Quando março se aproxima, o mercado cervejeiro entra em ebulição, pois nesse mês acontece o Festival Brasileiro de Cerveja. Em comemoração aos 10 anos de existência, o evento foi em Blumenau, a capital brasileira da cerveja, no parque Vila Germânica, onde também acontece a edição brasileira da OktoberFest. Durante essa semana, passarão mais de 45.000 pessoas ávidas para beber, degustar e conhecer cervejas.

Há dez anos o evento começou tímido, em apenas 1 pavilhão, com a participação de poucas cervejarias. Contudo, o tempo e o mercado foram se desenvolvendo, consolidando-se ano após ano, e o evento foi crescendo. Houve um aumento da participação de cervejarias e, com o surgimento no Brasil das cervejarias ciganas, o evento “explodiu”. Foi de 1 para 3 pavilhões, tornando-se o maior Festival de Cerveja da América Latina.

Nestes 10 anos, o público também amadureceu junto com o evento. De início leigo, apenas  entusiasta, pessoas que gostavam de beber cerveja, mas abertas a novas descobertas de sabores e aromas. As cervejas mais leves e delicadas eram maioria, falo de estilos Weiss, German Pilsner, Witbier.

Com o passar do tempo, houve uma consolidação das American Índia Pale Ale, com seu amargor pronunciado e nos aromas que remetem à frutas cítricas como maracujá e abacaxi. E hoje vemos o público procurar o novo novamente, sendo que agora a escolha são cervejas complexas, com passagem em barril no caso das Oak Aged, que trazem aromas incríveis provenientes da maturação da cerveja no Barril e as Berliner Weiss com suas características principais de refrescância e acidez graças a fermentação láctica e o uso de frutas também ácidas.

Vamos falar da estrela principal do evento: as cervejarias! Vou creditar às cervejarias, pois sem elas não haveria cervejas e muito menos o evento. Elas fazem questão de lançar novos produtos e medir a aceitação do público a novas tendências, fazendo do evento um enorme laboratório, que ao final trará dados que irão nortear todo o ano.

No início, o evento era apenas de cervejarias de planta própria, mas, com o passar do tempo, o modelo e negócio que chamamos de ciganos se consolidou. Este modelo consiste de cervejarias pequenas, que não possuem sua própria planta, e pagam para realizar a sua produção numa cervejaria com planta própria. Isso fez com pequenas cervejarias despontassem no mercado e o evento era o local escolhido para apresentar suas cervejas para um público maior e, com isso, prospectar novos mercados consumidores, uma vez que distribuidores poderiam levar para vender em novos locais.

Cervejaria Cathedral de Maringa cervejaria do ano

O que levou o evento a crescer foi a realização do Concurso Brasileiro de Cervejas, onde um grupo de jurados escolhe as melhores cervejas do evento. As cervejarias inscrevem suas cervejas nos estilos a serem julgados, enviam amostras de cada cerveja, e elas são analisadas por um grupo de especialistas. Eles verificam primeiro se elas se enquadram no estilo que foram inscritas, e então são analisadas com base nas suas características olfativas e gustativas. A todos estes pontos são atribuídas notas. Ao final são escolhidas três cervejas por estilo, às quais recebem medalhas de ouro, prata e bronze e a cervejaria o direito de poder estampar a medalha no rótulo de sua cerveja.

Este ano se inscreveram para participar 475 cervejarias de todo Brasil.São Paulo liderou com 93 cervejarias inscritas, seguida do Rio Grande do Sul com 85 cervejarias. O estilo mais inscrito foi a American Indian Pale Ale, com 212 cervejas. O total de cervejas inscritas foi de 2.859, que foram analisadas por um corpo de 80 jurados.

Bodebrown ficou na 2ª posição

As cervejas foram dívididas em grupos de estilos: Ale, Hybrid /Mixed e Lager e foram distribuídas 252 medalhas em 148 categorias. Entre todas as participantes, coube à cervejaria Cathedral de Maringá ficar com o posto de cervejaria do ano, seguida pela também curitibana Bodebrown e a Tupiniquim de Porto Alegre.

Segue o link com todas as cervejas premiadas:   http://festivaldacerveja.com/sistema/wp-content/uploads/2018/03/resultado-2018.pdf

Mas, o maior vencedor desse evento são os consumidores, que terão várias cervejas novas para conhecer, ou seja, muitos copos para encher e esvaziar. E o melhor é que há cervejas para cada gosto, para o iniciante e para o já tarimbado cervejeiro, visto que as cervejarias se voltam completamente para a qualidade do produto, pois o consumidor sempre fica mais exigente e querendo o novo, o surpreendente.

Que venha o Festival Brasileiro de Cerveja de 2019 e suas novidades! O público já aguarda ansioso.

Cheers, Prost, Saúde !!!

Estou bebendo:

Cerveja: Canudos Oak 2016.2

Cervejaria Motim – RJ

Estilo: Oak Aged – Saison

Graduação: 7%

A Canudos Oak foi medalha de prata no estilo Oak Aged. É uma cerveja do estilo saison que foi maturada em barris de carvalho francês, que continham vinho do Porto. Essa maturação concedeu notas frutas amarelas, em boca levemente ácida com um final seco e elegante. Ela sofre uma segunda fermentação na garrafa, onde é utilizada leveduras de espumante, utilizadas no método de champenoise. Harmoniza lindamente com um queijo azul ou com um ceviche.

 

Texto: José Honorato
*José Honorato  tem 20 anos de experiência como sommelier, formado como Beer Sommelier pelo SENAC-RJ /Doemens Academy. Economista e historiador de formação, ele é consultor em gastronomia e é docente do SENAC-RJ.
Contato – honoratobeersommelier@gmail.com
Facebook – https://www.facebook.com/jose.honorato.568

 

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