Rolando Vanucci é um dos pioneiros da comida de rua do Brasil. Um empreendedor e um grande vendedor. Sempre encontrou boas maneiras de oferecer a comida certa na hora certa, mas  foi numa Kombi na Avenida Sumaré que Rolando deixou de ser Vanucci e se transformou no Rolando Massinha. E nunca mais deixou as panelas.

Nós conversamos com Rolando para entender como foi que a cozinha entrou na vida dele. Diferente da grande maioria das pessoas, a relação de Rolando com a comida não veio do convívio com a família. O empreendedor está atuando nestes próximos dias em Florianópolis e se prepara para lançar um projeto em vídeo: está nascendo o Rolando na sua geladeira.

Ele encontrou a cozinha por necessidade. Enfrentou as panelas pois queria comer.  De forma intuitiva descobriu um talento, quem sabe uma herança antiga de sua avó paterna, a vó Maria, que sempre preparava um espaguete com sardinha aos domingos.

Rolando e sua kombinha: pioneiro da comida de rua em São Paulo

O primeiro prato

A primeira vez que Rolando fez um prato na cozinha foi algo muito engraçado. Ele estava com 19 para 20 anos e passava uns dias na Praia Grande hospedado com mais 9 amigos surfistas num pequeno apartamento.

Todos adoravam a praia mas ninguém comia bem, primeiro porque não havia praticamente nada na despensa da casa, e segundo por total falta de habilidade, já que de fato ninguém sabia preparar nada.

E foi nesta temporada na praia que tudo começou. Rolando voltou para o apartamento às quatro horas da tarde, com muita  fome e sem dinheiro. Decidiu ir para cozinha. Procurou no armário da casa e só encontrou arroz. Na geladeira encontrou:  água gelada, um pedaço de uma peça de mortadela e margarina.

Rolando explica o passo a passo: “Decidi começar picando a mortadela, depois coloquei na panela com a margarina para fritar e acrescentei o arroz. Fritei o arroz junto com a mortadela e algo aconteceu. Um aroma da mortadela surreal tomou conta da cozinha. Foi quando decidi jogar água na panela, mesmo sem saber qual seria a quantidade certa e se daria certo. O aroma do meu prato chegou até um outro apartamento, e uma velhinha veio até a nossa cozinha para saber o que estávamos fazendo, que cheirava tão bem.  Eu disse para ela que era arroz com mortadela”.

Quando a água desceu, Rolando desligou o fogo e se preparou para servir os pratos. O problema foi tirar o arroz com mortadela da colher. Era pasta pura, um grude só, mas com um aroma maravilhoso. Rolando e seus amigos comeram tudo. Não sobrou nenhum grão para contar história.

Tudo começou à noite,  nas ruas da Avenida Sumaré, no bairro de Perdizes

A primeira massinha

Passaram-se dez anos. Rolando estava então com 28 para 29 anos e continuava longe da cozinha. A única coisa que sabia fazer era tostex. Não sabia fazer nada, nem mesmo fritar um ovo.

Mais uma vez a vontade falou mais alto. Ele estava num supermercado em Belo Horizonte e ficou com vontade de fazer uma massa. Encontrou um pacote de massa fresca, e percebeu no verso da embalagem uma receita do molho bolonhesa com calabresa. Foi a sua inspiração.

Comprou carne moída, molho pronto e a massa, e decidiu ir até o mercado municipal de Belo Horizonte, para comprar a linguiça. No mercado encontrou uma banca com pós e desidratados, comprou alho em pó, pimenta calabresa, páprica picante e páprica doce. Também comprou a linguiça.

Na cozinha, pegou um pouco de azeite, juntou  a carne moída, a calabresa e foi juntando o alho em pó, a pimenta e as pápricas. Ele não tinha a menor orientação, mas sua inspiração continuava sendo a receita da embalagem da massa.

Rolando continua: “Acrescentei o molho e o manjericão desidratado. Enquanto preparava o prato, eu estava tomando um vinho gostoso, algo que adorava fazer. Decidi experimentar o molho e tive a sensação que ainda falta alguma coisa. Sem pensar muito decidi colocar uma taça de vinho no molho. O aroma subiu, e percebi que o molho estava ficando bom”.

Rolando estava descobrindo um dom: “Eu nunca tinha escutado que se colocava vinho no preparo do molho.  Reservei o molho e fui preparar a massa, e na embalagem dizia para servir a massa al dente, mas eu não fazia a menor ideia do que seria isto. Ao invés de seguir o tempo da embalagem, eu fui acompanhando com um garfo e quando entendi que a massa estava pronta, escoei a água, coloquei o molho em cima e experimentei. Eu gostei muito do resultado final. Comi tudo com muito prazer”.

Rolando não sabe dizer se era a fome, se foi o prazer do processo com as compras até o preparo do prato, mas ele ficou muito satisfeito em produzir seu prato. Como sobrou molho, convidou uma amiga para ir comer no dia seguinte.

Livro com a história e receitas de Rolando Massinha

O molho estava ainda melhor, de um dia para outro, algo que ele ainda não sabia que aconteceria. Esquentou o molho e colocou novamente um pouco mais de vinho. Novamente o aroma tomou a cozinha. Na primeira garfada, sua convidada falou: “eu nunca comi uma coisa com tanta vida”.

Rolando se emociona ao lembrar: “É desse tempo que eu trago comigo o conceito. Para mim, comida é vida. A partir do sucesso, minha amiga começou a avisar os amigos e começamos a fazer jantares. Foi assim que comecei a cozinhar para outras pessoas e não parei mais”.

Rolando Massinha

https://www.facebook.com/rolando.massinha

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Como uma brigada de cozinha organizada pode trazer lucros e economia

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