Ligia Mello, diretora de planejamento e pesquisa da Hibou, trouxe um interessante estudo desenvolvido no início deste ano, buscando entender a expectativa de consumo do brasileiro.

Essa é a segunda matéria da cobertura do evento promovido pela Nestlé® Professional®, que  reuniu especialistas do mercado sobre tendências no Food Service em 2018. No total são quatro palestras que você terá acesso aqui na Infood, mas que também pode ser acompanhado nos vídeos produzidos pela Nestlé® Professional®.

Em sua exposição, Ligia demonstra a importância de entender o consumidor como um todo, suas relações com ambiente e com as mudanças que vivemos nos últimos anos.

Ligia Mello, diretora de planejamento e pesquisa da Hibou

Mercado de alimentos e bebidas

O estudo permitiu enxergar algumas coisas muito pontuais do mercado de alimentação, que é a base do material da palestra: “Muita coisa que saiu do carrinho do brasileiro não volta. Não importa que ele perdeu renda. De verdade, ele entendeu que aquilo fazia mal para ele. Ou que, de alguma maneira, aquilo poderia prejudicá-lo”, explica Ligia.

Olhe o consumidor como um todo

O estudo traz as expectativas, um olhar de como esta pessoa consome. Mas Ligia recomenda que antes de se olhar para os dados de alimentação no estudo, precisamos aprender a olhar o consumidor como um todo.

Ligia explica: “O consumidor do estudo não é só aquele cara que senta no restaurante, ou que senta em casa e come. Ele é uma pessoa que tem problemas, que pode ter perdido o emprego, é o cara que a mulher teve uma gravidez que não deu certo, ou que não estava prevista”.

Ampliar o olhar apenas da resposta do consumo nos permite perceber que muita coisa está ficando para trás. Permite entender os reais motivos da mudança do comportamento, como destaca Ligia: “Alguma coisa está ficando para trás, algumas coisas não serão mais consumidas, as pessoas não vão mais consumir certos produtos”.

A longevidade é um novo paradigma de mercado

No contexto desta nova alimentação, está o conceito da comida saudável, da cozinha de vegetais. Isto está muito ligado às mudanças do mundo. Ligia mostra que as pessoas não viviam 90 anos ou 100 anos. Eram poucas as pessoas que chegavam a esta idade. Hoje, temos muito mais gente chegando nesta faixa etária. O importante é observar a importância da alimentação para estas pessoas envelhecerem bem.

“Uma grande oportunidade pode ser olhar para isso. As pessoas têm que envelhecer melhor. O aumento de doenças nos leva a questionamentos do motivo pelo qual as gerações mais antigas não tinham  problema com farinha branca, ou não tinham intolerância ao glúten. A resposta para esta dúvida é pensar: será que estas gerações não tinham estes problemas, ou não havia tecnologia suficiente na época para entender que isto poderia estar acontecendo?”, destaca Ligia.

As pessoas estão se adaptando à novos conteúdos,  novas informação que a internet e a globalização trouxe para o nosso dia a dia.

“Muito coisa que saiu do carrinho do brasileiro não volta”,  Ligia Mello

Comportamento na crise

Um dado importante que a crise trouxe, mesmo lembrando que o food service é o último setor a sentir o impacto da crise, mas de forma concreta, o estudo revela que de cada dez brasileiros, seis reduziram a sua quantidade de comida fora de casa.

“A pessoa comia cinco vezes na semana fora de casa  porque trabalhava na rua. Agora, dois dias ele leva marmita, e os outros três ele continua comendo fora de casa. Criou-se um equilíbrio para tentar continuar equilibrando os pratinhos das contas, enquanto a economia não melhora”, explicou Ligia.

O estudo mostra que o consumo também mudou nos supermercados. De cada dez brasileiros, cinco cortaram alguma coisa do seu carrinho frequente. O comportamento não é de não consumir. Na verdade, há a busca de substituição por outro produto ou formato de embalagem.

Ligia explica que este é um comportamento temporário: “As pessoas têm perspectiva que as coisas estão melhorando. Elas  também querem voltar a consumir na mesma velocidade que elas consumiam dois anos atrás”.

Consumidor mais informado

A diferença, para Ligia, é que agora  os consumidores têm acesso a mais informação. O acesso ficou mais fácil. A internet potencializa esta busca. Mesmo sabendo que existe muita mentira na rede, existe também muita informação correta: “As grandes marcas reforçam o consumo consciente, o esclarecimento, o que tem sódio, o que não tem. O importante é avaliarmos como as pessoas estão se relacionamento com este excesso de informação”.

O ser humano, de uma maneira geral, é composto por comportamentos neutros e negativos.  Os negativos são coisas que incomodam. Coisas que o consumidor sabe que acontece, mas não consegue trabalhar.

Preocupações do consumidor

Quanto nós olhamos os pontos positivos, estamos buscando o comportamento que as  pessoas hoje pensam quando cuidam de si.  Surge a preocupação com a saudabilidade, o interesse de se alimentar melhor.

Existe um desejo de estimular a produção local. O estudo demonstra que as pessoas têm se preocupado com isto. Além da valorização do feito por mim. Isto não quer dizer que as pessoas cozinhem todos os dias, mas este comportamento pode priorizar a compra de coisas semi prontas para serem finalizadas pelo consumidor do seu jeito.

“As pessoas têm que envelhecer melhor” Ligia Mello

Impacto no consumo dos restaurantes

Ligia explica como este comportamento afeta o consumo nos restaurantes: “Isto se reflete no restaurante, na montagem de uma salada ou de um prato. O consumidor gostaria de montar seu prato de uma maneira, de que aquilo fosse o melhor para ela. O estudo revela também que mais  60% dos entrevistados gostariam de ter um prato melhor na hora de  servir nos restaurante por quilo”.

Quando olhamos para este desejo de se alimentar melhor nos restaurantes por quilo, a recomendação de Ligia é muito interessante: “As pessoas não sabem escolher, e acabam diante de um monte de comida, se servindo de uma colher de cada coisa. E acabam com a sensação que comeram muito, que a comida não estava boa. Mas o fato é que eles misturam tudo que estava ofertado, e é obvio que ele vai passar mal. Eles querem uma coisa mais consultiva.”

Comportamento médio do consumidor

Quando pensamos em comportamento médio, Ligia explica que o comportamento médio é o que a gente não consegue fugir.  Aquilo que o ser humano no seu dia a dia não consegue evitar. Coisas como a mudança que o mobile (telefonia celular) trouxe para o comportamento das pessoas.  Hoje todos são escravos do celular.

Outro item é a falta de tempo, como explica Ligia: “Na Hibou fazemos várias entrevistas todas as semanas e a maior dor do ser humano hoje é a falta de tempo. Ele nunca tem tempo para nada. Não tem tempo para ele, não tem tempo para o trabalho. Não tem tempo de estudo. Quando ele vê o dia já acabou, e o dia tinha que ter mais horas. Ele está cansado, mas ele não fez nada. Uma dicotomia que vivemos em relação ao tempo depois da chegada da internet”.

Variáveis do comportamento do consumidor em relação à má qualidade de vida

Outro ponto importante revelado na apresentação é a negligência. As pessoas se auto negligenciam. Em algum momento do dia você pensa que precisa ir ao banheiro, mas decide ir só dali a meia hora. A pessoa já está com vontade, mas continua fazendo outra coisa sem perceber que está negligenciando sua saúde. Em algum momento, você faz um excesso que poderia não ter feito se estivesse olhando mais para você.

Comportamentos negativos

Quando olhamos para o comportamento negativo, temos: o sedentarismo, que gera  obesidade, que gera problema cardíaco, que gera muitos problemas dos dias de hoje.

A ansiedade que vem junto com a falta de tempo e com o mobile.  Explica Ligia: “Você tem a falta de tempo, o telefone celular na sua mão e a ansiedade. Você quer que dê certo. Que funcione. As pessoas estão esquecendo de respirar. Respira e vê o que está acontecendo. Veja o tempo passar. Ninguém mais vê o tempo passar”.

Outro mal dos nossos tempos é a depressão. Hoje a doença que mais mata no planeta, e a doença que mais incapacita no Brasil. Ela é uma doença silenciosa, e muitas vezes quando a pessoa percebe, não dá mais para pedir ajuda.

O ser humano é composto por tudo isto que vimos acima. Quando olhamos para alimentação, é importante fortalecer os três pontos positivos, fortalecer o que está bom no brasileiro para ele continuar caminhando. A alimentação é o que move as pessoas.

No link abaixo você tem acesso à apresentação completa. Damos destaque para a este material disponibilizado do encontro de tendências no Food Service 2018, assim você poderá ver a apresentação completa do estudo com destaque para as mudanças do comportamento do consumidor.

Nestlé Professional

https://www.nestleprofessional.com.br/
https://www.facebook.com/nestleprofessionalbrasil/

vídeo da palestra –  https://youtu.be/N0RJsVukpek


Texto - Ligia Mello
Fotos: Herverton Leal

Ligia Mello, diretora de planejamento e pesquisa da Hibou
Hibou – http://www.lehibou.com.br/

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