orgânico.

Logo, o projeto deve ser adaptável às condicionantes que poderão aparecer com o passar do tempo. É preciso prever o futuro do empreendimento. A futura sua história. Não é como uma foto ou um desenho. Deve ser adaptado às condições que surgirem. Ele é muito mais do que isso. Tem que se levar em consideração os anseios e o que foi pensado pelo empreendedor, a sua capacidade de investimento, a sua previsão de retorno dos capitais investidos.

Ele não é uma propriedade dos profissionais nele envolvidos. Os profissionais têm um papel muito importante, de deixar nele a sua impressão digital, mas o projeto é do empreendedor, que vai ficar com ele por muito tempo.

O consultor em equipamentos 

O consultor em equipamentos tem que conhecer o mercado de equipamentos para cozinhas profissionais pelo lado de dentro das empresas, as histórias e fatos relevantes das empresas que podem vir a se tornar fornecedores de equipamentos. Saber o que pensam os proprietários das empresas. Como fazem negócios. A tecnologia de que dispõem. O histórico dos fornecimentos ao longo dos tempos. Quais empresas têm planos de serem incorporadas por outra, ou que foram recentemente incorporadas. Porque isso influência a sua filosofia, a sua forma de fazer negócios. Essas variáveis podem ser um problema ou representar um trunfo para o empreendedor na hora da compra de dos equipamentos e serviços.

O consultor em equipamentos deve acompanhar o empreendedor durante as fases do projeto. Desde a especificação e escolha dos fornecedores, passando pelo “lay out”, pelas plantas de pontos, a definição das utilidades, o recebimento, testes e treinamento dos usuários, para assegurar ao seu cliente a certeza de que os fornecedores entregarão o que for especificado, comprado e pago.

É fundamental ter em mente o treinamento dos operadores. Existem inúmeros casos de equipamentos, serviços e sistemas que foram especificados e comprados, mas não são usados na sua totalidade pelos operadores. Isso, muito provavelmente, por falta de um claro entendimento da realidade do projeto ou por falta de treinamento específico no uso dos equipamentos, serviços e sistemas. O melhor e mais bem pensado dos projetos não terá sucesso se não for explicado pelo consultor para o empreendedor e para os operadores.

De nada adianta especificar os melhores equipamentos se os operadores não se adaptarem aos novos métodos de trabalho. Da mesma forma, o mais importante e bem pensado dos projetos, ou o mais bonito dos restaurantes não será aceito pelo mercado se não levar em consideração o que o mercado espera dele.

O empreendedor

O empreendedor é quem tem o objetivo, quem tem o sonho de criar o seu negócio. Ele se vê como parte do negócio que quer realizar e tem a coragem para caminhar em direção aos seus objetivos e correr os riscos que foram calculados para perseguir o sonho que idealizou. É quem tem a missão de ditar o que espera do empreendimento.

Portanto, cabe somente ao empreendedor o direito e a responsabilidade de assumir os compromissos financeiros, de tomar as decisões. Ele sabe o que quer fazer, ele tem o dinheiro ou pode consegui-lo, e tem a coragem para caminhar em direção aos seus objetivos. Não se envergonha por fazer trabalhos considerados inferiores e faz com orgulho, para que estes o levem à realização do seu sonho.

O empreendedor se envolve de corpo e alma com o negócio. Sabe o valor de cada centavo. Tem que escolher corretamente as pessoas e motivá-las a gerar a Egrégora em torno do seu projeto e levá-las em direção ao seu alvo. O seu objetivo.

 

Por Sérgio F. Frota
Sergio  Frota é Associate Member da FCSI e bacharel em administração de empresas pela Universidade de Brasília com vários cursos de extensão acadêmica e mais de 35 anos de experiência nas áreas comerciais e de projetos em diversas empresas, especialmente no segmento de indústria de equipamentos para cozinhas profissionais.
A FCSI www.fcsi.org – Food Service Consultants Society International – prepara e apoia o Consultor em Foodservice com Membros espalhados por todo o mundo e agora presente no Brasil prepara e apoia os seus Membros para essa importante função.

 

 

 

 

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