O auditório do projeto Cozinhando com Palavras na bienal do livro em São Paulo está lotado para um bate papo com a chef Gabriela Barretto. Este é o seu primeiro livro, “Como cozinhar sua preguiça” da Editora Melhoramentos. A plateia começa a descobrir um pouco do trabalho da chef à frente do Chou, um restaurante onde a churrasqueira é o centro da casa, onde usa-se o fogo como ingrediente.

Um grande grupo, das mais diferentes idades e experiências, reúne-se para ouvir a chef. Provavelmente, poucos ali sabem de sua carreira, do seu trabalho no restaurante Chou. Mas com o interesse crescente em gastronomia, o livro de Gabriela tem na simplicidade das receitas uma grande qualidade.

No começo do livro, um texto revela suas experiências: “O idílio que vivi os primeiros anos da minha vida nunca  me deixou por completo, mesmo depois do declínio desse dourado éden familiar; abrupto a princípio, e depois lento e inexorável. Muito anos depois, na aridez do concreto da capital, ainda carrego comigo o espanto pelo mistério das plantas, a reverência pela beleza botânica“.

 

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O Brasil tem uma cultura de churrasco. O livro apresenta tudo o que você pode fazer no fogo. Você pode usar um forno, uma chapa ou uma churrasqueira. Gabriela passa um pouco de sua experiência com este importante ingrediente. Ela nos ensina que, quando o alimento entra em contato com o calor do fogo, ele se carameliza. Acontece uma reação de maillard (descrita em 1912 pelo químico Louis-Camille Maillard), uma reação química que ocorre entre os aminoácidos ou proteínas e os açúcares. Quando o alimento é aquecido, o grupo carbonila do carboidrato interage com o grupo amino do aminoácido ou proteína e, após várias etapas, produz a melanoidinas, que dão sabor, odor e cor aos alimentos. O aspecto dourado dos alimentos após assado é resultado desta reação.

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No livro, a chef explica o que é a preguiça do título. Hoje em dia, são tantos programas de televisão que passam o conceito de uma culinária complicada, pratos que podem demorar 18 horas em preparação, e tudo isto acaba intimidando as pessoas. No livro, você vai encontrar receitas simples, mas com muito sabor. “As pessoas se esquecem de um outro importante ingrediente, o tempo. Para cozinhar, precisamos de tempo e o ideal é usar este tempo cm prazer. Se você tem pouco tempo, faça algo simples, mas não tenha vergonha disto. A cozinha deve ser uma relação de prazer“, diz Gabriela.

Afinal, não foi  outra língua que inventou o Il dolce far niente (a doçura de fazer nada), expressão que traduz toda a delícia charmosa do ócio. E talvez a sua cozinha seja uma das que mais evidenciem o amor pelas coisas simples e puras, os sabores honestos, em que a claridade dos ingredientes brilha mais alto. Não é apenas a consequência gastronômica que é admirável, mas o modo de enxergar a vida. Cozinhar com simplicidade. Comer com abandono. Viver de prazer e de preguiça“.

 

Serviço
Como cozinhar sua preguiça (em 51 receitas)
Gabriela Barretto
Editora Melhoramentos
Formato – 25 x 26 cm
Páginas – 208

 

 

Por Redação

Fotos Editora Melhoramentos

 

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O turismo gastronômico como meio de desenvolvimento local

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