Este texto é baseado na transcrição costurada de algumas palestras ministradas na NRA Show 2018, tendo como eixo principal a Sessão “The Future of Restaurants”   ministrada por Daniel Burrus e seus convidados Sarah Lockyer, John Miller e John Ha. Como complemento, as sessões “Regulatory Trends in the Restaurant Industry and Simple steps to comply”   ministrada por Derek Jones e “The Future of the Guest Experience”  coordenada por Abhijeet Jadhav, utilizando como cola e alinhavo deste texto a própria feira com seus produtos e stands, nossa participação no Global Summit for Association Executives representando a Abrasel neste evento e a vivência de mais de 35 anos no Mercado de Foodservice.

Futuro

Desde o início das civilizações, predizer o futuro é ter o poder. Seja a temporada de chuvas ou cheia de rios, duração de dias e noites ou até mesmo o gênero de um bebê da realeza.

É parte de nossa natureza querer saber o que virá depois, se nossos objetivos serão alcançados, se estamos indo pelo melhor caminho.

Queremos sempre saber do futuro. Para tomarmos decisões, prever crises, evitar perdas, educar melhor nossos filhos ou ganhar na loteria, ou pelos mais diversos outros motivos desta natureza humana. Detestamos pensar em “Futuro Incerto” traduzindo profundos medos e horrores guardados em nossa mente.

Daniel Burrus e seus convidados Sarah Lockyer, John Miller e John Ha

Tendência

Partindo deste simples princípio, tomamos a ciência como ferramenta para predição (ao invés de bolas de cristal, baralhos ou borra de café) e chamamos a estas predições de tendências (ao invés de adivinhação), transformando a tragédia do “Futuro Incerto” em “Possibilidade Futura”.

Possuímos dados da indústria/agronegócio indicando oscilações de preço, volumes de produção/distribuição, aumento ou diminuição de consumo ou oferta de determinado(s) produto(s), resultados de conflitos/fusões/aquisições de organizações/empresas divulgação de informações sobre saúde pública, fatos globais (guerras, migrações, etc.)  e uma grande variedade de leituras destes dados orientando para a predição do futuro.

As principais ferramentas cientificas para a detecção de tendências estão em fatos /comportamentos associados a estes números e estatísticas em análises multidisciplinares, transversais e convergentes.

Classificando Tendências

Bem, o futuro pode estar escrito nas estrelas e de nada nos adiantaria este esforço para descobrir o que nos espera se acreditarmos apenas nisto.

Mas se começássemos a pensar (tal qual em cálculos diferencial e integral) em variáveis dependentes e independentes?

Na proposição 1, classificaríamos/derivaríamos as tendências (“trends” – que compõem o futuro – numa integração) em “Hard Trends” e “Soft Trends”. Mas, ainda assim, assumindo que estas duas “partes” seriam convergentes para a construção da “predição do Futuro”.

Vamos descrever já direcionando para um pouco mais o Foodservice:

“Hard Trends” – (inevitáveis) são baseadas em fatos/coisas que irão ocorrer, independentemente da vontade individual ou da atividade de um grupo de pessoas/empresas/organizações que não aceita/concorde com estas tendências.

Exemplos:

Dados demográficos/Demografia– o crescimento ou queda do número de pessoas em uma localidade ou com perfil sócio-econômico-étnico indicam uma tendência para demanda/consumo/conflito. A população varia conforme dados aferíveis que afetarão o consumo e, portanto, quantitativa e qualitativamente os produtos e serviços ofertados.

Regulações Governamentais – existe uma necessidade constante de arrecadação e controle que as instâncias governamentais (municipais, estaduais e federais) continuarão exercendo na atividade; seja tributária; em relação a licenças e licenciamento; trabalhista ou em relações de qualquer outra ordem, o Governo/Estado continuará pressionando custos e condicionando a atividade.

Inovações Tecnológicas – é claro que a tecnologia continuará “evoluindo”, cada vez mais automação / robotização em operações; mais velocidade em transações e pedidos e mais facilidades para consumo. Robôs produzindo e servindo mesas, controles de estoque por sensores, identificação facial e de voz para pedidos e pagamentos são degraus da Inteligência artificial já transpostos e em vias de se popularizar em poucos anos. Desta forma, as relações de produção e consumo serão modificadas (ininterruptamente).

Soft Trends” – (talvez ocorram) são fatos/eventos que podem acontecer e necessitam ser tratados com cuidado. Podem ser positivas ou negativas e, de alguma forma, podem ser influenciadas pelos indivíduos e/ou organizações.

Um bom exemplo é que a taxa de obesidade continuou crescendo nos EUA (mesmo que mais devagar) a despeito de campanhas e educação alimentar nas escolas ou tendência/aumento de consumo de produtos mais saudáveis (um Mercado em franco crescimento).

Outro exemplo é a questão dos aluguéis no mercado americano. Eles iniciaram uma aceleração de preço a partir de 2010 prevista para longo prazo (após a forte queda de 2008) e depois caíram e passam por estabilidade.

A classificação é bastante didática permitindo, a partir do “desmembramento “da identificação/construção de tendências, a reintegração destas informações novamente na elaboração de estratégias e tomada de decisões.

Consideramos muito útil este formato de análise nas empresas de alimentação fora do lar, que é foco de nosso interesse e trabalho.

Como resultado

Focando em “Hard Trends”, a utilização de AI (Inteligência Artificial) é inevitável, a diminuição de tarefas humanas com maior risco (calor, frio, corte e outras) será evitada; maior velocidade/efetividade no atendimento afetado pelo estilo de consumo dos “Millenials” e variedade maior de produtos pela forte miscigenação das gerações próximas.

Utilização de robôs na produção e serviços passam a ser mais comuns; leitura facial e de voz para pedidos e pagamentos serão usuais; controles de estoque/produção/caixa totalmente integrados com as interfaces AI serão necessários; Oferta de produtos mais diversos/étnicos/fusion/” saudáveis” será imposta do consumidor.

Utilização de robôs na produção e serviços

Terroir/Regional

É lógico que existe uma diferença entre o tempo de existência e tempo de execução/implantação para incluir ações a partir da estratégia construída com “itens e produtos advindos das tendências identificadas”.

Sobre Hard Trends para o nosso mercado, as barreiras de custo e disponibilidade técnica podem trazer um certo “atraso” na implantação de tecnologias, além de outras tantas limitações.  (atraso gerando atraso)

Pensando em “Soft Trends”, existem componentes regionais em que outras leituras/análises podem e devem ser tratadas, como as questões tributárias e trabalhistas e a ainda existente instabilidade institucional.

Desta forma, tentaremos utilizar esta metodologia para aplicação de “Hardt Trends” e identificação e aplicação de “Soft Trends “para o mercado brasileiro em artigo próximo.

 

Texto: Marco Amatti

Marco Amatti é CEO da Mapa Assessoria, especializada em negócios em alimentação fora do lar, e um membro profissional da FCSI no Brasil.

 

 

 

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