Você deve ter comemorado as festas de fim e entrada de ano com bebidas variadas. No entanto, é com o espumante – seja champanhe ou não – que todo mundo celebra a chegada de um novo ano. A bebida, feita pelos ingleses e aperfeiçoada pelos franceses (Dom Perignon e Madame Cliquot), desde sua origem, é bastante conhecida por ser apreciada pelos ricos europeus em momentos especiais de todos os tipos.

Embora o espumante tenha sido adotado para diversas celebrações ao longo dos séculos (casamentos, nascimentos, vitórias em batalhas e guerras, batizar navios, nos esportes e corridas etc.), sua associação com alegria, comemorações e festividade se mantém viva até hoje. A comemoração com espumante, seja por suas características (delicadeza, efervescência, coloração clara, leveza) ou não, consegue vibrar alegria, reforçando o apelo festivo.

O mercado de espumantes

Mas é a partir da Revolução Industrial, com o desenvolvimento da cultura de consumo, que o espumante simboliza a ascensão social. A bebida se tornou um símbolo de status que a burguesia aspirava alcançar. E, por que o espumante e não outro vinho ou bebida? Porque a vinificação do espumante, principalmente do champanhe (método tradicional cuja segunda fermentação acontece na própria garrafa), é mais cara que a do vinho tranquilo (aquele sem a presença de gás carbônico).

A boa notícia é que, atualmente, os espumantes têm se popularizado com a fabricação da bebida, a partir de outros métodos de vinificação – muito bons e mais econômicos –, como é o caso dos métodos charmat (cuja segunda fermentação ocorre em tanques de inox e não mais na garrafa) e do método asti (única fermentação em tanques de inox). Em todos estes métodos o gás carbônico é natural (resultado da fermentação) e fica retido, dando origem às bolhas do espumante (perlaje) e à espuma. Isso não serve para o frisante, cuja presença de gás carbônico é artificial, ou seja, o CO2 é colocado no vinho, assim como se faz com refrigerantes.

O mercado de espumantes no Brasil

Com a crescente popularização dos vinhos no Brasil e ainda com o reconhecimento da qualidade do espumante brasileiro pelo mundo, é fato que se tornou mais fácil apreciar a bebida em diversas ocasiões e não apenas em celebrações, festas, etc. Atualmente, você pode apreciar um espumante “geladinho” na praia, em taça flûte (de acrílico) em pleno verão, comprado nas barraquinhas e carrinhos que circulam pelas areias ou, ainda, criando seu drink em casa com os amigos, no “esquenta” antes da balada.

Brasil: um dos melhores produtores de espumantes do mundo

As características que fazem o Brasil ser um dos melhores países produtores de espumantes no mundo são as excelentes condições do terroir das principais regiões produtoras e a adaptação de variedades das uvas: vitisviníferas Chardonnay, Pinot Noir, Riesling Itálico e Merlot.  E, consequentemente, a produção de uvas nos últimos anos, que metade da safra deverá ser destinada para os vinhos tranquilos e espumantes e a outra metade para os sucos e derivados.

Espumante do Brasil presente no Velho e no Novo mundo do Vinho

O espumante do Brasil, cuja qualidade e a relação custo x benefício estão consolidadas no mercado interno, também vem sendo reconhecido como referência em diversos países da Europa e nos EUA.

O Museu vitivinícola La Cité du Vin, localizado na França, em Bourdeaux, expõe 15 produtos de 14 vinícolas brasileiras, sendo apresentados em rodízio de rótulos. A participação brasileira é viabilizada pelo projeto Wines of Brasil, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN), em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Há vinhos de empresas como Aurora, Campos de Cima, Casa Perini, Casa Valduga, Domno, Lidio Carraro, Miolo Wine Group, Mioranza, Nova Aliança, Peterlongo, Salton.

Dos produtos enviados em 2017 para La Cité du Vin, 70% foram de espumantes das vinícolas associadas ao Wines of Brasil. A estratégia utilizada foi a de dar preferência aos espumantes brasileiros, por causa da aceitação do produto no mercado externo, e pela constatação no aumento das exportações da categoria, além das mais de mil medalhas conquistadas em concursos internacionais, segundo o gerente de Promoção do Ibravin, Diego Bertolini, na edição de agosto de 2017 da revista digital Sacarolha.

Mercado americano

Já nos EUA, os americanos lideram o consumo mundial de vinhos e figuram como segundo maior importador de vinhos brasileiros (dados de 2016).

Como a taxa de crescimento do consumo dos espumantes entre os americanos é duas vezes maior que a dos vinhos tranquilos, o espumante é uma das apostas dos produtores brasileiros para exportação aos EUA, já que o Brasil detém reconhecimento internacional e uma excelente relação custo x benefício no produto. Em 2016, apesar de representar 17,3% do valor total das exportações dos rótulos nacionais para os americanos, os espumantes tiveram um incremento de 54,3% em relação ao ano anterior.

Conheça a seguir os números das exportações de vinhos do Brasil para os EUA

  • Em 2016, o valor das exportações de vinhos e espumantes para os Estados Unidos foi de US$ 830,7 mil, representando um incremento de 34,6% sobre o período anterior;
  • Foram comercializados 280.687 litros de produtos brasileiros para o país, 30,9% a mais do que em 2015;
  • Os espumantes representaram 17,3% do valor total exportado para os Estados Unidos em 2016. Entretanto, tiveram um desempenho mais expressivo do que os vinhos, com incremento de 54,3% em relação à 2015;
  • O total das exportações brasileiras de vinhos foi de 2,27 milhões de litros, que representaram alta de 43,14% no volume, e de US$ 5,93 milhões, contabilizando crescimento de 45% no valor.

 

Texto: Heloiza Lanza
Prof.ª de Enologia e Enogastronomia em Gastronomia da FMU

Uma ideia sobre “O Brasil é um dos melhores produtores de espumantes do mundo”

  1. Claudia disse:

    Muito bom o texto, parabéns, adorei

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